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08 Abril 2021 | Renata Vomero

Em ano desafiador, documentários ganham visibilidade sustentada por conexão com a realidade

Festival É Tudo Verdade começa hoje com ainda maior consolidação

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Cena do documentário "Zimba" (Foto: Globo Filmes)

Começa hoje (8) o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, em formato online e gratuito. Maior evento do gênero da América Latina, o festival ganha neste ano uma proporção ainda maior por levar ao público documentários importantes e inéditos em um ano em que este gênero cinematográfico alcançou forte visibilidade.

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Entre alguns dos destaques da programação, estão Fuga, documentário animado que venceu o Festival de Sundance neste ano e que abrirá o evento; Alvorada, aguardado título de Anna Muylaert sobre o impeachment de Dilma Roussef; Zimba, que narra a trajetória do ator e diretor teatral Ziembinski; além de A Última Floresta, selecionado na Mostra Panorama do Festival de Berlim e que conta os desafios da tribo Yanomami no Brasil.

Não só isso, há, entre os títulos selecionados, muitos que mostram a realidade da pandemia, um ano depois de seu início. Ou seja, há na programação um misto de exposição da história do nosso país e de outros lugares, além de um registro também histórico da atualidade.

“Existe uma ampliação das estratégias narrativas e uma busca de novos dispositivos fílmicos, combinando registros ficcionais e não-ficcionais e lançando mão de técnicas de animação, para ficar em dois exemplos. Como festival é espelho, é natural ainda que a inédita experiência da pandemia já tenha catalisado documentários que discutem e refletem a emergência sanitária da Covid-19”, comentou Amir Labaki, criador e diretor do festival.

O É Tudo Verdade chega com essas temáticas tão cruciais em um dos momentos em que o gênero documentário ganha maior visibilidade. Muito disso se dá por uma combinação de fatores que envolvem, além da pandemia por si só, o crescimento dessas produções nos serviços de streaming, combinado ao interesse do público de, neste momento, ouvir o outro, compreender mais sobre a realidade que está a nossa volta e se conectar com as pessoas que narram essas histórias, sejam elas contadas no Brasil e sobre o Brasil, sejam elas contadas em qualquer outra parte do mundo, como é caso de Fuga, o qual mostra o drama dos refugiados.

“O público quer ver sua história e a de seu país refletidas na tela. Vemos neste momento, ainda mais fortemente, a importância da memória e de entendermos o nosso presente através de registros do nosso passado. O público quer exercitar este pensamento crítico. Vimos também um grande interesse pela história recente do nosso país, por fatos que falam diretamente com nosso dia a dia, como o recorde de audiência na GloboNews para Gabeira (dirigido por Moacyr Goes), exibido no dia do seu aniversário, e destaque para Rio do Medo (dirigido por Ernesto Rodrigues), no Globoplay, ressaltou Simone Oliveira , Gestora Executiva da Globo Filmes, que neste ano está presente com Zimba e que tem trajetória longa de participação no festival, ano passado com Libelu, de Diógenes Muniz, e anteriormente com Cine Marrocos e Cidades Fantasmas.

Ainda mais do que isso, além da enxurrada de possibilidades audiovisuais em tantos streamings, canais de TV e na Internet, também vem junto de tudo isso a Era de informação, da Fake News e da pós-verdade. Os documentários, aqueles que se propõe seriamente a trazer registros de fatos, nos auxiliam a elaborar este caos, a organizar os recortes de nossa realidade, dando maior sentido a ela.

“O documentário ficou mais acessível. Numa era de inflação audiovisual, de guerra de versões, da proliferação de fake news, o documentário tem se afirmado como um discurso ancorado tanto em bases éticas quanto estéticas - uma espécie de oásis audiovisual que apresenta uma visão do mundo pactuada com um cineasta”, ressaltou Labaki.

 Não é coincidência, portanto, vermos um Oscar que bateu recordes de documentários inscritos, com 238 deles. Com a maior visibilidade, espaço de exibição no mundo todo com as janelas de streaming e TV, somado ao interesse do público, há cada vez mais investimentos na produção deste gênero. Isso se reflete num aumento de produções, gerando maior alcance do público. Um ciclo virtuoso.

Também não é coincidência que, pela primeira vez, o escolhido para representar o Brasil no Oscar tenha sido também um documentário. Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou saiu vencedor do Festival de Veneza, dando a sua diretora Bárbara Paz a chance de levar ao mundo a história de Hector Babenco e sua relação apaixonada com a vida e o cinema, cinema brasileiro.

 “Babenco é um documentário muito importante, um relato amoroso pelo olhar sensível da Bárbara Paz. Acho que é algo que o Oscar vem buscando também mais fortemente, tanto que mais países indicaram seus documentários ao prêmio de Melhor Filme Internacional.  A campanha para o Oscar foi muito bem feita e nos deu muito orgulho. O filme foi visto e elogiado pelas mais diversas publicações internacionais, além de assistido e aplaudido no Canal Brasil e GloboNews”, explicou Simone. O filme é uma produção da Globo Filmes com a Gullane Entretenimento e a HB Filmes, e foi distribuído no Brasil pela Imovision. Infelizmente, não foi selecionado para o Oscar.

É muito possível que esta edição do É Tudo Verdade nos revele alguns dos títulos que terão uma boa carreira nos outros festivais deste ano, chegando, inclusive, a indicações no Oscar do ano que vem. A programação é toda gratuita e pode ser acessada no site do evento, que acontecerá até o dia 18 de abril.

“A maior expectativa é continuar ampliando o reconhecimento nacional e internacional à qualidade e à variedade do documentário brasileiro, em particular, e da produção mundial, como um todo”, finalizou o diretor do festival.

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