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19 Junho 2026 | Mônica Herculano

Conquistas e desafios na busca pela sustentabilidade do cinema nacional

Mercado brasileiro comemora, mas ainda luta para conquistar escala de distribuição e público

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(Foto: Reprodução)

Após enfrentar o momento mais crítico de sua história recente durante a pandemia, quando o público dos títulos nacionais chegou a quase sumir das salas (700 mil espectadores em 2021), a produção audiovisual nacional provou sua resiliência: em 2024, o público do cinema brasileiro aumento 241% em relação a 2023; e em 2025, segundo dados do Filme B Box Office, foram quase 12 milhões de brasileiros de volta às sessões.
 
Vale, então, comemorar este Dia do Cinema Brasileiro (19 de junho), certo? Em partes. Do total de público do ano passado, quase metade foi referente a apenas duas produções lançadas no final de 2024, O Auto da Compadecida 2 (3,1 milhões de ingressos) e Ainda Estou Aqui (2,8 milhões de espectadores). Em 2025, dos 203 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente, apenas quatro conseguiram superar a marca de 100 mil espectadores ao longo de toda a carreira nas salas, 163 títulos (80% do total) não superaram a marca de dez mil espectadores, enquanto 111 não alcançaram sequer mil ingressos em toda a sua trajetória nas salas.
 
E chegando em 2026, segundo o Painel de Indicadores do Mercado de Exibição da Agência Nacional do Cinema (Ancine), entre 1º de janeiro a 10 de junho, o cinema nacional respondeu por 12,4% das sessões realizadas, mas por apenas 4,9% do público total. Somente quatro filmes brasileiros superaram a marca de 100 mil ingressos vendidos, enquanto mais de 40 títulos estrangeiros atingiram esse patamar.
 
Sandro Rodrigues, CEO da H2O Filmes, relativiza os últimos dados. Segundo ele, além da presença de filmes estrangeiros muito fortes nas salas nas últimas semanas, os títulos mais competitivos do mercado nacional terão seus lançamentos concentrados a partir de agosto. “A minha leitura é que houve essa movimentação do mercado para estar no segundo semestre, então criou essa balança desfavorável para o cinema brasileiro”, defende.
 
Para Thiago Mafra, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex), os exibidores têm feito sua parte, garantindo cobertura de salas e oferta de sessões para os filmes nacionais, esforço muitas vezes complementado por promoções e ações direcionadas pelas próprias redes para incentivar a ida do público. Ainda assim, o público não correspondeu na mesma proporção, e enquanto cada sessão de filme estrangeiro teve, em média, 31 espectadores, o nacional levou 11.
 
“Isso revela o esgotamento de uma política pública historicamente concentrada no fomento à produção, que trata a chegada do filme ao espectador como etapa secundária. Enquanto os grandes lançamentos estrangeiros são feitos com vultosos investimentos de marketing, a maior parte do cinema nacional chega às telas sem recursos de divulgação e lançamento, condenado a passar despercebido pelo público antes mesmo da estreia.”
 
Rodrigues concorda que o exibidor entende o valor do filme brasileiro, mas que é preciso ter mais projetos competitivos. E por projetos competitivos entenda-se identificar qual resultado quer ser atingido com aquele filme – não apenas depois que ele ficar pronto – e destinar recursos equivalentes para alcançá-lo, garantindo escala. “Não podemos depender de projetos pontuais, apenas dois ou três tiros por ano. Mas também não adianta pegar um filme de má qualidade e investir um dinheiro absurdo de P&A [marketing e distribuição] ou ter um filme incrível se você não tem um investimento forte para divulgar. Temos que ter volume na produção, no P&A e em projetos competitivos.”
 
Assimetria estrutural
 
Se a competitividade depende de projetos bem definidos, eles, por sua vez, precisam de previsibilidade para serem colocados e mantidos de pé. “Uma distribuidora independente que não sabe se vai ter recurso de P&A, quando vai tê-lo e em que condições, não consegue fazer estratégia, faz gestão de crise", avalia Paula Gomes, cofundadora e diretora geral da Olhar Filmes e presidente da Associação Nacional das Distribuidoras Audiovisuais Independentes (Andai).
 
Segundo ela, sem previsibilidade não há como planejar escala; sem escala planejada não há como construir demanda de forma consistente; e, sem essa base, a coordenação entre produtores, distribuidores e exibidores fica refém da improvisação. “A previsibilidade é o que transforma o lançamento de um ato de resistência em um ato de mercado. E é isso que o setor precisa se tornar: um mercado, com regras claras, com políticas públicas articuladas, com investimento regular e com condições de atrair capital privado de forma sustentável.”
 
