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27 Fevereiro 2026 | Redação

Netflix afirma que não irá igualar proposta pela aquisição da Warner e caminho fica aberto para a Paramount

Proposta da Paramount supera US$ 110 bilhões

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(Foto: Reprodução)

Uma reviravolta na noite desta quinta-feira (26) parece ter dado um novo destino a Warner, que agora se encaminha para concretizar uma venda de seus negócios para a Paramount. No dia 5 de dezembro a Warner havia aceitado uma proposta de US$ 82,7 milhões da Netflix pelos seus departamentos de cinema e streaming, mas após uma proposta revisada da Paramount que pode chegar a US$ 110,9 milhões, a gigante de streaming mostrou-se preparada para desistir do negócio ao afirmar que não irá igualar a proposta. As informações são dos portais Variety,The Hollywood Reporter e Screen Dailly.
 
A notícia coincide com a informação de que o Departamento de Justiça dos EUA estaria investigando a Netflix por "criar monopólio" com a possível aquisição da Warner. Nesta quinta-feira, inclusive, Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, foi até Washington para uma reunião na Casa Branca. A visita, entretanto, não mudou o cenário que se desenhava favorável a David Ellison, CEO da Paramount, que tem uma relação próxima com Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, inclusive, teria preferência pela aquisição pela Paramount, que se mostrou disposta a promover mudanças radicais na CBS News para apaziguar a ira de Trump contra qualquer veículo de comunicação considerado como abrigo para liberais.
 
Em meio a uma longa novela, ontem a Netflix anunciou que não iria igualar sua oferta, de US$ 27,75 por ação, à da Paramount, de US$ 31 por ação, após a própria Warner admitir que a proposta da Paramount seria superior. A Paramount ainda sinalizou com uma garantia de multa rescisória de US$ 7 milhões caso o acordo não seja aprovado pelos órgãos reguladores e também se comprometeu a arcar com a taxa de rescisão de US$ 2,8 milhões devida à Netflix pelo não cumprimento da venda da Warner.
 
Ted Sarandos e Greg Peters, co-CEOs da Netflix descreveram o possível acordo pela Warner como "um bom complemento a um preço justo, e não um item indispensável a qualquer preço", demonstrando estarem preparados para desistir do negócio.
 
"A transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando igualar a proposta da Paramount Skydance. A Warner Bros. é uma organização de classe mundial e queremos agradecer a David Zaslav, Gunnar Wiedenfels, Bruce Campbell, Brad Singer e ao conselho da WBD por conduzirem um processo justo e rigoroso. Acreditamos que teríamos sido excelentes administradores das marcas icônicas da Warner Bros. e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento, preservando e criando mais empregos na área de produção nos EUA. Mas essa transação sempre foi um 'bom diferencial' pelo preço certo, não uma 'necessidade' a qualquer custo. Os negócios da Netflix são saudáveis, fortes e estão crescendo organicamente, impulsionados por nosso catálogo e pelo serviço de streaming de primeira linha. Este ano, investiremos aproximadamente US$ 20 bilhões em filmes e séries de qualidade e expandiremos nossa oferta de entretenimento. Em consonância com nossa política de alocação de capital, também retomaremos nosso programa de recompra de ações. Continuaremos fazendo o que temos feito há mais de 20 anos como empresa de capital aberto: encantar nossos membros, expandir nossos negócios de forma lucrativa e gerar valor para os acionistas a longo prazo", dizia carta divulgada pela Netflix.
 
Um dos trechos da carta falava em "preservar e criar mais empregos", e essa é justamente uma das grandes preocupações do mercado caso a aquisição pela Paramount seja concluída. A Paramount já havia identificado uma economia de US$ 6 bilhões como a fusão seja concluída, o que a indústria interpreta como demissões em massa, além de 2 mil demissões que já ocorreram ou estão previstas em decorrência da fusão entre Paramount e Skydance.
 
As incertezas, aliás, geram um clima de apreensão entre os funcionários da Warner e, por isso, David Zaslav, CEO da empresa, convocou uma reunião geral com os funcionários nesta sexta-feira (27). Antes, porém, na noite de quinta-feira se mostrou entusiasmado com o possível acordo com a Paramount e destacou o valor para os acionistas.
 
"Assim que nosso conselho votar pela adoção do acordo de fusão com a Paramount, isso criará um valor imenso para nossos acionistas. Estamos entusiasmados com o potencial da combinação da Paramount Skydance e da Warner Bros. Discovery e mal podemos esperar para começar a trabalhar juntos, contando as histórias que emocionam o mundo", disse.
 
Após as últimas notícias as ações da Netflix subiram 13%, com investidores celebrando a notícia da desistência de um dos maiores negócios de mídia da história que teria envolvido enorme escrutínio antitruste. Já as da Warner caíram, com o mercado deixando de apostar em uma guerra de ofertas, enquanto os papéis da Paramount ficaram estáveis.
 
As mudanças na última oferta da Paramount por todo o negócio da Warner, incluindo CNN, HBO e outros canais de TV a cabo, além dos estúdios de cinema e serviço de streaming, incluem garantias pessoais de US$ 45,7 bilhões em capital por parte do pai de seu CEO David Ellison, Larry Ellison, presidente da Oracle Corporation e um dos homens mais ricos do mundo, e além disso, o Bank of America Merrill Lynch, o Citi e o Apollo estão fornecendo US$ 57,5 bilhões em financiamento de dívida, um aumento em relação ao compromisso anterior de US$ 54 bilhões.
 
Agora, diante do novo cenário, a reunião especial dos acionistas da Warner que estava marcada para o dia 20 de março para votar ou não pela aceitação da oferta da Netflix, deverá ser cancelada ou ter sua pauta alterada, sendo possível até que seja assinado o acordo definitivo de fusão com a Paramount.
 
Uma das grandes preocupações do mercado em relação a uma possível vitória da Netflix na concorrência era com a janela de exibição nos cinemas. Nesse sentido, Ellison afirmou no início do mês de fevereiro que seu estúdio estava comprometido com uma janela de exibição exclusiva de 45 dias nos cinemas para os filmes da Warner, que poderia se estender por 90 dias ou mais. Por outro lado, apesar da promessa, parte da comunidade de Hollywood teme que a Paramount possa encurtar os períodos de exibição, tendo em vista que Jeff Shell, presidente da Paramount, foi o arquiteto por trás dos lançamentos nos cinemas com 17 a 30 dias de duração pela Universal durante a pandemia, quando ainda era CEO da empresa.
 
Agora, com a novela se encaminhando para seu desfecho após meses de disputa, a nova transação terá que passar pelo processo de aprovação regulatória governamental dos Estados Unidos nos próximos meses.




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