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09 Abril 2026 | Yuri Cavichioli

Federação Global de Cinema divulga dados de pesquisa global sobre comportamento do público

Levantamento aponta alta valorização da experiência nas salas, crescimento entre jovens e impacto direto das janelas de exibição no consumo

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(Foto: Krists Luhaers)

A Global Cinema Federation, entidade que reúne exibidores e associações responsáveis por cerca de 70% da bilheteria global, divulgou os resultados de sua pesquisa anual com o público de cinema. O levantamento, publicado originalmente pelo Boxoffice Pro, analisa hábitos de consumo, percepção de valor e tendências de comportamento em um cenário de mudanças no mercado audiovisual.



Os resultados mostram que 52% dos entrevistados são bastante propensos a recomendar a experiência de ir ao cinema. O fator emocional também aparece com relevância: 73% afirmam que frequentar salas é importante para o bem-estar, sendo que um terço classifica essa importância como alta. Ao mesmo tempo, apenas 7% dizem preferir assistir a filmes em casa, apontando para uma preferência pelo consumo em ambiente coletivo.

Nos últimos seis meses, o movimento de ida ao cinema foi entre 1,5 e 2 vezes mais positivo do que o observado em outras atividades de lazer fora de casa. Entre os principais atributos valorizados estão qualidade de som e imagem (61%), telas premium de grande formato (57%) e assentos de maior conforto (56%), além de oferta de alimentos e bebidas (43%), experiências voltadas ao público infantil (42%) e eventos especiais (37%).

O calendário robusto de lançamentos de 2026, com títulos como Vingadores: Doutor Destino (Disney), Homem-Aranha: Um Novo Dia (Sony), Duna: Parte Três (Warner) e Super Mario Galaxy (Universal) — que está em cartaz —, também aparece como fator relevante para a retomada de interesse. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados estão animados para assistir a filmes nos cinemas, um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em paralelo, há demanda por maior volume de títulos, especialmente nos gêneros ação e aventura (51%), comédia (49%) e suspense (43%), além de ficção científica (38%) e drama (35%).

Entre o público jovem, os indicadores apontam estabilidade com tendência de crescimento. Entre as pessoas que têm idade igual ou menor do que 25 anos, 78% afirmam estar assistindo à mesma quantidade ou mais filmes nos cinemas em comparação com seis meses atrás, resultando 15% maior. Nesse grupo, 59% também dizem que recomendariam fortemente a experiência para outras pessoas.

Apesar disso, o avanço do consumo doméstico impacta a frequência nas salas. Em média, os entrevistados afirmam assistir a 2,2 filmes a menos por ano nos cinemas devido à disponibilidade mais rápida dos títulos em casa. Um “conta gotas” que é preciso dar atenção.

Os dados também indicam diferenças entre mercados. Em países onde as janelas permanecem mais longas, como Japão, França e Suíça, a redução na frequência é menos significativa. O cenário aponta para a importância da duração e da previsibilidade das janelas como variável relevante para a sustentação do consumo e da receita no setor exibidor.

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