Google e A24 firmam parceria visando o desenvolvimento de IA para o cinema
Gigante do YouTube investirá cerca de US$ 75 milhões no estúdio responsável por Backrooms
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(Foto: Divulgação)
O Google anunciou nesta segunda-feira (22/6) sua entrada no ramo do cinema, com o investimento, segundo o The Wall Street Journal, de cerca de US$ 75 milhões na A24. A parceria envolve pesquisa em inteligência artificial e permitirá ao estúdio, responsável por um dos maiores sucessos de bilheteria das últimas semanas – Backrooms, distribuído no Brasil pela Imagem Filmes –, trabalhar com a unidade DeepMind do Google para desenvolver novas tecnologias baseadas em IA para cineastas.
“Ao integrar as inovações do Google DeepMind diretamente ao processo criativo, a A24 e seus cineastas podem ajudar a moldar novas tecnologias a serviço de sua visão e expandir suas possibilidades narrativas. Essa colaboração prática proporciona ao Google DeepMind feedback e orientação valiosos de artistas renomados", disse em comunicado Eli Collins, vice-presidente de produto da unidade da Google. Segundo ele, os objetivos específicos, os resultados técnicos e os marcos criativos desta iniciativa evoluirão ao longo do tempo. “À medida que os pesquisadores da A24 e do Google DeepMind trabalham lado a lado para testar, iterar e construir, esta parceria visa expandir o que é possível no futuro do entretenimento.”
O acordo, segundo a notícia, não dá à gigante do YouTube acesso à biblioteca de conteúdo ou aos dados da A24. Scott Belsky, sócio e líder da divisão de tecnologia do estúdio (A24 Labs), afirmou que a parceria difere de outros acordos porque os desenvolvedores de IA anunciaram erroneamente seus produtos como um meio de produzir filmes mais baratos e rápidos. Sua divisão, argumentou, está desenvolvendo aplicativos para storyboards gerados por IA, outra reinvenção do processo de produção que já viu cineastas como Martin Scorsese aprovarem sem questionamentos. “Acreditamos que existem usos melhores que preservem o controle criativo e incentivem a tomada de riscos”, disse ele ao WSJ, argumentando que as novas ferramentas “não se parecerão em nada com o tipo de IA de geração por estímulos com a qual as pessoas se sentem desconfortáveis”.
Empresas de Hollywood e de IA têm oscilado entre parcerias e processos judiciais.
O acordo de curta duração da Disney com a OpenAI para licenciar seu conjunto de personagens ocorreu enquanto a empresa processava outras empresas de IA, como MiniMax e Midjourney, por violação de direitos autorais. Ao mesmo tempo, a Lionsgate expandiu sua parceria com a Runway AI para desenvolver novas propriedades intelectuais e produzir séries geradas por IA a partir de suas franquias existentes. A Netflix também adquiriu, no início deste ano, a startup de IA de Ben Affleck, InterPositive, voltada para a criação de ferramentas para cineastas.
A A24 tem sido um trampolim para muitos cineastas emergentes, com o sucesso de crítica e público de seu catálogo de filmes, como Lady Bird (2017), Moonlight (2016), Tudo Ao Mesmo Tempo Agora (Everything Everywhere All at Once, 2022) e Marty Supreme (Diamond Films). Grande parte dos fãs desses títulos é jovem – cerca de 85% daqueles que assistiram a Backrooms em seu fim de semana de estreia tinham menos de 35 anos, de acordo com dados da PostTrak. Ao mesmo tempo, segundo um estudo do Pew Research Center publicado na semana passada, cerca de metade dos adultos com menos de 30 anos acredita que a IA prejudicará a sociedade.