Brasil deve faturar US$ 14,4 bilhões em vídeo online até 2029 e se consolidar como modelo na América Latina
País deverá se tornar o segundo maior mercado internacional de serviços FAST em receita, superando o Canadá
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(Foto: Reprodução)
Um relatório produzido pela Omdia, empresa de pesquisa e consultoria em tecnologia, revelou que o Brasil tende a consolidar nos próximos anos sua posição como o principal modelo operacional em serviços FAST (sigla para Free Ad-Supported Streaming TV) na América Latina, alcançando um faturamento de US$ 14,4 bilhões em vídeo online até 2029. Para quem não é familiarizado com o termo, esses são serviços de transmissão via internet que oferecem canais lineares (com programação contínua, no estilo da TV tradicional) gratuitamente, sendo monetizados por meio de anúncios publicitários. No Brasil, destacam-se plataformas como Samsung TV Plus, Pluto TV e Globoplay.
O estudo "O Panorama do Vídeo Digital na América Latina 2026"reúne dados proprietários da empresa global de mídia programática MiQ, informações de mercado e projeções de diferentes fontes para analisar como a fragmentação das audiências, a evolução da TV Conectada (CTV) e as mudanças no comportamento dos consumidores. O documento aponta que hoje o Brasil tem uma média de quatro horas diárias de consumo de vídeo por usuário e reúne as condições para se tornar o segundo maior mercado internacional de FAST em receita, superando o Canadá.
Em um mercado fragmentado, seja das audiências, das telas, dos modelos de monetização ou até dos hábitos de descoberta de conteúdo, o avanço da TV Conectada e consumidores administrando múltiplas plataformas de streaming simultaneamente no Brasil mostram uma rápida e eficiente convergência entre CTV e Retail Media, que alçam o país ao posto de modelo operacional da região.
Hoje a CTV já alcança 60% da população digital da América Latina, com 95% dos usuários acessando conteúdo por meio de Smart TVs. Embora as TVs ainda sejam dominantes, a atenção do consumidor já não pertence a um único dispositivo e há a concorrência com smartphones, consoles e dispositivos de streaming, por exemplo. Nesse contexto, a tendência do futuro é a convergência, e o Brasil é apontado como um mercado maduro e intensivo para se tornar "o laboratório do futuro hiperconectado".
O modelo de consumo também passa por uma transformação e, de acordo com o relatório, 59% dos latino-americanos afirmam preferir modelos financiados por publicidade em troca de conteúdos gratuitos ou de menor custo, consolidando o avanço dos modelos AVOD (Advertising Video on Demand) e FAST. No Brasil, esse movimento é acompanhado por um consumidor altamente conectado. Um domicílio brasileiro administra, em média, 8,2 serviços de streaming, sendo 4,6 plataformas pagas e 3,6 gratuitas, refletindo um comportamento orientado por valor e uma busca crescente por flexibilidade no consumo de entretenimento.
Influência na tomada de decisão
Outro destaque apontado no relatório é a transformação da jornada de descoberta de conteúdo. Hoje, ela começa nas redes sociais e no YouTube, passa pelos dispositivos móveis e frequentemente termina na Smart TV. Nesse novo cenário, a recomendação social e os conteúdos esportivos ao vivo tornam-se elementos centrais para aquisição e retenção de audiência, sendo responsáveis por uma em cada três novas assinaturas de plataformas na América Latina.
No Brasil especificamente, o investimento em Internet (40,6%) já compete diretamente com a televisão (41,3%), mostrando um mercado altamente conectado, e com o dado de que 80% dos consumidores já compraram produtos recomendados por criadores de conteúdo, a influência passou a integrar definitivamente a jornada de decisão do consumidor. De acordo com o relatório, a tendência – e também oportunidade em nosso mercado – diante do cenário é incorporar essa força de recomendação a uma estratégia de mensuração omnicanal, capaz de superar a tradicional divisão entre "TV versus Internet".
"A televisão continua sendo um dos principais espaços de atenção das pessoas. O que mudou foi a forma como essa atenção é descoberta, distribuída e mensurada. Em um ecossistema cada vez mais fragmentado, as marcas precisam conectar dados, inteligência e mensuração para transformar complexidade em vantagem competitiva", destaca Guilherme Assumpção, diretor-geral do Brasil da MiQ.