Exibidor

Publicidade

Notícias /mercado / CinemaCon 2026

15 Abril 2026 | Redação

Michael O´Leary reforça importância da janela de exibição no cinema: "É a base para toda a indústria"

Presidente da Cinema United também comemorou contribuição da Geração Z na recuperação dos cinemas

Compartilhe:

(Foto: David Becker/Getty Images for CinemaCon)

A programação da CinemaCon 2026 na terça-feira (14) contou com o tradicional e esperado painel "State of the Industry", apresentado pelo presidente e CEO da Cinema United, Michael O'Leary, e visto por players do mercado como o momento ideal para se ter um panorama mais amplo sobre a realidade do mercado global. O executivo abordou diversos pontos relevantes, como a fusão Warner-Paramount e a presença da Geração Z nos cinemas, mas dedicou uma atenção especial para a defesa de janelas de exibição mais longas nos cinemas, destacada como "a janela mais nobre". As informações são dos portais Deadline e Variety.
 
"Estamos progredindo e as janelas de exibição continuarão sendo uma prioridade. Da nossa parte, as redes de cinema devem reconhecer e apoiar integralmente os parceiros que estão comprometidos com a exclusividade significativa nas salas", afirmou.
 
O tema vem sendo objeto de muita discussão na indústria. No mês passado, por exemplo, a Universal anunciou que a partir de 2027 seus filmes terão uma janela de exibição de 45 dias nos cinemas. A atuação da Disney na América do Norte é vista por muitos players como ideal, com a janela de exclusividade próxima a 60 dias.
 
O'Leary reconheceu que houve avanços positivos em relação a isso nos últimos meses, mas pontuou que a adoção generalizada de uma janela maior é necessária para realmente revitalizar o público, a indústria e a bilheteria. Em 2025, por exemplo, o período médio foi de 37 dias, um aumento de três dias em relação ao ano anterior. Entretanto, o executivo observou que se todos os lançamentos de grande escala do último ano tivessem um período mínimo de 45 dias, a média geral seria duas semanas maior, chegando a 49 dias.
 
"Após mais de seis anos de teorias e experimentos dedicados a provar que os dias do cinema tradicional já passaram, há um reconhecimento crescente de algo que sempre soubemos: a exibição em salas de cinema é a base sobre a qual toda a indústria do entretenimento se apoia, e isso nunca mudará", completou.
 
Geração Z contraria percepção de afastamento
 
A presença da chamada Geração Z nos cinemas também foi muito comemorada por O'Leary. Contrariando uma percepção de afastamento dos jovens com idade entre 12 e 28 anos da exibição tradicional, um relatório da Cinema United indicou que a frequência desse grupo cresceu 25% nos últimos 12 meses, maior avanço entre todas as faixas etárias. O estudo vai além da bilheteria e analisa comportamento, recorrência e engajamento do público.
 
Entre os principais pontos, o relatório aponta como inovação, diversidade de títulos e melhoria da experiência têm sido determinantes para a reconstrução do hábito de ir ao cinema, especialmente entre os mais jovens. "Embora a frequência ainda esteja abaixo dos níveis anteriores, o entusiasmo do público não é estático. Ele muda a cada dia, e essas tendências positivas apontam para um futuro mais promissor", disse o CEO.
 
Fusão entre Warner e Paramount causa preocupação
 
O assunto que mais tem movimentado Hollywood nos últimos meses não poderia ficar de fora da apresentação, e o presidente e CEO da Cinema United alertou sobre os riscos de "concentração do poder de mercado nas mãos de um grupo menor de distribuidores que ditam os termos, as janelas de exibição, a programação, a disposição dos filmes nas telas e o acesso a catálogos históricos de filmes", ao falar sobre a iminente aquisição da Warner pela Paramount.
 
Ele afirmou que a Warner teve um ano de 2025 “espetacular”, fato que ficou evidente na premiação do Oscar deste ano, e que a fusão pode ter um impacto em comércios locais e também em milhões de fãs de cinema. Apesar de a Paramount prometer 30 filmes por ano, O'Leary não se mostrou muito convencido. "Infelizmente, a história nos mostra que a consolidação resulta em menos filmes sendo produzidos para os cinemas. Acreditamos que essa transação será prejudicial para a exibição, para os consumidores e para todo o ecossistema do entretenimento."
 
O executivo tentou não se mostrar radicalmente contra a negociação, mas suas falas - ainda que contidas - demonstram um sinal de alerta ligado em toda a indústria. Na mesma semana em que a CinemaCon está acontecendo, milhares de nomes de destaque de Hollywood assinaram uma carta aberta opondo-se à fusão e alertando que o negócio ameaçará a sustentabilidade de toda a comunidade criativa.
 
MPA se mostra aberta ao uso de Inteligência Artificial
 
Quem também subiu ao palco foi Charles Rivkin, presidente da Motion Picture Association (MPA), que representa Warner, Disney, Universal, Sony, Paramount, Netflix e Prime Vídeo & Amazon MGM Studios. O executivo adotou uma postura polêmica ao enfatizar o potencial criativo e comercial da Inteligência Artificial, apesar de reconhecer algumas preocupações.
 
"Entramos na era da IA. Nenhum de nós deve ignorar seus perigos potenciais e nem devemos descartar suas possibilidades. Devemos vê-la como vemos seus antecessores: como uma ferramenta que pode aprimorar a criatividade humana, não substituí-la. Devemos nos concentrar em como desenvolver e usar a IA de forma responsável. Devemos ver a IA como muitos já a vêem: como um meio de melhorar a experiência do fã ou permitir que os artistas explorem formatos inovadores."
 
Em Hollywood há um grande temor que o uso da nova tecnologia leve à perda de empregos, à medida que os estúdios buscam formas mais baratas de produzir filmes. O uso da IA, inclusive, contribuiu para as greves de atores e roteiristas que paralisaram a indústria em 2023.
 
Os próprios estúdios membros da MPA não conseguiram chegar a um consenso sobre o uso da inteligência artificial, e Rivkin afirmou que, independente do que o futuro reserva, é necessário manter clareza sobre os princípios fundamentais para o uso da nova ferramenta. "Proteger os direitos autorais como motor da liberdade de expressão. Defender a propriedade intelectual como força motriz de nossa comunidade criativa. Há quem diga que devemos abolir os direitos autorais para acompanhar os rivais dos Estados Unidos e ganhar terreno na arena geopolítica. Mas essa é uma falsa dicotomia. No nosso melhor, o que diferencia nossa indústria e nosso país é a nossa fidelidade ao Estado de Direito, aliada à nossa abertura à mudança. Podemos e devemos fazer ambas as coisas."
 
Ao final de seu discurso, o executivo também afirmou que os Estados Unidos precisam de um plano federal para incentivos de produção e que a luta para tornar o país um lugar mais competitivo para a produção cinematográfica é diária. "Nossa campanha está progredindo, com incentivos crescentes em Nova Jersey, Califórnia e outros estados, ajudando-os a atrair criadores para suas comunidades. Isso também está acontecendo em Washington, e estamos no centro de tudo – junto com estúdios, sindicatos, associações, produtores e muitos outros – dialogando com a Casa Branca e com republicanos e democratas no Congresso sobre o que seria uma verdadeira mudança de paradigma: um incentivo fiscal federal para a indústria cinematográfica", encerrou.

Publicidade fechar X

Compartilhe:

  • 0 medalha