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Artigo / Games

25 Fevereiro 2021

Vamos falar de horas de gameplay vs. preço dos jogos & experiência?

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Nos últimos dez anos para cá, há um ponto que tem me chamado muito a atenção: a preocupação de um sem número de pessoas com a relação “preço vs. horas de gameplay”. É completamente lógico, certo? Se você vai pagar R$ 250,00 em um game é bom que ele dure o máximo de horas possíveis de gameplay, correto? Eu confesso que já pensei desse jeito, mas de uns cinco anos para cá tenho mudado muito minha percepção em relação a esse contexto e, veja bem, isso é apenas uma opinião pessoal de jogador e game designer. Vou falar um pouco disso nesse artigo. Ah! Um detalhe importante: não estou considerando jogos multiplayer online nesse contexto, mas isso a gente discute em outro papo.

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As horas de gameplay são um fator essencial para justificar parte do preço de um game, mas é sempre bom lembrar que jogos – encarados como mídia e meios de entretenimento – possuem muitos outros fatores para justificar o que custam. Eu resolvi escrever esse texto pois muitos dos games que joguei nos últimos anos pecam por justamente adicionarem horas excessivas de gameplay em suas narrativas. A lista é grande, mas vou dar um exemplo aqui: “Jedi Fallen Order”.

Eu achei Jedi Fallen Order um jogo ok. Narrativamente ele insiste em um plot manjado para quem acompanha o universo expandido de Star Wars. Em termos de gameplay, me cansou absurdamente. Você precisa sair da sua nave para chegar em um determinado checkpoint para, depois de cumprir a missão – na maioria das vezes – ter que voltar todo o caminho sem nada de interessante para fazer. Nitidamente isso foi inserido para aumentar as horas de gameplay.

https://youtu.be/0GLbwkfhYZk

 

Jedi Fallen Order é um dos muitos casos que temos hoje de horas desnecessárias de gameplay. Eu sempre me questiono se o estúdio faz isso por conta de uma tentativa de narrativa mais imersiva ou só para aumentar as horas de gameplay e justificar o preço. Costumo comparar games com livros aqui. Você paga um valor de um livro pelo número de páginas? Se você chega na livraria e quer muito comprar o romance X que custa R$ 40,00 e tem 100 páginas você vai achar melhor comprar o Y que também custa R$ 40,00 e tem 500 páginas?

Me lembro muito bem quando Monument Valley foi lançado para smartphones. Uma galera caiu de pau em cima do game porque ele custava dois dólares e era possível terminá-lo em pouco mais de uma hora. Pra mim isso não faz sentido. Eu não pago livro pelo número de páginas. Eu não pago o show pelo número de músicas. Eu não pago o game por horas de gameplay. Eu consumo produtos de entretenimento pelo poder de experiência que eles me oferecem.

https://youtu.be/Yy2bXqs0x3o

 

Um ponto importante: continuo tendo vontade de jogar de tudo. Acho extremamente importante, até por questões de repertório, jogar indies e AAA; mas confesso que sinto saudade de alguns AAA mais “sintéticos” de alguns anos atrás. Ou só estou ficando velho e resmunguento mesmo.

Vicente Martin
Vicente Martin |

Vicente Martin (@vincevader) é professor dos cursos de Cinema, Sistemas de Informação e Publicidade da ESPM. Atua como game designer e é autor de diversos jogos digitais e de tabuleiro

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