15 Junho 2026 | Redação
Departamento de Justiça dos EUA libera fusão entre Paramount e Warner
Operação continua sujeita à análise de autoridades locais, da União Europeia e do Reino Unido
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Em comunicado divulgado na última sexta-feira (12/6), a Divisão Antitruste do Departamento afirmou que analisou durante oito meses os possíveis impactos da operação em três áreas principais: streaming por assinatura; televisão linear; e desenvolvimento, produção e distribuição de filmes para exibição em cinemas.
Segundo o órgão, o mercado cinematográfico atual é marcado por uma diversidade de agentes e estratégias de lançamento que tornam improvável uma concentração capaz de prejudicar os consumidores. Foi destacado que, além dos grandes estúdios tradicionais, empresas como Netflix e Apple passaram a investir no circuito exibidor, enquanto companhias independentes como A24 e Neon ampliaram sua presença e desafiaram modelos estabelecidos da indústria.
O relatório afirma que a competição no setor aumentou desde que a operação foi anunciada. Para os reguladores, estúdios menores têm adotado estratégias inovadoras de desenvolvimento e distribuição, conseguindo viabilizar produções com orçamentos superiores a US$ 100 milhões. Na avaliação do Departamento de Justiça, esse movimento indica um possível ponto de inflexão no cenário competitivo da indústria cinematográfica.
O relatório também analisou argumentos de que a fusão poderia reduzir a demanda por profissionais criativos e afetar empregos na indústria audiovisual. Embora tenha reconhecido a preocupação da comunidade criativa e de grupos trabalhistas, o documento afirma que não há evidências de que a operação levaria a uma queda na produção. Para a agência, a demanda por mão de obra está diretamente ligada ao volume de conteúdo produzido, e há indícios de que as empresas continuam incentivadas a manter ou ampliar sua produção. Por isso, as preocupações levantadas não foram consideradas suficientes para justificar uma ação antitruste.
O órgão concluiu que a competição no mercado de filmes para cinema permanece intensa e que a fusão não deverá reduzir a oferta de conteúdo para as salas de exibição. Já sobre o streaming, afirmou que o mercado ampliou a concorrência para os estúdios tradicionais de Hollywood, bem como para plataformas menores, portanto os consumidores não devem sair perdendo.
A aprovação do governo federal dos Estados Unidos foi concedida sem exigência de venda de ativos ou outras medidas corretivas. Na terça-feira, os reguladores da Austrália também aprovaram o acordo, após determinarem que "é improvável que ele tenha o efeito de diminuir substancialmente a concorrência em relação ao fornecimento atacadista de filmes para lançamento em cinemas na Austrália", de acordo com um documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários que listou vários outros países que aprovaram a fusão.
No entanto, a operação ainda não está totalmente concluída e a transação continua sujeita à análise de outros órgãos reguladores, incluindo autoridades da União Europeia e do Reino Unido. Além disso, procuradores-gerais estaduais estadunidenses, entre eles o da Califórnia, seguem avaliando os impactos da concentração sobre o setor de mídia e não descartam a possibilidade de medidas judiciais para contestar o negócio. Parlamentares democratas e entidades ligadas à defesa da concorrência também vêm manifestando preocupação com o aumento da concentração no mercado audiovisual.
*Com informações de Associated Press, Deadline, Departamento de Justiça dos Estados Unidos, NPR, Reuters, The Guardian e Variety
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