09 Junho 2026 | Yuri Cavichioli
Netflix priorizará cineastas que não exijam lançamentos nos cinemas
Declaração de Dan Lin reforça prioridade do streaming, apesar de acordos recentes da empresa com o circuito exibidor
Enquanto o mercado de exibição atravessa um período positivo, com o Brasil registrando recentemente sua segunda melhor semana de público do ano, uma declaração da Netflix reacendeu o debate sobre a relação entre plataformas e salas de cinema. Em entrevista ao The New York Times, Dan Lin, presidente da divisão de filmes da companhia, afirmou que a empresa não pretende trabalhar com parte dos realizadores que defendem estreias nos cinemas como condição para seus projetos.
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Ao comentar a estratégia, Lin indicou que a exigência de uma estreia nos cinemas pode inviabilizar futuras parcerias com determinados realizadores. “Existe um grupo de cineastas que ainda quer lançamento nos cinemas. Esses são cineastas com os quais aceitamos que simplesmente não vamos trabalhar”, declarou ao jornal.
A declaração contrasta com iniciativas recentes da própria Netflix voltadas ao mercado de exibição. Nos últimos anos, a companhia sinalizou abertura para negociações ao buscar a aquisição da Warner e, mais recentemente, ao definir uma estreia ampla nos cinemas para As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago, produção dirigida por Greta Gerwig.
Além disso, a posição de Lin difere da estratégia adotada por Scott Stuber, seu antecessor no comando da área de filmes. Durante sua gestão, Stuber defendeu uma presença mais frequente das produções da plataforma nos cinemas, incluindo títulos de cineastas como Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón.
Ele também tentou aproximar a empresa de nomes historicamente ligados à experiência cinematográfica, como Christopher Nolan. Em entrevista concedida à Variety em 2021, Stuber afirmou que tinha interesse em receber futuros projetos do diretor. “Se e quando ele fizer seu próximo filme, a questão é saber se podemos ser a casa desse projeto e o que precisaríamos fazer para que isso acontecesse. Ele é um cineasta incrível. Vou fazer tudo o que puder.”
A reportagem do The New York Times também destaca o perfil mais direto de Lin nas negociações com talentos. Um dos exemplos citados envolve a atriz Sally Field, que defendia o lançamento de As Aventuras de Cliff Booth durante o período tradicionalmente associado à temporada de premiações. O executivo argumentou que o drama familiar teria melhor desempenho próximo ao Dia das Mães. De acordo com o jornal, o filme permaneceu entre os dez títulos mais assistidos da plataforma durante o último mês.
O próprio presidente da divisão de filmes reconheceu que sua sinceridade nem sempre é bem recebida. “Um erro que cometi quando entrei na empresa foi acreditar que os cineastas realmente queriam ouvir a verdade. Quando eu dizia a verdade, eles talvez não quisessem escutá-la. Agora estou aprendendo a entender melhor as pessoas. E, quando alguém me diz que quer ouvir a verdade, procuro transmiti-la de uma forma que seja o mais produtiva possível.”
A Netflix continua destinando algumas produções ao circuito exibidor e, entre elas, está As Aventuras de Cliff Booth, dirigido por David Fincher, que terá sessões em salas IMAX antes de sua chegada à plataforma. O caso, porém, aparece como uma das poucas exceções dentro de uma estratégia voltada principalmente para a distribuição digital.
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