22 Maio 2026 | Redação
Cannes: brasileiro premiado, disputa por filme ovacionado por 16 minutos, vencedores da Quinzena dos Realizadores e mais
Confira os destaques dos últimos dias na Riviera Francesa
O Festival de Cannes segue movimentando o mercado audiovisual com uma combinação de premiações, disputas de distribuição, debates políticos e novos investimentos na indústria. Entre os destaques dos últimos dias, houve brasileiro vencendo prêmio para cineastas novatos, filme com Penélope Cruz sendo ovacionado e virando alvo de disputa entre A24, Mubi e Netflix, vencedores da Quinzena dos Realizadores anunciados, astros de Hollywood unindo-se a petição contra a extrema-direita na França, e Estônia revelando planos para triplicar sua indústria cinematográfica nos próximos cinco anos. Confira.
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Curta brasileiro recebe prêmio La Cinef, que revela novos talentos
O cineasta brasileiro Lucas Acher foi o grande vencedor do prêmio La Cinef neste ano, com o curta-metragem Laser-Gato. A categoria do Festival de Cannes é voltada a revelar e incentivar novos talentos, com filmes de ficção e animação com até 60 minutos, vindos de universidades e escolas de cinema de todo o mundo.
Nesta edição, concorreram 19 filmes entre mais de dois mil inscritos, representantes de 662 instituições educacionais. Acher estudou cinema na NYU (New York University) e era o único brasileiro na competição.
Laser-Gato é uma coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, e acompanha um adolescente ao atravessar São Paulo durante uma noite tentando salvar um gato, o que muda sua percepção da cidade. No elenco estão Gabriel Brennecke e Gilda Nomacce. Após a seleção, o diretor disse que Cannes sempre foi um sonho. “Uma ideia quase abstrata. Quando acontece, parece um pouco irreal”, definiu.
Acher receberá 15 mil euros - cerca de R$ 87 mil - pelo primeiro lugar. Em segundo lugar ficou Silent voices, da sul-coreana Nadine Misong Jin, e, em terceiro, o curta francês Never Enough, de Julius Lagoutte Larsen. O júri foi presidido pela diretora espanhola Carla Simón (Alcarràs) e composto por Ali Asgari, Salim Kechiouche, Ji-Min Park e Magnus von Horn.
As informações são da Folha de S. Paulo e d’O Estado de S. Paulo.
"La Bola Negra" é ovacionado por 16 minutos e gera disputa entre estúdios
Após ser aclamado por 16 minutos, La Bola Negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo, gerou uma acirrada disputa entre vários estúdios pelos direitos de distribuição nos Estados Unidos. Segundo a Variety, entre os concorrentes estão a A24, Mubi e Netflix.
A estreia na noite desta quinta-feira (21) marcou a estreia na competição de Cannes da dupla de cineastas, conhecida como Los Javis e que conquistou um público internacional fiel com as séries Veneno e La Mesías. La Bola Negra é uma epopeia queer que abrange 85 anos da história espanhola, inspirada em um fragmento inacabado do poeta e dramaturgo Federico García Lorca. Glenn Close aparece em um papel coadjuvante e Penélope Cruz faz participação especial. O filme concorre tanto à Palma de Ouro quanto à Palma Queer.
O acordo marca a segunda grande disputa de lances do festival deste ano. O outro título mais cobiçado foi Club Kid, de Jordan Firstman, que acabou sendo adquirido pela A24 por US$ 17 milhões.
Vencedores da Quinzena dos Realizadores
A diretora britânica Clio Barnard conquistou o Prêmio do Público na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes, com o drama I See Buildings Fall Like Lightning. Adaptação do livro homônimo de Keiran Goddard, o filme acompanha três amigos de infância que, aos trinta anos, vêem o futuro que imaginaram escapando de seus alcances.
A Quinzena dos Realizadores não possui um júri oficial, mas lançou o Prêmio do Público em 2024, celebrando o legado de Chantal Akerman com uma premiação em dinheiro de €7.500, patrocinada pela Fundação Chantal Akerman.
Too Many Beasts, da diretora francesa Sarah Arnold, ganhou o prêmio Europa Cinemas de Melhor Filme Europeu na seleção. Supervisionado pela rede europeia, o prêmio oferece apoio da rede, com promoção adicional e incentivos para que os exibidores prolonguem a exibição do filme.
