Acessibilidade ampliada na EXPOCINE 2026 garante melhor experiência para todos
Marcella Fazzio, diretora da MAV, fala sobre os benefícios dos recursos para além das pessoas com deficiência
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(Foto: Divulgação)
Em 2026, além da tradicional cerimônia de abertura, os painéis e palestras da EXPOCINE contarão com tradução em Libras e legendas em tempo real em português, inglês e espanhol. A iniciativa é realizada em parceria com a MAV, empresa especializada em soluções de acessibilidade para o mercado audiovisual e parceira recorrente do evento na construção de experiências mais inclusivas.
Com a expansão, 100% dos conteúdos dos painéis e palestras passam a operar dentro do padrão de acessibilidade comunicacional — um passo que coloca a EXPOCINE entre os principais eventos do setor no Brasil a adotar a prática em escala total. A medida amplia o alcance da programação para profissionais com deficiências auditivas e para a crescente delegação estrangeira que tem marcado presença no encontro nos últimos anos.
Segundo Marcella Fazzio, diretora da MAV, existe uma percepção de que os recursos de acessibilidade são destinados apenas às pessoas com deficiência. Na prática, no entanto, eles melhoram a experiência de todos os participantes. “As legendas ao vivo, por exemplo, ajudam na compreensão de conteúdos técnicos, aumentam a atenção, favorecem a retenção da informação e são um apoio importante em apresentações com sotaques diferentes, termos em outros idiomas ou ambientes mais ruidosos. Não por acaso, cada vez mais estudos mostram que acompanhar a fala também pela leitura contribui para o processamento e a memorização do conteúdo. Da mesma forma, a tradução simultânea amplia o acesso ao conhecimento e permite que especialistas de diferentes países compartilhem suas experiências sem que o idioma seja uma barreira.”
Em entrevista ao PORTAL EXIBIDOR, ela falou sobre os avanços na cobertura desta edição do evento, como é feita a preparação técnica e o potencial de conexão gerado pelos recursos de acessibilidade, para todos os públicos. Confira na íntegra:
EXIBIDOR: Quais foram as mudanças e avanços na parceria da MAV com a EXPOCINE neste ano? Elas surgiram por demanda do público ou por entendimento da própria organização do evento e da MAV sobre essa necessidade?
Marcella Fazzio: A parceria entre a MAV e a EXPOCINE amadurece a cada edição. Mais do que ampliar a oferta de recursos de acessibilidade, temos trabalhado para integrar a acessibilidade à experiência do evento como um todo. Esse ano os painéis contam com legendas ao vivo em português, inglês e espanhol, e também tradução para Libras.
Essa evolução é resultado de uma construção conjunta. A EXPOCINE sempre demonstrou abertura para tornar o evento mais acessível e, ao longo dos anos, fomos identificando oportunidades de aprimoramento a partir da nossa experiência técnica, das conversas com participantes e da própria evolução do mercado. No ano passado, por exemplo, recebemos um retorno muito positivo de participantes indianos, que conseguiram acompanhar os painéis graças à tradução para o inglês.
Mas talvez o avanço mais importante seja a mudança de perspectiva. Quando conversamos com organizadores de eventos, é comum ouvirmos que "não existe público de pessoas com deficiência". A nossa reflexão costuma ser outra: será que esse público não existe ou será que ele ainda não se sente convidado a ocupar esses espaços?
Assim como acontece nas salas de cinema, a formação de público também passa pela acessibilidade. As pessoas precisam saber que serão bem recebidas, que conseguirão acompanhar o conteúdo e que poderão participar da experiência com autonomia. Os recursos precisam estar disponíveis antes que a demanda apareça, porque é justamente essa disponibilidade que gera confiança e incentiva a participação. Por isso, nossa expectativa é que, a cada edição, a EXPOCINE receba mais profissionais e participantes com deficiência. Não apenas porque os recursos estão disponíveis, mas porque o evento demonstra, na prática, que esse também é um espaço pensado para eles.
Hoje existe um entendimento cada vez mais claro de que a acessibilidade não beneficia apenas um grupo específico de pessoas. Ela melhora a experiência de todos os participantes, amplia o alcance do conteúdo, facilita a troca de conhecimento, cria novas oportunidades de relacionamento e negócios e fortalece o compromisso da EXPOCINE com um setor audiovisual mais diverso, inovador e preparado para o futuro.
