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26 Fevereiro 2026 | Redação

Grandes estúdios de Hollywood divulgam seus balanços fiscais do último trimestre

Maior bilheteria entre as majors no período foi de "Zootopia 2", da Disney

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(Foto: Divulgação)

Nas últimas semanas, os principais estúdios de Hollywood revelaram seus últimos balanços fiscais, informando aos acionistas a situação de suas finanças. O levantamento de cada major é referente aos meses de outubro a dezembro. O grande destaque do período foi também a maior bilheteria de Hollywood para um filme lançado em 2025, com Zootopia 2 (Disney) já tendo faturado US$ 1,84 bilhão com o rescaldo dos primeiros meses de 2026. As informações são dos portais Variety, Deadline e The Hollywood Reporter.



Apesar de trimestres bem distintos, todos os estúdios registraram queda em sua divisão cinematográfica na comparação com o mesmo período do ano anterior. A única exceção foi a Lionsgate, que aumentou sua receita em 35% graças, principalmente por A Empregada, distribuído pela Paris Filmes no Brasil e que já faturou US$ 370 milhões em todo o mundo. Além dos dois filmes já citados, outros destaques do período foram Avatar: Fogo e Cinzas (Disney), Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito (Sony) e Wicked: Parte 2 (Universal). Em ordem de divulgação do balanço, confira como cada estúdio se saiu no último trimestre fiscal.

UNIVERSAL 

A Comcast reportou receita de US$ 32,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta discreta de 1,2%, com lucro pressionado pela comparação com um benefício fiscal extraordinário de US$ 1,9 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. No recorte de estúdios, a receita caiu 7%, com desempenho cinematográfico 20% inferior ao de 2024, impactado pela comparação direta entre Wicked: Parte Dois e o desempenho mais robusto de Wicked no ano anterior.

A divisão de cinema teve resultado estável em termos gerais, mas sem um desempenho de grande impacto comercial comparável ao do exercício anterior. Ainda assim, o estúdio prepara uma linha forte para 2026, incluindo as animações Super Mario Galaxy: O Filme e Minions 3, além dos títulos de maior orçamento Dia D, dirigido por Steven Spielberg, e A Odisseia, de Christopher Nolan, projetos esses que devem posicionar o braço cinematográfico da major em um patamar mais competitivo ao longo do próximo ano fiscal.

No streaming, o Peacock encerrou o ano com 44 milhões de assinantes, avanço de 22% em relação ao ano anterior. A receita da plataforma subiu para US$ 1,6 bilhão, mas os prejuízos ajustados também cresceram, alcançando US$ 552 milhões, refletindo o início do contrato de direitos da NBA (acordo de dez anos avaliado em US$ 27 bilhões). Embora relevante para a estratégia de longo prazo, o streaming não compensou a retração no segmento de TV linear doméstica.
 
DISNEY

No quarto trimestre fiscal, a The Walt Disney Company apresentou um balanço que reforça a estabilização de suas operações após três anos de reestruturação. A companhia reportou crescimento moderado de receita, com avanço sustentado principalmente pelo segmento de streaming e parques, enquanto o braço de cinema teve desempenho mais contido em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

“À medida que continuamos a administrar nossa empresa para o futuro, tenho imenso orgulho de tudo o que conquistamos ao longo dos últimos três anos”, afirma Bob Iger, em referência ao seu segundo mandato como CEO, iniciado em novembro de 2022.

Na divisão de estúdios, o desempenho nas bilheterias ficou abaixo de comparações mais favoráveis registradas no mesmo período anterior, refletindo um calendário menos robusto e a ausência de um fenômeno de bilheteria equivalente aos grandes títulos do ano passado. Ainda assim, o estúdio manteve presença relevante no circuito global, apoiado por franquias consolidadas e propriedades intelectuais estratégicas, dentro de uma política mais disciplinada de investimentos e controle de custos.

O streaming voltou a ser um dos principais vetores de sustentação do resultado trimestral. O Disney+ e o Hulu apresentaram crescimento de receita e evolução operacional, refletindo ajustes de preço, expansão internacional e maior eficiência na estrutura de despesas. A estratégia de consolidação das plataformas e foco em rentabilidade segue como prioridade, em linha com o discurso de reorganização iniciado no retorno de Iger ao comando.

No consolidado, o balanço indica uma empresa menos dependente da TV linear e mais orientada a ativos de marca, experiências e venda direta ao consumidor. Mesmo diante de um cenário competitivo mais agressivo e da pressão estrutural sobre a mídia tradicional, a Disney sinaliza confiança em sua trajetória de médio prazo, sustentada por um portfólio de franquias globais e disciplina financeira mais rigorosa.
 
