Ancine celebra investimento recorde de R$ 1,41 bilhão em 2025 e Alex Braga projeta crescimento em 2026: "Precisamos avançar na integração da cadeia"
Agência registrou quase 4 mil obras audiovisuais no último ano
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(Foto: Fabiano Battaglin)
A Ancine divulgou um balanço dos resultados de 2025 nesta terça-feira (27) e comemora o maior volume de investimento contabilizado na sua série histórica. No último ano foram desembolsados R$ 1,41 bilhão em recursos, um aumento de 29% em relação ao ano de 2024 e um crescimento de 179% na comparação com 2021. Além disso, há 1.556 projetos audiovisuais em execução com verbas públicas, e outros 3.697 encontram-se em fase de captação pelas Leis de Incentivo ou de contratação pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
"O ano de 2025 marca um ponto de inflexão: pela primeira vez em anos, conseguimos alinhar volume de fomento, velocidade de execução e qualidade na gestão. Esse equilíbrio não pode ser rompido - precisa ser o novo padrão", destacou Alex Braga, diretor-presidente da Ancine, com exclusividade ao Portal Exibidor.
Os resultados atingidos no último ano ajudam a consolidar o Brasil como protagonista nos mercados e festivais internacionais, além de incentivarem a experiência do público em salas de cinema, e o número de obras brasileiras não-publicitárias registradas na Ancine, em crescimento desde 2023, refletem o momento do audiovisual brasileiro.
No último ano foram registradas 3.981 obras, um acréscimo de 4% em relação a 2024, sendo 2.500 obras brasileiras independentes, um aumento de 6,7% na comparação com o ano anterior. Além disso, houve o aumento pelo segundo ano consecutivo no número de registros de obras de produtoras sediadas nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste: 810 registros, um crescimento de 9% em relação ao recorde anterior (743 registros em 2024).
Em 2025. a Ancine também iniciou um processo de transformação digital, especialmente a partir da implementação do Cadastro Único de Projetos (CUP) e, consequentemente, do início da integração, da atualização e da evolução dos sistemas da Ancine, com o objetivo de melhorar a eficiência, a qualidade e a transparência dos serviços prestados. No mesmo ano, a agência fez o lançamento da versão modernizada do Observatório do Cinema e do Audiovisual (OCA), com o destaque para os painéis interativos com a disponibilização de informações confiáveis, acessíveis e organizadas do setor audiovisual - essenciais para o fortalecimento da governança, a qualificação da tomada de decisões de mercado, a orientação de investimentos, além do estímulo aos estudos e pesquisas sobre o setor.
"A profissionalização da gestão é essencial. O fomento nos patamares de hoje demanda sistemas robustos, processos digitalizados, além de análises e decisões baseadas em dados. Quanto maior o volume de fomento, maior a responsabilidade na gestão desses recursos", afirmou Braga.
FSA ATINGE PATAMARES INÉDITOS
Os investimentos do FSA para o financiamento de filmes e séries alcançaram os maiores valores da série histórica; e as operações de crédito atingiram abrangência inédita - apoiando iniciativas de infraestrutura, inovação e formação, bem como de criação, comercialização e internacionalização do conteúdo brasileiro. Além disso, a operação do FSA se deu de maneira coordenada e conjunta aos demais mecanismos de fomento, especialmente as Leis de Incentivo:
- FSA Investimento: R$ 564,3 milhões contratados, o maior valor da série histórica, com ampliação do valor médio por projeto para viabilizar produções de maior capacidade comercial, além da retomada da opção de financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento de roteiros;
- FSA Crédito: R$ 411,1 milhões destinados à infraestrutura, modernização de estúdios e aquisição de equipamentos. Destaque para as primeiras operações de financiamento de carteiras de criação de conteúdo, fortalecendo a competitividade de filmes e séries brasileiros;
- Leis de Incentivo: R$ 437,8 milhões liberados, mantendo papel fundamental na diversificação das fontes de financiamento e reduzindo a dependência de mecanismos únicos.
Em 2025, o FSA superou o recorde histórico de investimentos de filmes e séries de 2018 e também ultrapassou os patamares de crédito de 2020. O investimento foi de R$ 564,33 milhões, os valores de crédito ficaram em R$ 411,09 milhões, e a liberação de leis de incentivo ficou em R$ 437,84 milhões, totalizando um investimento total de R$ 1,41 bilhão.
