22 Maio 2026 | Yuri Cavichioli
Como Universal, Sony e Lionsgate estão sustentando seus negócios
Resultados dos balanços atuais das companhias revelam pesos diferentes entre streaming, TV e cinema
Os balanços mais recentes de Universal, Sony e Lionsgate mostram dinâmicas distintas dentro da indústria audiovisual, com cada companhia apoiada em frentes diferentes para sustentar resultados. Enquanto a controladora da Universal foi impulsionada por publicidade e streaming, a Sony encontrou apoio em anime e televisão, e a Lionsgate registrou recuperação no cinema puxada pelo desempenho de A Empregada.
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Os números também mostram como a composição das receitas segue diversificada entre os grandes players. Além da venda de ingressos, entram na conta licenciamento de conteúdo para terceiros, streaming, televisão, home entertainment e janelas premium de aluguel digital. Em alguns casos, eventos esportivos e parques temáticos também tiveram peso relevante nos resultados corporativos.
Universal
A Comcast, controladora da Universal, reportou receita total de US$ 31,46 bilhões no primeiro trimestre, alta de 5,3% na comparação anual. O grupo atribuiu parte relevante desse resultado à força publicitária gerada pelos Jogos Olímpicos de Inverno e pelo Super Bowl, que adicionaram US$ 2,2 bilhões em receita. O Peacock, plataforma de streaming da empresa, encerrou março com 46 milhões de assinantes pagos.
O serviço registrou receita de US$ 2 bilhões no período, ante US$ 1,2 bilhão no mesmo intervalo do ano anterior, mas permaneceu operando no vermelho, com prejuízo de aproximadamente US$ 432 milhões. Durante teleconferência com analistas, o CFO da Comcast, Jason Armstrong, afirmou que o segundo trimestre pode representar uma inflexão para a plataforma, com expectativa de aproximação da lucratividade.
Na divisão de estúdio, a receita foi beneficiada principalmente pelo licenciamento de conteúdo, prática que envolve a cessão de direitos de exibição para outras plataformas ou empresas. Já a arrecadação com lançamentos nos cinemas recuou em razão de um calendário com menos estreias em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Mas a Universal manteve presença no circuito com títulos como Hamnet: A Vida Antes de Hamnet, que somou US$ 108 milhões, Uma Segunda Chance, com US$ 88 milhões, e Song Sung Blue, que alcançou US$ 58 milhões. A área de parques temáticos, por sua vez, avançou 24%, chegando a US$ 2,3 bilhões em receita.
Sony
A Sony encerrou o ano fiscal de 2025 com receita praticamente estável em US$ 9,92 bilhões, enquanto o lucro operacional caiu 11%, para US$ 687 milhões. O impacto principal veio do encerramento das operações da Pixomondo, empresa de efeitos visuais e produção virtual adquirida pela companhia em 2022. Sem esse efeito extraordinário, o lucro operacional teria subido para cerca de US$ 858 milhões.
O principal destaque comercial da divisão foi Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Infinity Castle, que ultrapassou US$ 740 milhões em bilheteria global. Ainda assim, a receita da unidade de filmes caiu 18%, fechando em US$ 3,28 bilhões. Em contrapartida, a divisão de produções televisivas avançou 12%, para US$ 3,39 bilhões, enquanto a área de media networks, que inclui o Crunchyroll, cresceu 13%, alcançando US$ 3,17 bilhões.
A base total de assinantes dos canais de televisão e plataformas digitais da empresa caiu de 627,3 milhões para 531,7 milhões, puxada principalmente pela retração no mercado indiano. Ao comentar os resultados, a companhia destacou a estratégia voltada ao fortalecimento de franquias, com lançamentos futuros como Homem-Aranha: Um Novo Dia e Jumanji: Open World.
No quarto trimestre fiscal, encerrado em março, a receita da Sony avançou 14%, chegando a JPY 472,9 bilhões (aproximadamente US$ 3 bilhões). No período, Um Cabra Bom de Bola, animação produzida pela Sony Pictures Animation, arrecadou US$ 192 milhões mundialmente após sua estreia em fevereiro.
Lionsgate
A Lionsgate registrou a recuperação mais expressiva entre os estúdios analisados, com receita consolidada de US$ 906 milhões no trimestre fiscal encerrado em março, ante US$ 865 milhões no mesmo período do ano anterior. A companhia reverteu prejuízo e registrou lucro líquido de US$ 70 milhões. A divisão de filmes alcançou US$ 651,9 milhões em receita, alta de 23%, enquanto o lucro do segmento subiu 39%, para US$ 187,1 milhões.
O desempenho foi impulsionado por A Empregada, que arrecadou quase US$ 400 milhões globalmente e também teve forte resultado nas plataformas digitais pagas, com bom desempenho na janela Premium VOD (premium video on demand), modelo de aluguel antecipado com preço superior ao tradicional. Segundo a companhia, o longa ainda se tornou o título de maior desempenho da história da Starz na janela pay-one, primeira etapa de licenciamento para streaming por assinatura e TV paga após a passagem pelos cinemas.
Jon Feltheimer, CEO da Lionsgate, celebrou: “Nossa biblioteca alcançou US$ 1 bilhão em receita acumulada nos últimos 12 meses por três trimestres consecutivos, mais da metade das nossas frentes de cinema, televisão e entretenimento ao vivo é composta por propriedades de marca e recorrentes, e grandes sucessos como A Empregada e Michael estão fortalecendo nossa marca e aumentando nossa visibilidade futura.”
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