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07 Abril 2026 | Yuri Cavichioli

Startup liderada por ex-Miramax Films aposta em cinema imersivo com tecnologia de origem militar

Empresa quer criar nova categoria de exibição e expandir monetização de conteúdos no circuito cinematográfico

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(Foto: Divulgação)

A incorporação de novas tecnologias ao cinema segue avançando em frentes que vão além da produção e da distribuição tradicional. No atual cenário de transformação do setor, iniciativas que aproximam experiência física e digital ganham espaço, especialmente em um momento em que exibidores e estúdios buscam alternativas para atrair público e aumentar receita.



A MUS immersive, startup fundada pelo ex-executivo da Miramax Films Joel Roodman, foi lançada com a proposta de desenvolver uma nova categoria de entretenimento baseada em cinema imersivo. A empresa pretende utilizar computação espacial para criar experiências que integram conteúdo audiovisual a ambientes físicos, sem a necessidade de dispositivos como headsets.

No centro da operação está o Celeste Immersive Engine, plataforma proprietária desenvolvida pela Toro Science, com origem em aplicações militares e simulações avançadas. A tecnologia permite converter vídeos tradicionais em ambientes visuais de campo expandido, com interação e profundidade, direcionados a espaços de exibição específicos.

“Nosso objetivo é realizar o potencial completo da janela imersiva no cinema e criar uma nova linguagem audiovisual. Hoje, a tecnologia já permite ir além da tela tradicional e transformar o conteúdo em uma experiência contínua, em que o público não apenas assiste, mas permanece dentro daquele universo, ampliando as possibilidades de engajamento e recorrência”, afirmou Roodman, ao detalhar a proposta da empresa.

Além da tecnologia, a estratégia da MUS immersive inclui a criação de uma rede própria de espaços de exibição. A primeira unidade, chamada Celeste Immersive Screening Lounge, está prevista para Nova York neste ano, com expansão para outros mercados a partir de 2027.

Paralelamente, a empresa busca acordos com detentores de propriedade intelectual para desenvolver versões imersivas de conteúdos já existentes. Na prática, isso abre uma nova frente de exploração comercial para catálogos já lançados, permitindo relançamentos em formatos diferenciados, ativações com marcas, experiências temáticas e janelas adicionais de exibição que vão além do circuito tradicional e do streaming.

Esse tipo de proposta se soma a iniciativas já adotadas pelo setor, como sessões-evento, exibições com interação ao vivo, conteúdos especiais ligados a franquias e experiências imersivas inspiradas em propriedades conhecidas. Essas propriedades, chamadas de IPs (Intellectual Properties), incluem marcas, filmes e universos com valor comercial já estabelecido, explorados em diferentes formatos para ampliar alcance e receita.

Pensando nesse contexto de imersão, propriedades intelectuais com universos bem definidos e forte apelo visual tendem a ser as principais candidatas para esse tipo de adaptação. Franquias como Avatar (Disney), Harry Potter (Warner) e Jurassic Park (Universal), por exemplo, reúnem características estratégicas para o formato, como ambientações exploráveis, alto nível de reconhecimento global e potencial de recorrência. Para estúdios e exibidores, esse tipo de conteúdo oferece não apenas apelo comercial imediato, mas também a possibilidade de criar experiências contínuas, com maior permanência do público e novas oportunidades de receita além da exibição tradicional.

“Os cineastas mais bem-sucedidos não serão apenas diretores. Eles vão construir mundos, desenvolver comunidades e criar experiências que o público possa revisitar. Isso também muda a forma como o conteúdo é monetizado, abrindo espaço para novos formatos de exibição, novas janelas e relações mais contínuas com a audiência”, disse Roodman.

A aposta em formatos diferenciados e experiências presenciais ganha força no momento em que exibidores e estúdios buscam criar alternativas de experiência para o público diante das mudanças no consumo.

No médio prazo, a proposta da MUS immersive indica um caminho possível para o reposicionamento do cinema como experiência diferenciada, combinando tecnologia, conteúdo e presença física. Para exibidores e estúdios, o desafio passa a ser avaliar a viabilidade comercial desse modelo e sua capacidade de gerar escala.

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