28 Janeiro 2026 | Yuri Cavichioli
Indicados ao WGA Awards 2026 reconhecem filmes de terror em categoria autoral e seguem Oscar em Roteiro Adaptado
Leitura do sindicato reforça peso dos estúdios, destaca Warner e Universal e evidencia critérios contratuais da premiação
O Writers Guild of America (WGA) anunciou ontem (27) os indicados ao WGA Awards 2026, principal premiação sindical de roteiro dos Estados Unidos e um dos indicadores mais objetivos da dinâmica industrial da temporada. A cerimônia acontece em 8 de março, com eventos simultâneos em Los Angeles e Nova York, segundo informações publicadas no IndieWire.
O WGA opera sob um recorte próprio, diretamente ligado a contratos sindicais norte-americanos, o que faz da premiação menos permeável a produções internacionais. Esse contexto explica a convergência total entre os indicados a Roteiro Adaptado com relação ao Oscar, enquanto Roteiro Original se distancia do padrão da Academia e apresenta um retrato mais direto de como o mercado americano está operando nesta temporada.
Chama atenção a presença de dois roteiros de terror concorrendo em Roteiro Original, um dado pouco comum da história recente do WGA. A Hora do Mal (Warner) e Pecadores (Warner) sinalizam uma legitimação do gênero dentro da indústria — mais especificamente do olhar sindical —, como um produto criativamente e comercialmente relevante.
O movimento posiciona Warner e Universal como os estúdios mais bem colocados na disputa. No caso da Warner, a presença forte em Roteiro Original, inclusive com projetos de gênero, indica um uso estratégico do WGA como espaço de legitimação criativa. Já a Universal aparece de forma mais cirúrgica, com Código Preto funcionando como uma espécie de marcador de presença e alinhamento ao sistema sindical, reforçando sua inserção no núcleo da temporada sem depender de volume.
Somados, Warner e Universal aparecem como os estúdios mais bem posicionados nesta edição, não apenas em volume de indicações, mas na diversidade de propostas reconhecidas. O dado é relevante para distribuidores, exibidores e agentes, pois aponta quais players estão conseguindo alinhar criação, contrato sindical e posicionamento estratégico.
Produções estrangeiras bem posicionadas no circuito, como O Agente Secreto (Vitrine Filmes), Foi Apenas um Acidente (Imovision/Mubi) e Valor Sentimental (Retrato Filmes), ficam fora por questões de elegibilidade. Esse vácuo abre espaço para títulos que circularam bem entre críticos e exibidores, mas tiveram campanhas de prêmios mais contidas.
Vale ressaltar que para ser elegível ao WGA Awards, o projeto precisa cumprir três exigências sindicais básicas: o roteirista deve ser filiado ao WGA; o contrato do roteiro precisa estar firmado sob o Minimum Basic Agreement (MBA), que é o acordo coletivo do sindicato; e a produção deve envolver uma empresa signatária, ou seja, um estúdio, produtora ou plataforma que opere oficialmente dentro desse sistema contratual. A ausência de qualquer um desses pontos já torna o título inelegível.
A poucos dias da reta final do Oscar, o WGA reafirma seu papel menos como espelho de gosto global e mais como mapa de consenso industrial. Para o mercado, o valor da lista está menos nos títulos isolados e mais nos sinais que ela emite sobre contratos, estúdios e caminhos possíveis para a próxima temporada.
Confira abaixo os indicados:
Roteiro Original
- - Código Preto (Universal), de David Koepp
- - Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria (Synapse), de Mary Bronstein
- - Marty Supreme (Diamond), de Ronald Bronstein & Josh Safdie
- - Pecadores (Warner), de Ryan Coogler
- - A Hora do Mal (Warner), roteiro de Zach Cregger
Roteiro Adaptado
- - Bugonia (Universal), de Will Tracy
- - Frankenstein (O2 Play/Netflix), de Guillermo del Toro
- - Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Universal), de Chloe Zhao
- - Uma Batalha Após a Outra (Warner), de Paul Thomas Anderson
- - Sonhos de Trem (Netflix), de Clint Bentley
Roteiro de Documentário
- - 2,000 Meters to Andriivka, de Mstyslav Chernov
- - Becoming Led Zeppelin (Sony), de Bernard MacMahon & Allison McGourty
- - White with Fear, de Andrew Goldberg
- 0 medalha