Cannes 2026 divulga seleção oficial priorizando filmes independentes e de fora de Hollywood
Coprodução brasileira "Elefantes na Névoa" fará sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard
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(Foto: Divulgação)
O Festival de Cannes anunciou na manhã desta quinta-feira (9) o line-up de sua 79ª edição, que está programada para acontecer entre os dias 12 e 23 de maio. Diferente dos últimos anos, a principal competição do festival deixou blockbusters e filmes de Hollywood de fora, prestigiando filmes independentes. Ainda assim, nomes como Pedro Almodóvar, Hirokazu Kore-eda, Ryusuke Hamaguchi e Asghar Farhadi estarão na disputa pela Palma de Ouro. As informações são dos portais Variety e Folha de S. Paulo.
Foram confirmados 21 filmes na Mostra Competitiva, 16 em Un Certain Regard, cinco na Cannes Premiere, sete nas Exibições Especiais, cinco nas Exibições da Meia-Noite, além de sete filmes fora de competição.
A edição de 2025 contou com forte presença de Hollywood, com Missão Impossível - O Acerto de Contas (Paramount) e Luta de Classes, de Spike Lee, mas neste ano será dominada pelo chamado cinema internacional e por cineastas independentes. Sobre a ausência de filmes estadunidenses e de grandes estúdios, o diretor de Cannes Thierry Frémaux disse: "É importante notar que, quando os estúdios têm uma presença menor em Cannes, é simplesmente porque estão menos ativos no tipo de cinema que costumava permitir que viessem para cá". Mas ele também enfatizou que a falta de filmes de estúdio deste ano não era uma tendência. "Tom Cruise e a Paramount estiveram aqui há apenas dois anos com 'Missão: Impossível' e 'Top Gun'", disse ele, antes de acrescentar: "O que quero dizer com isso é que, fora do cinema de estúdio, o cinema independente, o cinema feito fora de Los Angeles, continua a existir, e esta seleção será uma prova disso".
O número de inscrições para o festival ficou abaixo do ano passado, quando foi atingido o recorde de 2.909 longas-metragens. Ainda assim, Frémaux ressaltou o crescimento de Cannes na última década, com 2.541 filmes submetidos para a seleção oficial neste ano. "São 1.000 a mais do que há apenas 10 anos. Quando falo de vitalidade, também me refiro a uma vitalidade quantitativa — com inscrições de 141 países, estamos nos aproximando de números olímpicos — mas, aqui também, o objetivo é exibir os filmes em um local onde serão vistos pelo mundo todo", disse.
Uma importante informação anunciada anteriormente também foi confirmada nesta quinta-feira, com La Venus Électrique, do diretor Pierre Salvadori, sendo confirmado como filme de abertura, em 12 de maio. O longa é uma comédia de época ambientada em Paris durante os anos 1920, marcado por ritmo ágil, jogos entre mentira e verdade, e um cuidado rigoroso com roteiro e direção. Seguindo as regras do festival, o filme também estreará nos cinemas de toda a França no mesmo dia. "Cannes celebra tudo o que eu amo no cinema. Direção, ousadia, liberdade e cineastas. Cannes os descobre, os apoia e os celebra. À sua maneira, meu filme incorpora toda a fé e o amor que tenho pela minha arte", comemorou Salvadori.
Na disputa pela Palma de Ouro, apesar da ausência de filmes de Hollywood, grandes nomes prometem uma disputa acirrada. O renomado Pedro Almodóvar estará na competição com Natal Amargo ao lado do iraniano Asghar Farhadi, vencedor do Oscar em 2011 e 2016 e que estará em Cannes com Parallel Tales, e dos japoneses Hirokazu Kore-eda e Ryusuke Hamaguchi, responsáveis por Sheep in The Box e Sudden respectivamente. Enquanto Kore-eda foi indicado ao Oscar em 2019 na categoria de Melhor Filme Internacional, Hamaguchi levou três estatuetas para casa em 2022 com Drive My Car (O2 Play).
