15 Junho 2026 | Redação
28º Festival de Xangai reforça ambição de fortalecer presença asiática no cenário global
Tecnologia, turismo cinematográfico e olhar para novos realizadores: destaques dos primeiros dias
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Confira os destaques:
Tecnologia e inteligência artificial no centro da agenda
O festival anunciou a criação de uma unidade dedicada ao desenvolvimento e às discussões sobre novas tecnologias para o setor audiovisual, incluindo iniciativas relacionadas à inteligência artificial.
Cao Jun, vice-secretário-geral da Associação de Cinema da China, indicou que o próximo período do 15º Plano Quinquenal será uma janela crítica para a indústria cinematográfica chinesa se afirmar no desenvolvimento tecnológico. Ele convidou os profissionais a utilizarem novas ferramentas para aprimorar os fluxos de trabalho criativos, expandir o ecossistema industrial e fortalecer a proteção dos direitos autorais.
Foram apresentadas cinco plataformas de serviços que abrangem negociação de direitos autorais, produção interativa de curtas-metragens, incubação de conteúdo, produção criativa com IA e integração de cinema e turismo cultural. Além disso, diversos acordos de parceria inter-regionais foram assinados já na sexta-feira. A Shanghai Film Paradise Co., por exemplo, assinou cooperação estratégica com o Anhui Film Group para buscar conjuntamente a restauração de filmes clássicos em 4K e a exploração inovadora de propriedades intelectuais de cinema e televisão.
Ainda em torno desse tema, empresas de tecnologia chinesas e exibidores de cinema estão posicionando as telas de LED de Alto Alcance Dinâmico (HDR) como uma solução para a queda de bilheteria local e também como um meio de desafiar o domínio de longa data dos Estados Unidos sobre os padrões internacionais de cinema. A iniciativa está sendo liderada pela gigante da tecnologia Huawei, por meio da Ultra HD Video Alliance, que promove seu próprio padrão HDR Vivid como uma alternativa à estrutura de certificação da Digital Cinema Initiatives.
“Por que ainda precisamos da certificação DCI internamente neste momento, seja para telas de LED ou outras certificações? Porque precisamos exibir filmes de Hollywood”, disse Hank Xiao, diretor sênior da Huawei. “Espera-se que os filmes de Hollywood representem apenas cerca de 8% da nossa receita de bilheteria, o que já está abaixo de dois dígitos, [mas] os fabricantes de hardware e nossos próprios produtores de conteúdo ainda estão pagando taxas elevadas aos Estados Unidos.”
Cinema como motor econômico e turístico
O chamado turismo cinematográfico é uma das tendências observadas durante o festival nos últimos anos. O interesse de fãs por visitar locações e participar de experiências relacionadas a filmes e séries tem impulsionado destinos em diferentes regiões da China. Esse movimento acompanha a expansão do mercado de entretenimento no país e o uso crescente do audiovisual como ferramenta de promoção cultural e econômica.
As autoridades de turismo locais, nacionais e a indústria cinematográfica chinesa em geral têm apoiado o que ficou conhecido como "filme-plus", iniciativa que levou a campanhas como "Deguste a culinária com filmes" e "Compras com filmes", ambas apoiadas pela Administração de Cinema da China. Um relatório divulgado recentemente pelo órgão indicou que cada yuan arrecadado nas bilheterias nacionais gerou 15,77 yuans para "indústrias relacionadas" em todo o país, sendo o turismo um dos principais beneficiários.
O festival também está explorando esse fenômeno com uma programação que inclui uma seleção eclética de 15 clássicos chineses que datam de 1960 e apresentam alguns dos locais paisagísticos mais famosos do país. “Basicamente, estávamos pensando em uma maneira de apresentar um breve histórico do cinema chinês a partir de uma perspectiva geográfica, mostrando tanto a riqueza intrínseca do cinema chinês, a diversidade cultural quanto o legado intergeracional dos cineastas chineses”, disse Freda Fan, gerente sênior de programação e exibição do Centro Internacional de Eventos de Cinema e TV de Xangai, entidade organizadora do festival.
Formação de talentos e renovação do cinema asiático
Uma das principais apostas do Festival de Xangai continua sendo a descoberta de novos realizadores. O programa SIFF Young anunciou os nove cineastas selecionados para sua edição de 2026, além de uma lista de iniciativas para apoiar a próxima geração do cinema chinês. Entre elas estão o Programa SIFF ING para Jovens Cineastas, o Campo de Treinamento do Projeto Cinematográfico SIFF NEXT e o Programa de Apoio a Jovens Cineastas SIFF YOUNG × Shanghai, que conta com os veteranos da indústria Joan Chen e Wen Muye como mentora e jurada, respectivamente.
“O desenvolvimento de talentos tornou-se um dos nossos pontos fortes”, explicou Chen Guo, diretor-geral do Centro Internacional de Eventos de Cinema e Televisão de Xangai. “Por meio de um sistema de apoio abrangente que engloba programas para a indústria, prêmios profissionais e oportunidades de exibição no exterior, o SIFF ajudou a formar um número significativo de cineastas e filmes de destaque em língua chinesa.”
A busca por novos talentos também mobilizou representantes dos festivais de Berlim, Toronto e Hong Kong. Reunidos em Xangai, os dirigentes defenderam uma maior cooperação entre eventos internacionais para ampliar oportunidades de circulação e desenvolvimento para cineastas emergentes, em um cenário cada vez mais competitivo.
*Com informações de Variety e The Hollywood Reporter
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