SONY 

A Sony Group Corporation encerrou o trimestre de dezembro de 2025 com crescimento de 22% no lucro operacional, alcançando US$ 3,3 bilhões, enquanto a receita total do grupo, que reúne todas as suas divisões, de cinema a games e semicondutores, avançou 1%, chegando a US$ 24,1 bilhões. O balanço foi favorecido, em parte, por um efeito não recorrente ligado à cisão da Sony Life, que gerou ganhos contábeis relevantes no período. A empresa também revisou para cima sua projeção para o ano fiscal encerrado em março de 2026, elevando a estimativa de lucro operacional para aproximadamente US$ 10 bilhões, alta de 8% em relação à previsão anterior divulgada ao mercado.

No braço cinematográfico, a Sony Pictures Entertainment registrou queda de 11% na receita, que atingiu US$ 2,32 bilhões, enquanto o lucro operacional recuou 9%, para US$ 197 milhões. A retração reflete uma base de comparação elevada no ano passado, impulsionada principalmente pelo desempenho de Venom: A Última Rodada e por receitas de licenciamento associadas a filmes lançados nos cinemas.

 

Diferentemente de 2024, o trimestre atual contou com um calendário menos robusto, sem outros blockbusters de porte equivalente. Ainda assim, o catálogo recente da Sony inclui produções com boas arrecadações globais, como Jujutsu Kaisen: Execução com US$ 44,4 milhões, Chainsaw Man - O Arco da Reze, US$ 162,5 milhões, o sucesso absoluto de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito com US$ 732,8 milhões. E ainda o segundo mês de Amores Materialistas com US$ 107,9 milhões. Os números mostram a grande força que os filmes de animes japoneses tem importante aceitação, extrapolando o mercado asiático.

Enquanto o cinema perdeu tração, a divisão de música foi o principal destaque operacional do grupo. A receita do segmento cresceu 13%, para US$ 3,5 bilhões, com avanço de 9% no lucro operacional. O streaming musical seguiu em expansão, com crescimento anual de 5% em música gravada e 13% em publicidade, em dólar. Já a área de games e serviços de rede, liderada pelo PlayStation, teve receita 4% menor, mas elevou o lucro operacional em 19%, sustentada por câmbio favorável, vendas de títulos próprios e aumento de receitas de serviços.
 
No consolidado, a Sony apresentou um trimestre ambíguo: com boa rentabilidade e o segmento de cinema operando abaixo do pico do ano anterior. A estratégia do conglomerado segue ancorada na diversificação entre conteúdo, tecnologia e semicondutores, reduzindo a dependência de ciclos específicos de bilheteria e reforçando a previsibilidade do resultado anual.
 
LIONSGATE
 
A Lionsgate Studios registrou receita de US$ 724 milhões no terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 — período também encerrado em dezembro, como as majors acima, embora o ano fiscal da empresa se conclua apenas em março —, alta de 18% e acima das projeções de Wall Street. O lucro operacional foi de US$ 85 milhões. 
 
O desempenho foi puxado pelo segmento de cinema, cuja receita avançou 35%, para US$ 421 milhões, impulsionada pelos lançamentos de A Empregada — que terminou o ano com US$ 60,5 milhões e continua o bom desempenho para 2026, e Truque de Mestre: O 3º Ato, arrecadando US$ 242,4 milhões.
 
O lucro do segmento de filmes foi de US$ 58,5 milhões, pressionado por maiores investimentos em lançamentos e marketing. No consolidado, a companhia registrou prejuízo líquido trimestral de aproximadamente US$ 44 milhões. A estratégia segue ancorada em franquias e IPs, com um calendário que inclui Michael e Jogos Vorazes - Amanhecer na Colheita, além de novos capítulos de marcas como John Wick, Jogos Mortais e A Bruxa de Blair.
 
Na televisão, a receita foi de US$ 303 milhões, com queda na comparação anual em razão do timing de entregas de episódios, parcialmente compensada pelo desempenho da biblioteca. A receita acumulada de catálogo nos últimos 12 meses alcançou recorde de US$ 1,05 bilhão, quinto trimestre consecutivo de crescimento.
 