Mafra acredita que o fortalecimento do cinema brasileiro esbarra em três obstáculos estruturais: a falta de investimento na comercialização, a falta de uma estratégia que conecte o que se produz ao interesse do grande público e a desregulamentação da janela de exibição. E para o exibidor, o desafio é específico e direto, já que é ele quem paga a conta da sala vazia. “O exibidor opera num mercado em que a oferta nacional nem sempre se converte em demanda e, ainda assim, recai sobre ele a obrigação legal de exibir e o custo da ocupação ociosa. Obrigar a exibição sem investir na formação de público e na distribuição apenas transfere ao exibidor o custo de uma falha de execução da política pública.”
 
Ampliar o crédito subsidiado e o investimento direto na modernização e expansão do parque exibidor e desonerar o setor – da bilheteria e da bomboniere aos tributos incidentes sobre a operação das salas – são dois pontos que o diretor da Abraplex indica como caminhos para o desenvolvimento. Além de tratar a distribuição como etapa tão estratégica quanto a produção, com recursos de divulgação proporcionais.
 
“A maior parte dos filmes nacionais chega aos cinemas com orçamentos de P&A, de marketing e lançamento, quase inexistentes. Não há como competir com as campanhas globais dos grandes lançamentos sem recursos proporcionais de promoção", analisa Mafra. Os filmes produzidos em Hollywood chegam ao mercado com orçamentos de marketing e distribuição que muitas vezes superam o custo de produção e distribuição (somados) de um filme brasileiro médio, com estratégias de lançamento coordenadas globalmente e poder de ocupação de salas que uma distribuidora nacional dificilmente tem condições de disputar em pé de igualdade, como lembra Gomes.
 
A executiva também traz dados dos editais do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para complementar que faltam recursos para P&A, mas também falta um modelo mais eficiente de utilização desses recursos. Até 2018, apenas 3,6% das verbas do fundo foram destinadas à distribuição/comercialização, sem levar em conta os demais mecanismos. “Isso, por si só, já é um diagnóstico grave", diz. Mas o problema não é só quantitativo. “Há também uma questão de arquitetura: editais que chegam tarde, exigências burocráticas que descompassam o recurso do calendário real do mercado e modelos de fomento que ainda não incorporaram adequadamente as outras janelas além da sala de cinema.”
 
Para ela, os números revelam uma assimetria estrutural, não uma falha de talento ou de relevância das obras brasileiras. “Eles escancaram que competir no mesmo tabuleiro, sem regras que equilibrem o jogo, é uma aposta perdida. Precisamos de instrumentos mais ágeis, mais previsíveis e mais alinhados com a lógica operacional de uma distribuidora. Dinheiro e inteligência na sua aplicação precisam andar juntos", defende.
 
Quem não é visto, não é lembrado. E vice-versa
 
O obstáculo de fato não é a qualidade das produções, concorda Jack Silva, sócio-diretor da Movieland Cinemas e presidente da Associação dos Exibidores Brasileiros de Cinema de Pequeno e Médio Porte (Aexib), mas sim a limitação de investimento em divulgação para gerar impacto imediato. Isso porque, para quem monta a programação, a regra é clara e vale para qualquer título, seja nacional ou estrangeiro: o que dita a continuidade é o sucesso na primeira semana. Se o filme não atrai o público de cara, ele naturalmente sai de cartaz para dar lugar a outro que movimente a bilheteria. “Por isso, o incentivo precisaria ser focado em campanhas que criem urgência no espectador de todo o país para o fim de semana de estreia, garantindo que o filme faça bons números logo de início para justificar sua permanência na sala.”
 
Como exibidor, Silva observa também uma grande diferença no trabalho de marketing realizado entre as produções. “Existem filmes cujos trailers estão sendo divulgados poucas semanas antes do lançamento, de forma que nem mesmo o exibidor consegue ter acesso com facilidade", afirma. Cláudio Marques, coordenador do Cine Glauber Rocha, concorda: “É preciso começar a comercialização com grande antecedência. Precisamos de campanhas longas. Hoje, vejo bons filmes serem lançados comercialmente sem cartaz ou trailer. A maioria chega às telas sem que ninguém conheça. Ou seja, não vai dar certo.”
 
Uma pesquisa realizada pela Casa Mundo Market Intelligence para a Globo mostrou que produções nacionais geram identificação, mas sofrem com a falta de divulgação, apontada como uma das principais barreiras ao consumo – somada à dificuldade de acompanhar estreias e à sensação de que os filmes brasileiros têm menos tempo de cartaz quando comparados às produções internacionais.
 