Ambientado na zona rural francesa, Too Many Beasts parte de uma situação em que javalis selvagens estão devastando as plantações, provocando uma guerra aberta entre os agricultores locais e os membros de um clube de caça, que alimentam os animais entre as caçadas. De acordo com o júri, o longa "é uma verdadeira mistura de gêneros", abrangendo ação, romance, suspense, comédia e drama policial. "Grande parte do seu apelo reside na forma como a trama acessível leva o público a caminhos totalmente inesperados – e os últimos quinze minutos são uma montanha-russa psicodélica deliciosa e alucinante. É também um filme muito humano, sutil e nada didático, mas que aborda a corrupção e como as comunidades podem unir-se para encontrar soluções", afirmaram os jurados em comunicado.
Já Shana, da diretora francesa Lila Pinell, recebeu o prêmio Coup de Coeur da SACD, associação de roteiristas franceses, destinado ao melhor filme em língua francesa da Qunizena dos Realizadores. O segundo filme de Pinell traz Éva Huault como uma mulher na casa dos 30 anos, que se vê envolvida em empregos sem futuro, tráfico de drogas, um relacionamento tóxico e um anel de família com poderes misteriosos. "Em uma seleção extremamente diversificada, onde cineastas consagrados e experientes conviveram com jovens talentos promissores, queremos começar elogiando a notável originalidade dos trabalhos inscritos. Na hora de escolher, decidimos celebrar a juventude em toda a sua energia e vulnerabilidade", declarou conjuntamente o júri.
As informações são do Deadline.
Palm Dog de Cannes vai para cão resgatado no Chile e estrela de "La Perra"
Yuri, a cadela resgatada no Chile e estrela de La Perra, confirmou as apostas e foi a grande vencedora do Palm Dog, premiação não-oficial de Cannes que celebra as melhores performances caninas na seleção oficial e em diversas mostras paralelas.
O longa da diretora chilena Dominga Sotomayor, que tem coprodução da RT Features e conta com Selton Mello no elenco, estreou na Quinzena dos Realizadores e acompanha Silvia, uma mulher cuja vida tranquila em uma ilha remota na costa chilena é abalada pela chegada de Yuri.
Antes de se tornar a protagonista do filme, a cadela vivia em um abrigo administrado pela Mirada Animal Chile, organização dedicada ao resgate e cuidado de animais abandonados. Durante a pré-produção, um processo colaborativo de adoção e treinamento foi realizado pela produtora Planta em conjunto com os treinadores Nicolás Carrillo e Marcela Carrasco. Segundo os produtores, após o término das filmagens, Yuri formou uma nova família.
Alguns dos cães mais aclamados do cinema contemporâneo já foram reconhecido pelo Palm Dog de Cannes, incluindo Messi, o border collie de Anatomia de uma Paixão, e Brandy, de Era Uma Vez em... Hollywood - naquele ano, Quentin Tarantino compareceu à cerimônia de entrega para receber o prêmio pessoalmente. Entre as principais homenageadas deste ano estava Lola, de I See Buildings Fall Like Lightning, que ganhou o prêmio do júri.
As informações são da Variety.
Sony Pictures Classics adquire direitos do vencedor de Melhor Documentário em Cannes
A Sony Pictures Classics adquiriu todos os direitos na América do Norte e Latina, Ásia (exceto Japão), Nova Zelândia, Turquia, Portugal e em companhias aéreas de todo o mundo para Rehearsals for a Revolution, vencedor do prêmio de melhor documentário em Cannes.
O filme é a estreia em longas-metragens de Pegah Ahangarani, que traça sua história de vida através de cinco retratos de parentes e mentores. Recorrendo a arquivos pessoais, vídeos caseiros, filmagens de protestos de rua, jornais e gravações de voz, ela reconstrói mais de 40 anos da história do Irã, um país marcado pela repressão política e em constante esperança de uma revolução.
Segundo a Variety, o acordo foi negociado entre a Sony Pictures Classics e a The Party Film Sales em nome dos cineastas.
Javier Bardem, Mark Ruffalo e Ken Loach assinam petição contra extrema-direita no cinema
Uma onda de estrelas internacionais, incluindo Javier Bardem, Mark Ruffalo e Ken Loach, adere à petição que alerta para o "controle da extrema-direita" na indústria por meio do Canal+ e de seu acionista bilionário Vincent Bolloré, informa a Variety.
Lançada antes do Festival de Cannes por cerca de 600 profissionais do cinema francês, a petição cresceu para mais de 3.500 assinaturas após comentários feitos pelo CEO do Canal+, Maxime Saada - incluindo Juliette Binoche e Arthur Harari (do The Unknown, que estreou em Cannes). Em um almoço com produtores no último fim de semana, Saada afirmou que não deseja mais trabalhar com artistas que assinaram a petição.
