Justiça dos EUA investiga Netflix por possível monopólio; Warner analisa última proposta da Paramount
Autoridades federais querem detalhes de produtores e cineastas sobre influência da Netflix
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(Foto: Reprodução)
A Netflix está oficialmente sob investigação antitruste do Departamento de Justiça dos EUA por "criar um monopólio" com a possível aquisição da Warner. Enquanto as partes envolvidas confirmaram nesta terça-feira (24) que uma nova oferta revisada da Paramount está sendo analisada, cineastas e produtores de Hollywood receberam uma intimação para fornecerem detalhes sobre a influência real da Netflix sobre a indústria. As informações são do portal Deadline.
A intimação veio a público no domingo (22), quando Omeed Assefi, chefe interino da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, informou que os destinatários da Investigação Criminal do Departamento de Justiça têm até 23 de março para fornecer documentos e respostas sob juramento.
"Esta intimação para investigação civil é emitida de acordo com a Lei de Processo Civil Antitruste no curso de uma investigação antitruste para determinar se há, houve ou pode haver uma violação das leis antitruste por conduta, atividades ou ação proposta da seguinte natureza: a proposta de aquisição da Warner Bros. Discovery, Inc. pela Netflix Inc., que pode reduzir substancialmente a concorrência ou tender a criar um monopólio em violação da Seção 7 da Lei Clayton ou da Seção 2 da Lei Sherman", dizia trecho da intimação.
O prazo para os cineastas e produtores, aliás, se encerra três dias após uma reunião especial dos acionistas da Warner, marcada para 20 de março, onde votarão pela aceitação ou não da oferta de aquisição feita pela Netflix, de US$ 83 milhões pelos estúdios e serviços de streaming da Warner.
"A Netflix opera em um mercado extremamente competitivo. Qualquer alegação de que sejamos monopolistas ou que busquemos monopolizar o mercado é infundada. Nosso sucesso deriva da inovação e do investimento que beneficiam os consumidores. Não detemos poder de monopólio nem praticamos condutas excludentes e cooperaremos de bom grado, como sempre fazemos, com os órgãos reguladores em quaisquer preocupações que possam ter", declarou David Hyman, consultor jurídico da Netflix.
Enquanto a proposta da Netflix encontra-se sob investigação, embora não tenham sido revelados detalhes, especula-se que a nova proposta da Paramountseja superior aos US$ 30 por ação em dinheiro anteriormente. Vale ressaltar que a proposta da Netflix para estúdios e ativos de streaming é de US$ 27,75 por ação.
Apesar de não fornecer detalhes, a Paramount confirmou que apresentou uma nova proposta revisada e afirmou que mantém sua proposta anterior como provisória.
"A celebração de um acordo com a WBD exigiria que o Conselho da WBD determinasse que a proposta revisada da Paramount é uma ‘Proposta Superior da Empresa’ de acordo com seu contrato de fusão com a Netflix, o término de um período de equiparação de quatro dias úteis, a rescisão do contrato de fusão com a Netflix e a assinatura de um contrato de fusão definitivo entre a Paramount e a WBD", declarou a Paramount.
Devido ao acordo anterior fechado com a Netflix, a gigante do streaming detém os direitos de equiparação de uma eventual oferta da Paramount que seja aceita. Embora a Warner tenha afirmado na última semana que a Paramount havia concordado em aumentar a oferta para US$ 31 por ação, analistas de Wall Street sugerem que o valor possa chegar até a US$ 32 por ação, com alguns deles acreditando que o valor possa ser até mais alto para que o negócio seja fechado.