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24 Abril 2026 | Yuri Cavichioli

Disney apresenta Infinity Vision, solução premium para grandes formatos

Certificação chega em meio à disputa por salas premium e reforça alternativa da Disney ao IMAX para grandes lançamentos

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(Foto: Divulgação)

A corrida pelos formatos premium ganhou um novo capítulo antes mesmo da temporada de fim de ano de 2026 começar. Em um mercado onde acesso a telas diferenciadas influencia ocupação, preço médio e potencial de receita, a disputa deixou de ser apenas por público e passou também pelo domínio dos ambientes de exibição.

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A Disney anunciou na CinemaCon o Infinity Vision, certificação voltada a salas premium de grande formato, em um movimento que chega em meio às tensões envolvendo o circuito IMAX e a concorrência por janelas privilegiadas para grandes lançamentos.

Com Duna Parte 3 e Vingadores: Doutor Destino previstos para 17 de dezembro de 2026, a disputa por telas premium recolocou em pauta temas como disponibilidade de infraestrutura, critérios de programação e dependência de circuitos proprietários para grandes lançamentos.

O cenário ganha peso pelo potencial comercial dos dois títulos, que despontam como candidatos a concentrar demanda por sessões premium, segmento associado a maior ticket médio e desempenho relevante em grandes estreias. O acesso a salas diferenciadas pode influenciar na ocupação, preço médio e no resultado de bilheteria, pontos importantes para dois IPs de grande relevância e com alto valor de produção. Vale lembrar que Vingadores: Ultimato (2019), anterior a Vingadores: Doutor Destino, detém a segunda maior bilheteria da história (US$ 2,799 bilhões), atrás apenas de Avatar (2009), com US$ 2,923 bilhões. Enquanto Duna: Parte 2 (2024) faturou pouco mais de US$ 714 milhões.

Nesse contexto, os formatos premium assumem um papel que vai além da experiência do espectador. Eles concentram ingressos de maior valor, elevam consumo de bomboniere e operam como ativos estratégicos para programação. O IMAX, principal referência desse segmento há décadas, construiu relevância justamente nesse território, combinando tecnologia proprietária, força de marca e influência sobre lançamentos filmados com suas câmeras.

No Brasil, o circuito conta hoje com 11 complexos com salas IMAX, modelo ainda restrito pelo alto custo de implantação e por uma operação baseada em acordos específicos entre exibidores e empreendimentos. Em paralelo, formatos como XD, XPLUS e Dolby Cinema passaram a disputar espaço nesse segmento em diferentes mercados.

A Disney apresentou o Infinity Vision durante a CinemaCon 2026. A certificação estabelece critérios técnicos para salas com grandes telas, projeção a laser de alta resolução e sistemas de áudio premium. Segundo a companhia, já existem 75 salas certificadas nos Estados Unidos e cerca de 300 fora do país.

O debate se intensificou após a IMAX confirmar, em apresentação para investidores, uma janela de exclusividade para Duna: Parte 3 no circuito e indicar que Vingadores: Doutor Destino não terá lançamento em IMAX nos Estados Unidos, com exibição prevista apenas em mercados selecionados. 

A proposta da Disney é posicionar um selo capaz de homologar estruturas premium fora do ecossistema IMAX, oferecendo uma alternativa para lançamentos que buscam escala nesse segmento. Para o mercado, a iniciativa também sinaliza uma tentativa de reduzir a dependência de um circuito cuja oferta é limitada e cuja programação é tradicionalmente centralizada.

Esse cenário reforça o lançamento do Infinity Vision como resposta a uma discussão que envolve acesso a telas premium, negociação comercial e competitividade entre distribuidores. 

Para exibidores, a iniciativa pode representar novas oportunidades de posicionamento para salas premium, com potencial para fortalecer diferenciação, capturar demanda de grandes lançamentos e criar alternativas comerciais além dos circuitos proprietários tradicionais.

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