INTERNACIONALIZAÇÃO E EXPANSÃO DE MERCADOS
O Brasil vive nos últimos anos um ciclo robusto e consistente de fortalecimento do fomento às coproduções internacionais. Entre 2023 e 2025, o número de coproduções se expandiu de forma estruturada e consistente. Na série histórica, com dados a partir de 2002, os principais parceiros internacionais do audiovisual brasileiro são Portugal, com 109 obras realizadas, França (98), e a Argentina (95).
Em 2023, a Argentina registrou dez produções, seguida por Portugal (6), e por França e Itália (5 cada um). Em 2024, França e Portugal lideraram com 11 obras em coprodução e os Estados Unidos ocuparam a terceira posição, com dez obras finalizadas. Em 2025, a novidade foram as parcerias com a Espanha (6), abaixo apenas de Portugal (9), e pouco acima da França, que fechou o ano passado com 5 obras coproduzidas com o Brasil.
As coproduções internacionais se consolidam como um pilar estratégico para a expansão do mercado audiovisual brasileiro, aumentando a capacidade de captação de recursos e financiamento de obras, favorecendo o intercâmbio artístico e técnico com diferentes culturas, além de ampliar oportunidades de distribuição e acesso a novos mercados.
Entre 2023 e 2025 foram investidos R$ 258 milhões em coproduções internacionais, viabilizando 115 novas parcerias e, no mesmo período, 124 produções brasileiras independentes em regime de coprodução foram finalizadas, com um recorde de 50 obras em 2024.
CONQUISTAS DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO
- Parque exibidor: recorde histórico de 3.554 salas de cinema em operação, com expansão para 14 novos municípios;
- Market share do cinema brasileiro: crescimento consistente de 3% (2023) para aproximadamente 10% (2024-2025), impulsionado pela retomada da Cota de Tela e pela qualidade da produção brasileira;
- Produção cinematográfica: 367 filmes brasileiros exibidos em 2025, atraindo 11,12 milhões de espectadores e gerando R$ 214,99 milhões em renda;
- Registro de obras audiovisuais: 3.981 registros em 2025 - novo recorde histórico -, com destaque para crescimento de 9% nas produções das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste;
- Internacionalização: 124 coproduções internacionais entre 2023 e 2025, com recorde de 50 obras em 2024 e crescimento expressivo nos pedidos de reconhecimento de novos projetos de coprodução - de 56 em 2023 para 140 em 2025;
- TV Paga: participação das obras brasileiras alcançou 22,5% do tempo total de grade em 2025 - ante 19,5% em 2024. No horário nobre, o conteúdo brasileiro atingiu 28,2% - ante 25,6% no ano anterior
PERSPECTIVAS PARA 2026
O cenário construído em 2025 estabelece bases sólidas para crescimento sustentável. O desafio para 2026 é garantir que os patamares operacionais atuais estejam em constante evolução e avançar na execução do Plano de Ação do Fundo Setorial, com retomada e criação de novas linhas de investimento, mantendo o compromisso com governança, transparência e efetividade das políticas públicas. De acordo com a Ancine, o próximo passo é a ampliação da confiança e previsibilidade das políticas públicas, tornando mais sólidas e permanentes as estratégias do Fundo para o desenvolvimento do audiovisual brasileiro.
No primeiro trimestre de 2026 estão previstas três reuniões do Comitê Gestor do FSA para aprovação das regras e critérios das Chamadas Públicas constantes do Plano de Ação de 2025; para programação da execução orçamentária e financeira de 2026 e aprovação dos planos de investimento e de ações para o ano; e para definir um calendário de lançamento das Chamadas Públicas.
"Em 2026, precisamos avançar na integração da cadeia produtiva. Não adianta financiar filmes se não houver um circuito de exibição completo - cinemas, televisão e plataformas digitais - para ampliar o seu alcance e resultado. O marco regulatório do VoD é fundamental para isso. É preciso fortalecer e consolidar a produção independente, pois a sustentabilidade do setor passa pela sustentabilidade das empresas", finalizou Braga.