19 Maio 2026 | Redação
Ministério da Cultura e parceiros promovem o Brasil em Cannes
Agenda teve conferências, masterclasses, screenings e conversas sobre coproduções
O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria do Audiovisual (SAv), promoveu uma série de ações em Cannes desde a última sexta-feira (15) até esta segunda (18), reunindo mais de 200 profissionais para ações de mercado, coproduções internacionais e lançamento de estratégias para o setor.
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A comitiva iniciou sua agenda com a conferência "Brasil Além – a Próxima Década da Indústria Audiovisual Brasileira". No palco principal do Palácio dos Festivais, a Secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga - ao lado de Maria Paula Velloso, Diretora de Negócios da ApexBrasil, Tatiana Leite, CEO do Bubbles Project, e Jonas Paloschi, Chefe do Setor Cultural da Embaixada do Brasil em Paris - apresentou ao mercado estrangeiro a nova estratégia do Governo Federal para o desenvolvimento do setor audiovisual brasileiro no período de 2026 a 2035.
O plano busca reposicionar o Brasil na vanguarda da agenda criativa global, por meio do aprimoramento de políticas públicas, atração de instrumentos fiscais robustos e criação de um ambiente regulatório competitivo. O objetivo é consolidar o território nacional não apenas como um exportador de conteúdo, mas como uma plataforma internacional de coprodução, investimento e circulação de obras.
A fundamentação está em números apresentados pela ApexBrasil: o setor audiovisual brasileiro movimentou R$ 70,2 bilhões e gerou mais de 608 mil empregos diretos e indiretos. Em 2025, o setor registrou o maior volume de investimentos públicos de sua história, com R$ 1,41 bilhão desembolsados (alta de 29% em relação ao ano anterior), resultando em 367 filmes exibidos e mais de 11 milhões de espectadores nas salas nacionais.
No Marché du Film 2026, o Brasil teve um pavilhão de 96 m² e uma delegação de cerca de 80 empresas e quatro distribuidoras nacionais em uma agenda intensa de rodadas de negócios one-to-one e encontros bilaterais com nove delegações - incluindo França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Polônia, Colômbia, Chile e Uruguai -, além de introduções estratégicas aos mercados asiáticos (China, Japão, Coreia do Sul e Índia).
Outras atividades
Ainda na sexta-feira, no período da tarde, uma masterclass realizada em parceria com a Paris Region Film Commission mapeou mecanismos de financiamento e caminhos práticos para filmagens no Brasil e na França, numa cooperação bilateral entre os dois países.
Já no sábado (16), foi promovida uma ação inédita de apoio às distribuidoras brasileiras independentes, o Brazilian Line-Up, uma exibição de mercado (market screening) focada nas distribuidoras brasileiras. As empresas O2 Play, Fistaile e Retrato Filmes apresentaram seus catálogos, impulsionando a comercialização de obras nacionais para compradores de todo o mundo.
No domingo (17) aconteceu o debate "Inteligência Artificial no Setor Audiovisual", que uniu lideranças femininas brasileiras e francesas para discutir os desafios da inovação responsável. O painel destacou o impacto das novas tecnologias nos diversos segmentos produtivos e aspectos a serem debatidos neste novo momento de regulamentação.
E na segunda-feira (18) houve um painel sobre coprodução Brasil-Japão, a partir da celebração dos 130 anos de relações diplomáticas entre Brasil e os dois países, numa iniciativa da Brazil-Asia Film Association (Abrasia) e do programa Cinema do Brasil. Além disso, a Matinée Brasil reuniu algumas das principais instituições que integram o ecossistema audiovisual brasileiro, para anúncios, lançamentos e apresentação de agendas de trabalho. Essa iniciativa foi uma promoção conjunta do Festival do Rio, RioFilme, Spcine, Embratur, Projeto Paradiso, Rede Globo e Governo do Brasil, através do Ministério da Cultura.
Outros destaques da agenda foram o Goes to Cannes, apresentado pelo Festival do Rio e pela RioFilme, que promoveu cinco filmes pré-selecionados para distribuidores, agentes de venda e curadores internacionais, e o lançamento da plataforma global Sala54, do Instituto Nicho 54, dedicada à distribuição do cinema negro brasileiro no exterior.
"Nossa presença intensa em Cannes reforça que o Brasil é um território fértil para parcerias e cooperações. Seja estreitando laços históricos com a França ou celebrando nossa relação com o Japão e com outros países presentes no Marché du Film, estamos mostrando ao mundo que nossos mecanismos de fomento e a nossa diversidade cultural nos colocam, de forma competitiva, no centro do audiovisual global", disse Joelma Gonzaga.
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