Como os festivais podem impulsionar a circulação comercial dos filmes
Em entrevista, curador do SXSW falou o papel dos festivais na construção de valor e visibilidade
Compartilhe:
(Foto: Divulgação)
Acontece nesta semana, na capital paulista, a segunda edição do São Paulo Audiovisual Hub. Iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado, o evento reúne uma programação voltada à formação, internacionalização e geração de negócios, com 30 convidados internacionais de 16 países, incluindo agentes de vendas, produtores, distribuidores, representantes de festivais e film commissions internacionais.
Um dos destaques é Jim Kolmar, que participará nesta quinta-feira (11) do painel “Desvendando os Festivais de Cinema: da inscrição à estreia”. Kolmar atua na indústria cinematográfica há mais de 20 anos e, desde 2009, é curador de longas-metragens internacionais e documentários do SXSW, um dos maiores e mais influentes eventos de inovação e cultura do mundo, realizado anualmente em Austin, no Texas.
Seus trabalhos de curadoria e consultoria incluem também o Festival Internacional de Cinema de Curaçao, Festival de Cinema de Trinidad e Tobago, Festival de Cinema de Adelaide, o KINO! Germany Now (Goethe Institute/German Film Office) e o Panoramica para a Play Acción Cultural na Espanha. Mensalmente, apresenta o KINO! Film Salon, em parceria com a Telescope Film.
Além disso, participou como consultor e membro de diversos júris, painéis e comitês do Cannes Docs, EFM, FICCALI, Locarno Industry Academy (Bogotá), REC Festival e Sarajevo Film Festival, entre outros.
Em entrevista ao Portal Exibidor, ele falou sobre como os festivais podem se conectar ao circuito exibidor comercial. Confira:
Os festivais de cinema são frequentemente vistos como vitrines para novos filmes, mas muitas produções independentes têm dificuldade em alcançar o público após suas estreias em festivais. Que estratégias você considera mais eficazes para transformar o reconhecimento em festivais em sucesso comercial?
Acho que isso depende de como você aproveita a experiência direta do festival. Com quem você está se conectando nas sessões do seu filme? Que tipo de acompanhamento está fazendo depois? Muito disso dependerá da natureza do festival (há uma forte presença da indústria? Da imprensa? O filme ressoa com o público local?). Também considero extremamente importante ter seu próximo filme em mente enquanto percorre esse caminho. Nós também estamos interessados no seu futuro.
Como curador, você também leva em consideração os fatores que podem fazer um filme atrair a atenção de distribuidores e compradores durante um festival? O que diferencia os títulos que conseguem fazer a transição para o mercado?
O ponto de partida é sempre o próprio filme e a forma como ele pode ressoar junto ao público. Mas nós também levamos em conta o potencial de mercado e buscamos montar uma programação variada, com títulos inéditos disponíveis para aquisição e outros que talvez já tenham agentes de vendas ou distribuição garantida. É sempre uma questão de equilíbrio.
Em um cenário marcado pela intensa competição entre salas de cinema e plataformas digitais, qual é o papel dos festivais na construção do valor e da visibilidade de um filme?
Em muitos casos, a experiência em festivais pode acabar sendo toda a vida do filme nas salas de cinema. Mas vale lembrar que a sustentabilidade é fundamental, e utilizar os festivais para construir uma audiência, encontrar seus apoiadores e talvez até descobrir novos colaboradores é extremamente importante.
O SXSW é conhecido por identificar tendências antes que elas se consolidem no mercado. Que tendências de consumo audiovisual surgidas nos últimos anos você acredita que merecem maior atenção por parte de exibidores e distribuidores?
Não sei se isso pode ser considerado uma tendência recente, mas tenho a sensação de que o público busca experiências reais e significativas, e não apenas uma forma de ocupar o tempo. As pessoas também querem sentir um senso de pertencimento e tenho percebido um certo carinho pelo suporte físico, algo que merece atenção.
O Brasil vem ganhando cada vez mais destaque no cenário internacional e mantém uma presença forte em festivais ao redor do mundo. Se você pudesse apontar uma oportunidade ainda pouco explorada pelos profissionais do audiovisual brasileiro em sua relação com os festivais internacionais, qual seria?
Prestem menos atenção ao que vocês acham que os festivais querem e mais atenção às histórias e ideias que ainda não foram contadas. Todos os programadores que conheço e considero amigos estão famintos por originalidade e expressão autêntica. O que ainda não foi visto? É isso que queremos ver.