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02 Junho 2026 | Redação

Coréia do Sul cria comitê para estabelecer janela de exibição de seis meses nos cinemas

Público nos cinemas coreanos caiu 53% desde 2019

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(Foto: Divulgação)

A duração das janelas de exibição nos cinemas é um dos assuntos que mais gera discussão no mercado cinematográfico atualmente, inclusive com Michael O'Leary, presidente e CEO da Cinema United, fazendo uma defesa de janelas mais longas durante a CinemaCon 2026. Diante dessa situação, que gera divergências principalmente entre exibidores e executivos de plataformas de streaming, a Coréia do Sul deu um importante passo na direção das longas janelas. Foi criado no país um comitê público-privado para estabelecer uma janela de exibição de seis meses no cinema. As informações são do Screen Daily.
 
Encabeçando essa iniciativa, o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coréia do Sul uniu forças com o Conselho Coreano de Cinema (KOFIC) para estabelecer as regras que visam impor o período obrigatório entre o lançamento de um filme nos cinemas e sua disponibilidade em plataformas de streaming. Na última sexta-feira (29), o comitê se reuniu pela primeira vez e foi composto por 22 representantes de toda a indústria cinematográfica local. Entre eles, executivos de estúdios de cinema, distribuidoras, redes de cinema e plataformas de streaming, além da ministra da Cultura, Chae Hwi-young. "Trabalharemos para chegar a um acordo de retenção que minimize os potenciais efeitos colaterais, refletindo as realidades do mercado e, ao mesmo tempo, maximizando as receitas do setor", disse ela.
 
A criação do comitê acontece no mesmo momento em que tramita um projeto de lei no legislativo coreano para impor uma janela de seis meses. A intenção da nova legislação é revitalizar o cinema local, que tem assistido o fechamento de inúmeras salas nos últimos anos. Desde de 2019, o público nos cinemas caiu 53%, enquanto a receita de bilheteria caiu de US$ 1,3 bilhão para US$ 694 milhões.
 
Apesar da pressão dos exibidores para a criação de uma janela de exibição nos cinemas, a legislação proposta tem sido alvo de críticas por parte de alguns distribuidores, estúdios de cinema e investidores, que argumentam que atrasos nos lançamentos secundários poderiam afetar negativamente as receitas e agravar a situação. O objetivo do comitê também é discutir medidas mais abrangentes para estabilizar a estrutura de receitas do setor e incentivar uma maior cooperação entre cinemas e plataformas de streaming.
 
Visando a retomada do setor, nos últimos meses o governo adotou algumas medidas que incluíram um orçamento suplementar de emergência de US$ 47,5 milhões, além da distribuição de 4,5 milhões de vouchers em maio, oferecendo descontos em ingressos de cinema. Agora, prestes a adotar novas medidas de proteção ao cinema, o principal desafio do comitê será impulsionar as diversas produções locais que têm apresentado baixo público nas salas escuras.

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