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Artigo / Panorama

01 Junho 2021

Por um mercado de documentários

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O Brasil vive um momento interessante para a realização de documentários. A despeito do desmanche promovido nas políticas públicas de cultura, a produção de não-ficção cresce em volume de produções, relevância e audiência. 

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São inúmeros os fatores que apontam para o crescimento dessa que é a mais livre e criativa forma de fazer cinema. O principal deles é a urgência do momento atual. Documentar o que estamos vivendo é fundamental para refletir e superar o drama político e social do país. 

Mas existem vários fatores mercadológicos que colocam o documentário em um lugar de destaque no cenário audiovisual, tanto global quanto local. 

O acesso a equipamentos de filmagem de qualidade equiparável às grandes produções é só o começo dessa conversa. 

As ferramentas de financiamento coletivo abrem caminho para o desenvolvimento de públicos em relação direta com documentaristas, sobretudo em mercados de nicho. 

As plataformas de streaming vêm se tornando os espaços ideais para a exibição de documentários. Por elas estamos vivenciando uma verdadeira revolução na produção nacional, com um número crescente de títulos de grande audiência e impacto. Autores já com carreiras expressivas e consolidadas, ganham o grande público e viram assunto nas redes sociais. 

Com multiprotagonismo e autorrepresentação o documentário se torna um eficaz instrumento de inclusão, dando voz a cineastas mulheres, negros, indígenas, LGBTQI+. 

Apesar de todas as adversidades do momento atual, o documentário surge como um meio de resistência democrática. Mas precisa do engajamento de players do mercado, que podem auxiliar a criar um ambiente de negócios mais saudável, valorizando e impulsionando o mercado de documentários cada vez mais vivo, participativo e influente na sociedade. 

Leonardo Brant
Leonardo Brant

Documentarista e diretor-associado da Deusdará Filmes

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