AMAZON/MGM
 
A Amazon possui em seu leque uma ampla gama de serviços e produtos, por isso o faturamento no quarto trimestre fiscal de 25 foi de impressionantes US$ 213,4 bilhões, superando as expectativas de Wall Street. Além disso, a empresa anunciou que espera aumentar seus investimentos em cerca de 50%, para US$ 200 bilhões em 2026. No último trimestre, o lucro líquido foi de US$ 21,2 bilhões, um aumento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
 
A receita dos serviços de assinatura da Amazon, que incluem o Prime Video além de serviços de assinatura de vídeo digital, audiolivros, música digital, e-books e outros serviços, aumentou 14% e atingiu US$ 13,12 bilhões. Em relação ao serviço de streaming, Andy Jassy, presidente e CEO da Amazon, destacou que o Prime Video alcança mais de 315 milhões de espectadores mensais em todo o mundo, um aumento em relação aos 200 milhões em meados de 2024.
 
O investimento total em conteúdo em 2025, incluindo vídeos e músicas, aumentou 10% e chegou a US$ 22,4 bilhões. Os gastos com conteúdo incluem séries originais e filmes produzidos pela Amazon MGM Studios como Fallout, Jack Ryan, Reacher, Operação Natal, Matador de Aluguel, Uma Ideia de Você, entre outros. Outro destaque do serviço de streaming da Amazon inclui os direitos pagos à NFL pelo pacote de jogos do "Thursday Night Football", que são os jogos de quinta-feira da liga de futebol americano. Estima-se que a empresa pague cerca de US$ 1 bilhão por ano à liga, mas em contrapartida, os jogos tiveram uma média de mais de 15 milhões de espectadores, um aumento de 16%.
 
PARAMOUNT
 
Em meio ao iminente desejo de adquirir a Warner, a Paramount anunciou que registrou um aumento de 2% na receita total do quarto trimestre, atingindo US$ 8,15 bilhões. Esse foi o primeiro trimestre completo desde a aquisição pela Skydance, em agosto do ano passado, e a receita da divisão de Mídia Televisiva caiu 5%, impactada por uma queda de 10% na receita publicitária.
 
Apesar do aumento na receita, a empresa proprietária da rede de televisão CBS e do Paramount+ registrou um prejuízo maior do que no mesmo período do ano anterior, passando de US$ 224 milhões para US$ 573 milhões. As assinaturas do principal serviço de streaming, o Paramount+, aumentaram 4% em relação ao ano anterior, atingindo 78,9 milhões, o que contribuiu para um aumento de 10% na receita direta ao consumidor, que atingiu US$ 2,21 bilhões.
 
A receita com entretenimento cinematográfico, por sua vez, aumentou 16% e chegou a quase US$ 1,26 bilhão, tendo como alguns de seus destaques O Sobrevivente, Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada, e Se Não Fosse Você.
 
David Ellison, CEO da Paramount, também afirmou que uma aquisição da Warner ajudaria a impulsionar a situação financeira da empresa, com a Warner sendo um "acelerador" para atingir seus objetivos de uma forma economicamente atraente para os acionistas. "Vemos a WBD como um acelerador para atingirmos esses objetivos mais rapidamente", disse.
 
WARNER
 
Em meio a disputa de Netflix e Paramount pela aquisição da Warner, a empresa divulgou que reduziu seus prejuízos no último trimestre, para US$ 252 milhões entre outubro e dezembro, e também comemorou o número de 132 milhões de assinantes no HBO Max, seu serviço de streaming. Com o lançamento do serviço em países como Alemanha, Itália, Irlanda e Reino Unido a expectativa é que o número de 150 milhões de assinantes seja atingido até o final do ano.
 
Os números divulgados fizeram a receita do streaming aumentar 5% em relação ao ano anterior e atingir US$ 2,8 bilhões. Por outro lado, as do segmento de estúdio caíram 13%, para US$ 3,2 bilhões, enquanto a divisão global de canais de TV da WBD registrou uma queda de 12%, para US$ 4,2 bilhões. No setor de streaming, as vendas de distribuição aumentaram 3% (US$ 2,4 bilhões) e as vendas de publicidade saltaram 18%, para US$ 278 milhões.
 
Analisando o segmento de estúdios da WBD, a bilheteria caiu 11%, a receita de TV caiu 18% e as vendas de jogos despencaram 34%.
 
No último trimestre, a Warner reportou um prejuízo líquido de US$ 252 milhões, sobre uma receita de US$ 9,5 bilhões, com um fluxo de caixa livre de US$ 1,4 bilhão. Atualmente a dívida da empresa é de US$ 33,5 bilhões.

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