Falando em cinema nacional, o Brasil está fora da disputa pelo principal prêmio de Cannes após duas indicações consecutivas com Ainda Estou Aqui (Sony), em 2024, e O Agente Secreto (Vitrine Filmes) em 2025. Neste ano, entretanto, o país estará representado em Un Certain Regard como produtor de Elefantes na Névoa. O longa, que fará sua estreia mundial no festival, é uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega e conta com as produtoras brasileiras Bubbles Project e Enquadramento Produções. Ambientada em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta habitada por elefantes selvagens, a história acompanha Pirati, líder de uma comunidade Kinnar, que vê sua vida abalada após o desaparecimento de uma de suas filhas. A partir deste evento, a narrativa se desenvolve como uma investigação, atravessada por conflitos íntimos e sociais.
Por fim, para não dizer que Hollywood está completamente de fora do festival, será representada por atores, e não por filmes. Peter Jackson e Barbara Streisand receberão a Palma de Ouro de Honra por suas carreiras notáveis no cinema durante a cerimônia de abertura, no dia 13.
Confira a seleção oficial de Cannes 2026:
FILME DE ABERTURA
- La Venus Électrique, de Pierre Salvadori
MOSTRA COMPETITIVA
- Minotaur, de Andrey Zvyagintsev
- The Beloved, de Rodrigo Sorogoyen
- The Man I Love, de Ira Sachs
- Fatherland, de Paweł Pawlikowski
- Moulin, de László Nemes
- Sotries of the Night, de Léa Mysius
- Fjord, de Cristin Mungiu
- Notre Salut, de Emmanuel Marre
- Gentle Monster, de Marie Kreutzer
- Nagi Notes, de Koji Fukada
- Hope, de Na Hong-Jin
- Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda
- Sudden, de Ryusuke Hamaguchi
- Garance, de Jeanne Herry
- The Unknown, de Arthur Harrari
- The Dreamed Adventure, de Valeska Grisebach
- Coward, de Lucas Dhont
- La Bola Negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo
- A Woman’s Life, de Charline Bourgeois-Taquet
- Parallel Tales, de Asghar Farhadi
- Natal Amargo, de Pedro Almodóvar
UN CERTAINS REGARD
- La más dulce (Strawberries), de Laïla Marrakchi
- Club Kid, de Jordan Firstman
- Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun
- Everytime, de Sandra Wollner
- I’ll Be Gone in June, de Katharina Rivilis
- Yesterday the Eye Didn’t Sleep, de Rakan Mayasi
- El Deshielo (The Meltdown), de Manuela Martelli
- Siempre Soy Tu Animal Materno (Forever Your Maternal Animal), de Valentina Maurel
- Elephants in the Fog (Elefantes na Névoa), de Abhinash Bikram Shah
- Benimana, de Marie-Clementine Dusabejambo
- Le Corset (Iron Boy), de Louis Clichy
- Congo Boy, de Rafiki Fariala
- All the Lovers in the Night, de Yukiko Sode
- Ben’Imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo
- Uļa, de Viesturs Kairišs
- Words of Love, de Rudi Rosenberg
FORA DE COMPETIÇÃO
- Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn
- Diamond, de Andy Garci
- Karma, de Guillaume Canet
- L’Objet du Delit, de Agnes Jaoui
- La Bataille de Gaulle: L’Âge de Fer, de Antonin Baudry
- L’Abandon, de Vincent Garenq
EXIBIÇÕES DA MEIA-NOITE
- Roma Elastica,de Bertrand Mandico
- Full Phil, de Quentin Dupieux
- Gun-Che (Colony), de Yeon Sang-ho
- Jim Queen, de Nicolas Athane e Marco Nguyen
- Sanguine, de Marion Le Coroller
CANNES PREMIERE
- Propeller One-Way Night Coach, de John Travolta
- The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa
- Heimsuchung (Visitation), de Volker Schlöndorff
- The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco
- La Troisième nuit (When the Night Falls), de Daniel Auteuil
EXIBIÇÕES ESPECIAIS
- John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh
- Avedon, de Ron Howard
- Les Survivants du Che, de Christophe Dimitri Réveille
- Les Matins Merveilleux, de Avril Besson
- Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani
- L’Affaire Marie Claire, de Lauriane Escaffre e Yvo Muller