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06 Fevereiro 2019 | Renata Vomero

"A sala de cinema é o que cria a alma e a força do filme", comenta diretor de nova animação nacional

Aclamado no exterior, “Tito e Os Pássaros” entra em cartaz dia 14 de fevereiro

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(Foto: Elo Company)

O medo é o tema central da nova animação brasileira Tito e Os Pássaros (Elo Company/Europa Filmes). No filme acompanhamos Tito, um garotinho que embarca no desafio de salvar o mundo de uma epidemia que deixa as pessoas doentes ao sentirem medo. O longa independente vem conquistando o mundo: Entrou na lista de pré-indicados ao Oscar, foi nomeado ao Annie Awards, premiação mais importante do gênero animação; ganhou prêmios no Anima Mundi, no Festival de Chicago e de Havana; e participou de festivais como Annecy e TIFF. E não para por aí, a animação é a nova queridinha da crítica internacional, como o LA Times cravou: “Tito e Os Pássaros é uma pequena maravilha”. “Está sendo incrível, né? Para um filme pequeno que não tem mídia, que não tem grande distribuição, cada festival, cada espaço que a gente conquista para que as pessoas assistam e falem, para que a mídia veja, é um espaço a mais para que a gente possa levar a mensagem do filme para um público maior”, comenta Gustavo Steinberg, um dos diretores e roteiristas do filme, em entrevista para o Portal Exibidor, direto de Los Angeles, onde aconteceria o Annie Awards (03/02), em que infelizmente, o filme não levou o troféu para a casa.

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Não conseguir ser premiado não é um problema para Gustavo, que já considera uma grande honra participar desses grandes eventos por ser uma janela de divulgação para o filme. “Cada passo que a gente consegue dar, é um passo a mais para alcançar visibilidade.  Uma visibilidade que a gente precisa muito, porque é uma luta bem desigual. Vamos estrear dia 14 de fevereiro no Brasil e a gente não sabe ainda em quais salas. Competimos com filmes de orçamentos de 100, 150 milhões de dólares. Os filmes independentes com os quais a gente concorre, isso porque o Annie tem uma categoria de filme independente, tem vários que foram feitos com US$ 20 milhões, o nosso foi feito com US$ 1 milhão”, explica o cineasta.  O desafio de fazer a história chegar a um maior número de pessoas é grande, já que o mercado de animação no Brasil ainda está crescendo, por isso, não ganha muito espaço tanto em publicidade, quanto entre distribuidoras e exibidores.  Dificultando a entrada de um filme nacional independente no circuito comercial, também vemos animações de grandes estúdios dominarem as salas. “Realmente é muito difícil, eu andar pela cidade de São Paulo e ver relógios forrados com publicidade do Homem-Aranha, do Ralph, de Como Treinar o Seu Dragão, e eu estou brigando para conseguir três relógios na Avenida Paulista. É uma competição impossível, na verdade não é uma competição, é um massacre para a gente. Nós contamos com a possibilidade do boca boca do filme. As pessoas têm que realmente levantar e ir na primeira semana, senão o filme vai sair de cartaz.  Então, não esperem para assistir na Netflix, porque nem sei se vai estar lá.”

O longa tem co-distribuição da Elo Company e Europa Filmes, e levou oito anos para ser feito, sendo cinco deles usados para o pré-desenvolvimento e três para a produção efetivamente. A animação consegue conversar sobre o tema central do medo por meio de uma linguagem divertida, alcançando adultos e crianças. “A gente falar sobre a cultura do medo, estabelecer um diálogo e criar uma possibilidade das pessoas discutirem esse tema, dos pais discutirem com os filhos, das crianças entenderem a importância disso, como ele é usado economicamente, politicamente e criticamente. É um filme divertido, mas com questões atuais reais do nosso mundo. É motivo de muito orgulho poder contribuir para esse diálogo e, quem sabe, fazer um mundo melhor. É brega, mas é real (risos)!”, diz Gustavo.

Tito e Os Pássaros (Elo Company/Europa Filmes) já é motivo de muito orgulho para os brasileiros, tendo em vista o alcance e a repercussão que o filme alcançou, tudo isso ganha novos contornos porque a produção de animação nacional ainda é pequena se comparada a outros países e exige um esforço descomunal por parte seus criadores para fazerem com que os projetos sejam realizados. Ainda assim, não é nossa primeira vez alçando voos tão altos. “É um processo que começou com Uma História de Amor e Fúria (Europa Filmes) e depois passou pelo O Menino e o Mundo (também com distribuição da Elo), e agora o Tito está tendo essa penetração no mercado. É a consolidação de uma percepção de Brasil de que não é sorte, não é: ‘Ah, fez um filme que conseguiu romper a barreira’. Não, a gente tem conseguido a cada dois anos emplacar um filme que tenha uma penetração internacional. Isso mostra que animação brasileira não é só um caso que deu certo, é bem bacana para a produção de animação como um todo, que está crescendo cada vez mais no Brasil.”

Estando bastante envolvido nesta temporada de premiações, que tem levantado a discussão a respeito do futuro do cinema com o fortalecimento do streaming, Gustavo Steinberg é bastante assertivo quanto ao que espera para o mercado cinematográfico frente a tais novidades. “Acho que se esse processo continuar, a humanidade ainda vai viver para se arrepender de estar acabando com o cinema da mesma forma que já está se arrependendo de ter acabado com o jornalismo. O digital pelo digital carrega consigo várias oportunidades e possibilidades, mas desrespeitar todos esses processos do início vem com um preço muito alto.  A sala de cinema é o que cria a alma, a aura e a força da produção cinematográfica. Eu acredito, quase que religiosamente, que deve haver um movimento para preservar a sala de cinema e para priorizar a diversidade de produção que aparece ali. Não dá para viver só de franquias, né? Que é o caminho que está sendo seguido”, critica o diretor.

Tito e Os Pássaros (Elo Company/Europa Filmes) tem direção de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto  e chega aos cinemas no dia 14 de fevereiro. No elenco de dubladores consta nomes como Pedro Henrique, Marina Serretiello, Matheus Solano, Enrico Cardoso, Denise Fraga, Matheus Nachtergaele, entre outros.

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