Além da exposição limitada, o estudo sugere desafios relacionados à forma como muitas produções chegam ao público: enquanto grandes lançamentos internacionais costumam construir expectativa meses antes da estreia por meio de campanhas integradas, ações digitais, parcerias de marca e mobilização de comunidades de fãs, parte dos filmes brasileiros ainda enfrenta dificuldades para gerar conversa, antecipação e descoberta. Como resultado, muitos espectadores relatam tomar conhecimento dos lançamentos apenas quando eles já estão próximos da estreia ou em cartaz.
 
Silva aponta outros dois problemas: a volatilidade dos filmes nacionais, que às vezes estão previstos para uma data e têm o calendário alterado, e a concentração da divulgação em locais com mais resultado historicamente, desconsiderando outros onde o público nem fica sabendo da sua existência. “Para quem está na ponta final do balcão, o grande desafio é que os blockbusters estrangeiros chegam com um apelo de massa e campanhas globais avassaladoras, enquanto o filme nacional, apesar de sua enorme qualidade, precisa de uma estratégia de comunicação muito mais antecipada e descentralizada, para dar ao exibidor a chance real de atrair o público local para as salas", analisa.
 
Paula Gomes avalia que faz cada vez menos sentido tratar todos os lançamentos com uma régua única nacional. “Cada filme exige uma leitura do seu público potencial e, muitas vezes, a estratégia mais honesta e eficiente é priorizar praças onde aquela obra tem maior ressonância cultural, temática ou geográfica", diz, defendendo que investir em estratégias regionais e segmentadas não é abrir mão de escala, mas sim ser mais preciso na construção do encontro entre obra e público. “Um documentário ambientado no Nordeste pode ter uma recepção completamente diferente em Recife e em São Paulo, e isso precisa se refletir na estratégia de lançamento, na comunicação e até na escolha das salas. O que falta é fomento específico para esse tipo de abordagem, com participação dos governos municipais e estaduais também, inclusive para que distribuidoras independentes possam construir relações mais duradouras com exibidores fora do eixo Rio-São Paulo.”
 
O CEO da Paris Filmes, Marcio Fraccaroli, entende que é preciso pensar o mercado interno antes de buscar o externo, o que não acontece no Brasil. “Hollywood produz para o seu mercado interno primeiro. Aqui é o contrário: queremos ganhar Cannes antes de conquistar o Brasil", reflete. Para ele, é necessário se inspirar em planos nacionais que colocam o audiovisual no mesmo patamar de indústria e comércio, não apenas como uma política cultural. “Porque aí a gente exporta turismo, produto, experiência, cultura, povo e nação e soberania. E aí sim seremos um país inserido no mercado cinematográfico global.”
 
Quantidade sim, mas não só
 
Muito se fala sobre o Brasil não ter um parque exibidor equivalente ao tamanho da sua população e sua expansão territorial. Encerramos 2025 com o recorde de 3.544 salas, um patamar historicamente relevante mas, segundo parte dos profissionais desse setor, insuficiente para um país de dimensões continentais e população superior a 200 milhões de habitantes. O ritmo de expansão também perdeu força na retomada pós-pandemia, com a abertura de 50 a 60 salas por ano, número que, segundo o diretor executivo da Abraplex, vai contra uma média muito superior no período anterior a 2020.
 
Mas será que a quantidade de salas representa de fato um limitador para o crescimento do cinema brasileiro hoje? Mafra acredita que sim, mas que o ponto mais crítico não é o número absoluto, e sim a concentração. “Mais da metade do parque está na região Sudeste, e a imensa maioria das salas opera dentro de shopping centers. Em um país com mais de 5.500 municípios, uma parcela expressiva da população, sobretudo no interior e nas periferias das grandes cidades, segue sem acesso regular a uma sala de cinema. Essa barreira física limita o crescimento do mercado como um todo e afeta diretamente o cinema brasileiro, inclusive obras com forte identidade regional, que muitas vezes não conseguem chegar à sua audiência natural.”
 
E tão estratégico quanto expandir o número e descentralizar a concentração de salas é preservar e modernizar o parque já existente. A atualização de projeção, som, poltronas, acessibilidade, climatização e infraestrutura é essencial para sustentar a qualidade das salas e, consequentemente, a presença do público. O desafio é que nem a expansão nem a modernização se sustentam sem investimento.
 
Nos últimos seis anos, segundo Mafra, a renda real da exibição recuou cerca de 40%, reduzindo a capacidade de reinvestimento privado. Jack Silva lembra que a implantação de novas salas esbarra em custos altos, especialmente na compra de equipamentos importados. E com o alto valor dos aluguéis e das operações, o exibidor fica com a margem de risco quase zerada. “Ele precisa lotar a sala imediatamente para fechar a conta, o que acaba empurrando a programação para o blockbuster estrangeiro, tirando as janelas que poderiam impulsionar o filme brasileiro", explica o presidente da Aexib.
 
