30 Janeiro 2026 | Yuri Cavichioli
Transparência de dados e novo modelo regulatório da Ancine passam a reordenar a operação dos cinemas
Avanço da política de dados e Cota de Tela renovada orientam a operação dos exibidores em 2025
A reformulação da política regulatória da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2025, passou a impactar diretamente a operação dos cinemas no país, ao combinar a renovação da Cota de Tela e a ampliação da transparência dos dados de mercado.
O novo modelo também consolida instrumentos de acompanhamento do setor e amplifica a disponibilidade de informações públicas sobre desempenho, oferta e circulação de obras no circuito comercial, com o objetivo de reforçar a previsibilidade institucional para o segmento exibidor.
No cerne dessa reorganização está a modernização da Cota de Tela Cinematográfica, renovada pela Lei nº 14.814/2024 e regulamentada pelo Decreto nº 12.323/2025. Segundo a Agência, a definição dos parâmetros da política foi construída a partir de consultas ao setor e de estudos técnicos, com destaque para a Avaliação de Resultado Regulatório (ARR), que passa a orientar o acompanhamento contínuo da política.
Após a publicação do decreto, a Ancine informou que realizará uma Análise de Impacto Regulatório (AIR) para avaliar a atualização da Instrução Normativa nº 170/2024, com foco na adoção de medidas que incentivem a permanência de obras brasileiras em cartaz.
Os dados indicam um recorde histórico de 3.554 salas de cinema em operação no país, com expansão para 14 novos municípios. As informações integram os painéis de acompanhamento do mercado e passam a compor a base de monitoramento contínuo do parque exibidor, em um cenário de retomada da política de indução à circulação do cinema brasileiro nas salas.
A ampliação da base pública de dados sobre o circuito de exibição permite acompanhar, de forma sistemática, a evolução territorial das salas e a dinâmica do mercado exibidor. Para o setor, esse conjunto de informações passa a funcionar como referência para leitura de tendências, avaliação de expansão e planejamento da operação em diferentes praças.
No desempenho de mercado, o cinema brasileiro registrou crescimento consistente de participação nas salas, passando de 3,3% em 2023 para aproximadamente 10% no biênio 2024–2025. De acordo com o balanço institucional da Agência, o avanço é impulsionado pela retomada da Cota de Tela e pela qualidade da produção nacional, consolidando um novo patamar de presença do conteúdo brasileiro no circuito exibidor.
Em 2025, 367 filmes brasileiros foram exibidos comercialmente, atraindo 11,12 milhões de espectadores e gerando R$ 214,99 milhões em renda. No mesmo período, foram emitidos 3.981 Certificados de Produto Brasileiro (CPBs), novo recorde histórico de registros de obras audiovisuais brasileiras, com crescimento de 9% nas produções das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Esses indicadores integram o conjunto de evidências utilizado pela Agência para o acompanhamento do desempenho do conteúdo nacional no mercado exibidor.
A internacionalização da produção audiovisual também passou a ocupar papel relevante no acompanhamento regulatório da ANCINE, com reflexos sobre a inserção das obras brasileiras no mercado global.
Entre 2023 e 2025, foram registradas 124 coproduções internacionais, com recorde de 50 obras em 2024. O número de pedidos de reconhecimento de coprodução cresceu de 56, em 2023, para 140, em 2025, consolidando a expansão desse modelo de produção como uma das frentes estruturantes do setor.
A principal infraestrutura de dados que sustenta esse novo modelo regulatório é a versão reformulada do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), lançada em 2025.
A plataforma passou a organizar as informações setoriais em quatro áreas integradas: painéis interativos, voltados ao monitoramento e à visualização de tendências do mercado; bases de dados abertos, que permitem o desenvolvimento de aplicações, pesquisas e análises; publicações técnicas, reunindo estudos e relatórios para o planejamento e a leitura de mercado; e um anuário consolidado, que reúne séries históricas para estudos comparativos e projeções.
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