27 Abril 2026 | Redação
Brasil premiado no Festival Internacional de Cine en Guadalajara
Durante o evento, foram lançadas duas iniciativas para cooperação e fortalecimento dos cinemas ibero e latino-americano
A 41ª edição do Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG) aconteceu entre os dias 17 e 25 de abril, no México, e premiou dois filmes brasileiros: o longa Feito Pipa (Paris Filmes), dirigido por Allan Deberton, e o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai. As informações são do Variety e G1.
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O longa de Deberton foi reconhecido como Melhor Filme e Melhor Interpretação - para Teca Pereira e Yuri Gomes - na seção Maguey, dedicada a obras com temáticas queer e LGBTQ+. O filme acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma (Teca Pereira), que o cria de forma livre e afetuosa. Quando a saúde de Dilma se fragiliza, ele tenta esconder a situação para evitar ser separado dela e precisar ir morar com o pai, interpretado por Lázaro Ramos.
O júri justificou o prêmio com a seguinte declaração: “Este filme nos mostra a magia, a inocência e o amor por meio de seus personagens. O filme constrói uma história universal a partir do ponto de vista de um personagem, complementada pelo design de produção, pelas atuações e pela cinematografia. E, especialmente, nos convida a trabalhar e a construir em espaços seguros para as identidades queer e para as pessoas que amamos.”
Já o filme de Eliza Capai levou o prêmio de Melhor Feito Técnico-artístico da Competição Ibero-americana de Documentários. A diretora acompanhou garotas de 7 a 12 anos na cidade de Guaribas, no Piauí. “Através do olhar delas, entendemos como essas meninas, que emergiram recentemente da pobreza, questionam o machismo estrutural e acessam muito mais oportunidades de sonhar do que as gerações anteriores", conta Capai.
De acordo com o júri, a escolha foi pelo êxito do filme em “usar uma abordagem lúdica para retratar a vida de garotas adoráveis com muita alegria, dentro de uma realidade complexa. Destacando elementos como fotografia, som, edição e direção, ele alcança congruência com a visão da diretora”.
O Chile foi o convidado de honra deste ano no festival e Hangar Vermelho, longa de estreia do diretor Juan Pablo Sallato, dominou a competição, levando para casa todos os principais prêmios, incluindo melhor filme, direção e roteiro. O filme, rodado em preto e branco, revisita os silêncios que ainda cercam o golpe contra Salvador Allende, conectando o passado político com as ansiedades contemporâneas.
Na seção Prêmio Mezcal, dedicada aos filmes mexicanos, Querida Fátima levou os prêmios de melhor filme, direção e público. O documentário investiga casos não resolvidos de feminicídio no México, com direção coletiva: Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez.
A secretária técnica e executiva da Ibermedia, Elena Vilardell, recebeu homenagem por promover a colaboração entre os países ibero-americanos. Além dela, também recebeu homenagem o diretor de Cisne Negro, Darren Aronofsky.
Cooperação regional
Durante o FICG, 11 festivais de cinema ibero-americanos, incluindo Guadalajara, Sanfic (Chile), Málaga, Lima, Rio de Janeiro, Buenos Aires, São Paulo, Morelia, Havana e Bogotá, lançaram o Iberfest, com o objetivo de agilizar e facilitar a cooperação entre si.
Andrés Bayona, diretor do Festival Internacional de Bogotá, afirmou que o evento deve otimizar a comunicação entre os festivais e levar ao compartilhamento de custos, equipamentos e materiais sempre que possível.
“Isso desfaz um mito urbano de que os festivais competem entre si. É verdade que todos queremos a melhor programação, mas há já algum tempo que aprendemos que a colaboração e o encontro de objetivos comuns permitem-nos sempre ir mais longe na concretização dos nossos objetivos. A união faz a força”, disse Juan Antonio Vigar, diretor do Málaga Festival.
Além disso, uma nova iniciativa regional para circulação de filmes latino-americanos foi apresentada no festival. Liderada pelo produtor e distribuidor Guillermo Blanco, a LATAM Screenings consiste em um circuito de lançamento coordenado em toda a região, com quatro filmes sendo exibidos consecutivamente, um por semana, em cada país, seguindo um modelo de turnê pela América Latina.
Segundo Blanco, os mesmos quatro títulos irão de um território para o outro, replicando seu lançamento nos cinemas em cada mercado, com cada título permanecendo em cartaz por duas semanas e completando uma turnê regional ao longo do ano.
O thriller de assalto Abracadáver, do mexicano Pancho Rodríguez, dará início ao circuito, que terá como primeiros territórios de exibição México, Colômbia, Argentina, Peru, Chile, República Dominicana e Equador.
Vencedores do FICG 2026
- Prêmio Mezcal
- Melhor Longa Metragem Mexicano: “Querida Fátima”, Lorena Gutiérrez, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez- Melhor Direção: “Querida Fátima”, Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez
- Melhor Fotografia: Diego Tenorio por “Cidade dos Mortos”
- Melhor Performance: Oustin de León por “Eu sou Mario”
- Prêmio do Público: “Querida Fátima” de Lorena Gutiérrez Rangel, Su Kim, Jesús Quintana Vega, Rodrigo Reyes e Dawn Valadez
- Prêmio do Júri Juvenil: “O mesmo sangue”, Ángel Ricardo Linares Colmenare
- Melhor Longa-Metragem de Ficção Ibero-Americano: “Hangar Vermelho”
- Menção Especial: “Nunkui”, Verenice Benítez
- Melhor longa de estreia: “Bairro triste”, Stillz
- Melhor Fotografia: “Hangar Vermelho”
- Melhor Direção: Juan Pablo Sallato por “Hangar Vermelho”
- Melhor Roteiro: Luis Emilio Guzmán por “Hangar Vermelho”
- Melhor Performance: Ex aequo Nicolás Zárate por “Hangar Vermelho” e María Magdalena Sanizo por “The Condor Daughter”
- Documentário Ibero-Americano Longa-Metragem
- Melhor Documentário Ibero-Americano: “Niñas escarlata”, Paula Cury
- Menção Especial: “Flores para Antonio”, Elena Molina e Isaki Lacuesta- Melhor Direção: “Niñas escarlata”, Paula Cury
- Melhor Fotografia: “A fabulosa máquina do tempo”, Eliza Capai (Brasil)
- Prêmio Maguey
- Melhor Filme: “Feito pipa”, Allan Everton
- Menção Honrosa: “Nosso corpo é uma estrela que se expande”, Semillites Hernández Velasco, Tania Hernández Velasco- Prêmio do Júri: “Eu sou Mario”, Sharon Kleinberg
- Melhor Performance: Yuri Gomes e Teca Pereira por “Feito pipa”
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