Para Claudio Marques, não faz sentido discutir aumento do número de salas sem antes conseguir levar o público para ver os filmes brasileiros nas que já existem. “Depois de fortalecermos as salas existentes, acredito ser importante pensar em um aumento gradativo e articulado, fortalecendo os pequenos e médios exibidores que, apesar das dificuldades, estão se reinventando e continuam a investir. Vem-me à mente o exemplo de Guilherme Alves, jovem brilhante e empreendedor incansável que está abrindo salas no interior do Rio Grande do Norte. Ou Edilson Andrade, que está inaugurando salas de cinema no interior da Bahia. Pegam empréstimos e investem em áreas que poucos acreditam. Hoje, são os verdadeiros heróis do cinema nacional.”
 
O ideal, segundo Mafra, seria um esforço coordenado que combinasse a ampliação do volume de recursos da linha de crédito subsidiado de infraestrutura do FSA, para a modernização do parque existente e a abertura de novas salas, tanto nos grandes centros quanto em cidades médias e regiões desassistidas. Além disso, instrumentos de investimento direto, medidas de desoneração tributária que reduzam o risco da operação e um ambiente regulatório estável, incluindo a previsibilidade da janela de exclusividade nas salas e o combate firme à pirataria.
 
Organização e inteligência
 
“Não falta dinheiro para o cinema brasileiro, nem bons filmes. Temos diretores, produtores, e distribuidoras competentes, além de um parque exibidor que acolhe a produção brasileira. Mas nos falta disposição para repensar o audiovisual nacional. Temos tudo em mãos, mas falta uma organização e um sistema inteligente", afirma Marques, reforçando que produção, distribuição e exibição precisam dialogar mais. “Acredito que temos todas as condições de pensar e estabelecer um audiovisual nacional fortalecido. Mas, os setores estão isolados e não conversam. Vigora a lógica de quem grita mais forte por mais editais e mais editais sem que exista um mínimo de solidariedade e responsabilidade entre os setores. Os resultados apresentados, hoje, são insignificantes.”
 
A construção de um verdadeiro pacto setorial, define Thiago Mafra, com todos os elos da cadeia assumindo compromissos concretos e coordenados. Do lado do poder público, o compromisso seria ampliar o foco do fomento para além da produção, com estratégias consistentes de comercialização, distribuição e lançamento, com recursos reais para marketing e promoção, e um ambiente mais seguro para os exibidores – que têm o compromisso de seguir qualificando a experiência cinematográfica. “O próprio retorno dos investimentos evidencia o desequilíbrio do modelo. O FSA aporta volumes expressivos na produção, mas recupera uma fração mínima desses recursos, porque a maior parte das obras não chega a gerar receita relevante de bilheteria. Um fundo que investe e quase não retorna não cumpre o papel de fazer o mercado crescer de forma sustentável", afirma.
 
Do lado dos produtores e distribuidores, segundo o executivo da Abraplex, o compromisso deveria ser em integrar a estratégia de distribuição desde as fases iniciais do projeto, e não apenas quando o filme já está pronto, além de trabalhar a força de propriedades intelectuais previamente conhecidas - com adaptações de best-sellers, biografias e franquias - e gêneros com apelo popular. “Não se trata de opor esse tipo de obra ao cinema autoral ou de maior densidade artística, mas de reconhecer que o mercado brasileiro ainda carece de uma camada mais robusta de produções nacionais com vocação de grande público, capaz de dar regularidade, escala e previsibilidade ao circuito. O cinema brasileiro precisa de diversidade, mas também de uma presença mais constante de obras com vocação de público amplo, em gêneros capazes de mobilizar audiência”, argumenta.
 
Paula Gomes assume que não adianta “forçar um filme de nicho numa sala multiplex” sem um trabalho prévio de audiência feito pela produtora e distribuidora. “A distribuidora precisa chegar ao exibidor com dados, estratégia e parceria, não apenas com uma obrigação. Quando mostramos que há demanda mapeada, que há campanha estruturada, que há comunidade mobilizada em torno daquela obra, o exibidor passa a enxergar oportunidade", explica.
 
Por sua vez, defende ela, o exibidor também precisa olhar para o cinema nacional como oportunidade de conexão e oxigenação das suas audiências, municiando os distribuidores de informação sobre seu público e estando aberto a fazer junto estratégias para alcançá-lo. “E, por último, precisamos ampliar a sofisticação da cota de tela, para que ela incentive diversidade real de programação, e não apenas o cumprimento formal do mínimo. O exibidor que programa bem o cinema nacional precisa ser reconhecido por isso.”
 
Será que no próximo Dia do Cinema Brasileiro conseguiremos ter mais a celebrar?

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