O documento critica a crescente influência de Bolloré na mídia e no entretenimento franceses, incluindo a planejada aquisição de 34% na gigante do cinema UGC pelo Canal+. Os signatários argumentam que essa consolidação corre o risco de concentrar uma influência sem precedentes sobre o financiamento, a distribuição e a exibição de filmes "nas mãos de um império midiático conservador, cada vez mais associado a políticas editoriais de direita, às vésperas da próxima eleição presidencial em 2027".
O assunto é um dos principais correndo nos bastidores de Cannes. O jornal Le Monde noticiou que mais da metade dos filmes franceses recentes contaram com a participação de profissionais que agora assinaram a petição.
Estônia planeja triplicar sua indústria cinematográfica em cinco anos
A Variety informa também que autoridades e executivos da Estônia noticiaram em Cannes a ambição do país em se tornar um centro completo para produções internacionais, ao construir dois novos estúdios de som que devem triplicar a indústria cinematográfica nacional em cinco anos.
Dois complexos estão em construção: um no leste do país, com inauguração prevista para o final deste ano, e outro em Tallinn, que está buscando a certificação LEED Gold, incorporando painéis solares, energia geotérmica e gestão inteligente da água – eficiências que,de acordo com Joonas Tartu, chefe dos estúdios Tallinnfilm, se traduzem em custos operacionais mais baixos, em vez de encargos adicionais para as produções.
Viljar Lubi, embaixador da Estônia na França, afirmou que o governo apoia integralmente a expansão e entende seu papel de facilitador, reduzindo a regulamentação e a burocracia em vez de intervir. Edith Sepp, CEO do Instituto de Cinema da Estônia, destacou que Paramount e Warner Bros. já filmaram no país e argumentou que a vantagem é justamente a agilidade institucional. "Ouvimos nossos cineastas, mantemos-nos receptivos a eles, somos flexíveis e uma palavra-chave para a Estônia é, definitivamente, menos burocracia", afirmou.
O incentivo dos estúdios é apoiado por um reembolso em dinheiro recentemente aumentado para 40%, ante os 30% anteriores, o que, segundo Nele Paves, comissária de cinema da Film Estonia, posiciona a Estônia entre os principais regimes de incentivos da região.
No mercado interno, os filmes estonianos alcançaram uma participação de 14% no ano passado, contra uma meta de 20%. Os títulos europeus representam coletivamente cerca de 45% da bilheteria nacional, com os lançamentos americanos respondendo pela maior parte do restante. O perfil internacional do país em festivais foi impulsionado pelo documentário de Anna Hints, Smoke Sauna Sisterhood, que ganhou o prêmio de melhor direção em Sundance em 2023 e o Prêmio do Cinema Europeu de melhor documentário, e pelo curta-metragem de Hints, Sauna Day, exibido na Semana da Crítica em Cannes há dois anos.
Sepp afirmou que o desenvolvimento de talentos e a coprodução são outras prioridades para os próximos anos, com o complexo IDA Hub, no leste da Estônia, focado especificamente na formação da próxima geração de profissionais do cinema nacional.
Executivos de Sundance, Berlim, Telluride e Nova York discutem a importância dos festivais
O diretor do Festival de Sundance, Eugene Hernandez, a diretora do Festival de Berlim, Tricia Tuttle, a diretora executiva do Festival de Cinema de Telluride, Julie Huntsinger, e o presidente do Film at Lincoln Center, Daniel Battsek (que supervisiona o Festival de Cinema de Nova York), se reuniram para um painel sobre o futuro dos festivais de cinema no American Pavilion, com moderação de Anne Thompson, da IndieWire.
A conversa girou em torno do papel dos festivais no ecossistema do cinema independente, destacando sua importância em conectar filmes de qualidade com públicos apaixonados. "As pessoas realmente recorrem aos festivais porque eles selecionam filmes e atraem o público", disse Battsek. Para ele, o público mais jovem está mais atento ao cinema do que nos últimos dez anos, e isso é percebido pela audiência dos festivais.
"Crescemos 7,5% nos últimos dois anos. Mas não são apenas os festivais de cinema, os cinemas de arte também estão seguindo a mesma trajetória de crescimento. Estamos falhando com o público porque temos um problema de infraestrutura, não um problema de interesse", afirmou Tuttle.
De acordo com os participantes do painel, o público atual busca uma experiência cinematográfica mais personalizada, que os festivais podem proporcionar, o que também os direciona para o cinema de repertório.
As informações são da IndieWire.
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