Exibidor

Publicidade

Notícias /mercado / Financiamento Audiovisual

10 Julho 2026 | Yuri Cavichioli

Financiamento privado existe, mas não fecha a conta das produções na Austrália, aponta estudo

Levantamento da Screen Australia mostra que distribuidoras, agentes de vendas e pré-vendas cobrem apenas parte dos orçamentos

Compartilhe:

(Foto: Divulgação)

O investimento privado está presente nos projetos audiovisuais australianos, mas raramente consegue viabilizar uma produção sozinho. É o que aponta um levantamento da Screen Australia, agência federal responsável pelo fomento ao audiovisual no país. Segundo a análise, distribuidoras, agentes de vendas, pré-vendas e investidores privados fazem parte da estrutura financeira das obras, mas não são suficientes para concluir a captação.



O estudo analisou 197 pedidos de financiamento apresentados entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, sendo 119 longas-metragens, 59 séries de drama para TV voltadas ao público adulto e 19 produções infantis. Elaborado pela equipe de Mercado e Audiência da Screen Australia, o levantamento busca oferecer aos produtores parâmetros mais realistas sobre quanto mecanismos de mercado costumam contribuir para o financiamento de um projeto.

Entre os instrumentos analisados estão os adiantamentos de distribuição, garantias mínimas (minimum guarantee ou MG), pré-vendas e financiamento complementar (gap financing). A garantia mínima é um pagamento antecipado feito por um distribuidor ou agente de vendas pelos direitos de comercialização da obra, enquanto o financiamento complementar cobre a parcela do orçamento ainda sem recursos assegurados.

Entre os longas, 97% dos projetos incluíam um adiantamento de distribuição para Austrália e Nova Zelândia, mas esse mecanismo representava menos de 5% do orçamento total na maior parte dos casos.

As vendas internacionais estavam ligadas a 96% dos projetos analisados, mas apenas 48% incluíam uma garantia mínima. Na maior parte dos casos, esses adiantamentos ficaram abaixo de US$ 345 mil, embora algumas produções de maior orçamento tenham conseguido garantias superiores a US$ 1,38 milhão.

O financiamento complementar apareceu em 34% dos longas analisados, principalmente entre produções com orçamento entre US$ 3,45 milhões e US$ 10,35 milhões. Mesmo recorrendo a esse mecanismo para completar o orçamento, 70% desses projetos ainda apresentavam uma diferença superior a 10% entre os recursos captados e o custo total de produção.

As pré-vendas internacionais, acordos fechados antes da conclusão do filme para garantir sua comercialização em outros territórios, apareceram em apenas 19% dos planos financeiros. Ainda assim, sete produções com orçamento inferior a US$ 3,45 milhões conseguiram esse tipo de contrato e, em três delas, as pré-vendas responderam por mais de 30% do orçamento. Já as coproduções oficiais estiveram presentes em apenas sete projetos, o equivalente a 6% da amostra, tendo Irlanda, Canadá, França e Índia como parceiros.

Dados de outro relatório da Screen Australia, sobre os longas que entraram em produção em 2024/25, ajudam a ampliar esse cenário. Segundo o documento, 44% do financiamento dessas obras veio de recursos governamentais. O investimento internacional respondeu por 36%, enquanto empresas australianas da cadeia audiovisual, como distribuidoras, emissoras e plataformas, participaram com 14%. Investidores privados não ligados diretamente ao setor responderam por apenas 6% da estrutura financeira dos projetos.

*Com informações da Variety e Screen Australia

Compartilhe:

  • 0 medalha