EXIBIDOR: Estamos falando de uma operação que envolve dezenas de painéis, convidados nacionais e internacionais e tradução simultânea. O que foi preciso estruturar para garantir essa entrega neste ano?
MF: Para as legendas e a tradução simultânea, utilizamos o VOX LOAD, nossa plataforma de inteligência para acessibilidade em tempo real. Além de oferecer uma integração simples e eficiente com as equipes de áudio e vídeo, a ferramenta realiza a transcrição e a tradução simultânea multi idioma, permitindo que participantes de diferentes idiomas acompanhem o conteúdo sem perder nenhuma informação.
Mas a acessibilidade vai além da técnica, envolve, planejamento, treinamento, integração entre equipes e acompanhamento em tempo real. Nossa parceria envolve ainda a preparação prévia dos conteúdos em relação a Libras e legendas de conteúdos pré gravado, alinhamento com a organização do evento, integração com os fornecedores de áudio e vídeo, testes técnicos, definição de fluxos para tradução simultânea, legendagem ao vivo e monitoramento contínuo durante toda a programação.
Além disso, trabalhamos para que todos esses recursos funcionem de forma integrada e transparente para o público. O objetivo é que a tecnologia esteja a serviço da experiência, permitindo que cada participante acompanhe os debates da forma mais confortável possível. É uma operação construída por uma equipe multidisciplinar, em que cada detalhe faz diferença para garantir qualidade e confiabilidade durante todos os dias do evento.
EXIBIDOR: Vocês acreditam que essa iniciativa pode influenciar outros eventos do mercado audiovisual? A expectativa é que a acessibilidade deixe de ser um diferencial e passe a ser um requisito para encontros do setor?
MF: Acreditamos que esse movimento já começou. Assim como hoje é natural que um evento ofereça transmissão online ou estrutura tecnológica adequada, esperamos que a acessibilidade seja incorporada como parte do planejamento desde o início, e não como um recurso complementar.
O audiovisual tem um papel importante na construção de experiências culturais e profissionais cada vez mais inclusivas. Quando um dos principais encontros do setor investe em acessibilidade, ele demonstra que esse tema faz parte da qualidade do evento e da forma como recebemos o público.
Nossa expectativa é que esse exemplo inspire outros eventos, mercados, mostras e conferências a incorporarem a acessibilidade de maneira estruturada, contribuindo para ampliar a participação de profissionais e espectadores com diferentes perfis e necessidades.
EXIBIDOR: Os recursos de acessibilidade costumam ser associados apenas ao público com deficiência, mas eles beneficiam um número muito maior de pessoas. Como fazer com que isso seja melhor percebido — e aproveitado — pelo público da Expocine?
MF: Esse talvez seja um dos principais desafios quando falamos de acessibilidade, mostrar que ela melhora a experiência de muitas pessoas, em diferentes contextos.
Quando pensamos na experiência do participante, deixamos de falar apenas em inclusão e passamos a falar em comunicação eficiente. Quanto mais pessoas conseguem compreender plenamente o conteúdo apresentado, maior é o alcance das discussões e maior é o impacto que o evento gera para o mercado. No fim, acessibilidade não significa criar experiências diferentes para públicos diferentes, significa construir uma experiência melhor para todos.
Mas existe um benefício que, para mim, é ainda mais importante, a acessibilidade cria um ambiente em que pessoas com diferentes perfis podem participar da mesma conversa, ao mesmo tempo e nas mesmas condições. Quando um evento é acessível, ele deixa de segmentar públicos e passa a promover a convivência. Profissionais com e sem deficiência compartilham os mesmos painéis, fazem networking, trocam experiências e contribuem para discussões mais diversas e representativas. Essa é uma mudança de olhar que precisamos estimular no mercado. A acessibilidade não deve ser percebida como um recurso que existe para um grupo específico, mas como uma ferramenta que melhora a qualidade da comunicação e amplia a participação de todos.
Na EXPOCINE, nosso objetivo é justamente esse: mostrar que investir em acessibilidade significa investir em uma experiência mais completa, mais acolhedora e mais rica para todo o público.