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17 Junho 2026 | Redação

Hollywood perde produções para outros países e amplia pressão por novos incentivos nos EUA

Europa e Canadá têm atraído filmagens com programas mais competitivos

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(Foto: Reprodução)

A disputa global por produções audiovisuais está se intensificando e transformando os incentivos fiscais em um dos principais temas da agenda de Hollywood. Com países e Estados oferecendo benefícios cada vez mais atrativos, filmes e séries têm sido produzidos em outras partes do mundo, impulsionando um movimento que já mobiliza produtores, sindicatos e políticos estadunidenses.

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Ainda que Los Angeles continue sendo o maior polo de produção audiovisual do planeta, o alto custo da mão de obra, os acordos sindicais, as despesas operacionais e a concorrência internacional fizeram com que a Califórnia perdesse parte de sua atratividade. Segundo dados de reportagem da Variety, os Estados Unidos perderam 73 mil empregos na área de produção desde 2022, sendo dois terços deles em Los Angeles.

Ao mesmo tempo, há dezenas de programas de incentivo para atrair filmagens como estratégia de desenvolvimento econômico em outros países. E isso tem levado estúdios e produtores a transferirem projetos para mercados como Reino Unido – que destinou US$ 2,2 bilhões em subsídios para cinema e televisão em 2024, valor muito superior aos US$ 750 milhões do programa estadual da Califórnia –, Canadá, Hungria, Portugal, Romênia e África do Sul.

A pressão também atingiu os próprios Estados. A Geórgia, que se consolidou como um dos principais polos de filmagem na década passada graças a incentivos robustos, registrou uma queda de quase 50% na atividade em relação ao pico alcançado em 2022. Novos filmes da franquia Os Vingadores (The Avengers), por exemplo, estão sendo produzidos em Londres, e não mais em Atlanta.

Com isso, ganha força em Washington a discussão sobre a criação de um incentivo federal para a indústria audiovisual. O senador Adam Schiff trabalha em uma proposta que prevê um crédito fiscal de 15% sobre custos trabalhistas, enquanto a Motion Picture Association (MPA) defende uma alíquota de 20%, além de bônus adicionais para determinadas regiões. Os incentivos federais seriam cumulativos aos programas estaduais, em um modelo semelhante ao adotado em outros países.

A disputa é defendida por entidades e profissionais do setor como uma questão estratégica: a produção audiovisual movimenta uma extensa cadeia econômica, que inclui equipes técnicas, fornecedores, restaurantes, hotéis e serviços especializados.

Mas, apesar do avanço da concorrência internacional, Hollywood continua sendo o maior centro de produção do mundo. Dados da ProdPro apontam que a Califórnia registrou 81 projetos de cinema e televisão no primeiro trimestre de 2026, número superior ao de qualquer outro mercado americano. Ainda assim, a percepção entre executivos e trabalhadores é de que a liderança histórica da indústria não pode mais ser considerada garantida.

Alguns países que usam os incentivos como arma na disputa por produções:

Reino Unido

  • - US$ 2,2 bilhões em incentivos em 2024
  • - Benefícios incluem custos de talentos e participação nos lucros em alguns casos
Canadá
  • - Créditos fiscais federais e provinciais combinados
  • - Um dos modelos que inspiram a proposta em discussão nos EUA
Hungria e Portugal

  • - Tornaram-se destinos frequentes para produções independentes
  • - Custos operacionais mais baixos e programas de reembolso atraentes
Romênia
  • - Menor custo de mão de obra e maior flexibilidade operacional
  • - Recebeu produções americanas recentes para televisão
 
*Com informações da Variety

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