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05 Janeiro 2026 | Yuri Cavichioli

Cinema brasileiro ganha tração no circuito internacional com vitória histórica no Critics Choice Awards 2026

Premiação consolida a “O Agente Secreto” entre os principais mercados cinematográficos autorais e reforça corrida pelo Oscar

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(Foto: Divulgação)

O Critics Choice Awards 2026, que ocorreu ontem (4), marcou um novo capítulo para o cinema brasileiro ao consagrar O Agente Secreto (Vitrine Filmes) como Melhor Filme em Língua Estrangeira. O resultado amplia o impacto internacional iniciado no último ano por Ainda Estou Aqui (Sony) e confirma o Brasil como um player relevante no circuito de premiações internacionais, especialmente entre obras de perfil autoral e forte identidade estética.

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Na principal categoria da noite, Uma Batalha Após a Outra (Warner) saiu como o grande vencedor de Melhor Filme. O longa também garantiu o prêmio de Melhor Direção para Paul Thomas Anderson, trazendo mais uma pitada pela preferência de um cinema autoral em um evento que pode ser, parcialmente, tratado como termômetro para o Oscar.

Ainda sobre os prêmios da última noite, os laureados tendem a nortear uma tendência: valorização de obras que equilibram assinatura criativa, discurso contemporâneo e apelo crítico. Filmes como Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Universal), Pecadores (Warner), Valor Sentimental (Retrato Filmes | Mubi) e Sonhos de Trem (Netflix) circularam entre as principais categorias, indicando um espaço cada vez menos restrito para produções fora do eixo estritamente comercial de Hollywood.

Ambientado nos anos 1970 e centrado em um professor universitário que retorna ao Recife em plena ditadura militar, a temática do longa O Agente Secreto dialoga com uma memória política e identidade latino-americana, temas que seguem em alta no circuito de festivais e prêmios. Para o mercado, o reconhecimento fortalece o posicionamento do filme na campanha rumo ao Oscar 2026, onde representa oficialmente o Brasil.

Outro destaque relevante para a indústria brasileira veio na categoria de Melhor Fotografia. Adolpho Veloso venceu pelo trabalho em Sonhos de Trem, confirmando a excelência técnica nacional em áreas-chave da cadeia produtiva. A premiação reforça a competitividade de profissionais brasileiros em categorias historicamente dominadas por grandes estúdios e cinematografias europeias e norte-americanas.

O evento também teve momentos simbólicos que repercutiram na imprensa especializada e nas redes sociais. Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho subiram juntos ao palco para anunciar o prêmio de Melhor Filme, e o ator arrancou risos ao comentar que, no Brasil, a categoria seria chamada de “Melhor Filme Internacional”.

Outro episódio que chamou atenção e envolve o Brasil foi a forma como a vitória de O Agente Secreto foi comunicada. Durante a passagem pelo tapete vermelho, Kleber Mendonça Filho foi informado pela organização de que o filme havia vencido, ainda fora do palco, gerando uma espécie de surpresa no diretor. Nas redes sociais, parte do público interpretou a situação como um “anticlímax” para um prêmio inédito do Brasil no Critics Choice Award. Vale lembrar que a prática é adotada em premiações longas para otimizar o tempo da cerimônia.

Um gênero que saiu fortalecido da premiação foi o terror, com dois representantes da Warner: Pecadores levou quatro premiações para casa e A Hora do Mal ficou com uma. A escolha dos críticos pela obra aponta para uma tendência a deixarem de ser tratadas como produtos marginais em premiações de maior porte. A vitória dupla sinaliza uma abertura maior para filmes que utilizam o horror como ferramenta de comentário social e psicológico, algo cada vez mais valorizado por votantes e pela crítica internacional.

Entre os títulos de perfil técnico, o destaque ficou para Frankenstein (O2 Play | Netflix), premiado nas categorias técnicas de design de produção e efeitos visuais. O reconhecimento reforça a atenção do Critics Choice Awards às categorias técnicas e à qualidade da execução formal das produções.

No campo da animação, Guerreiras do K-pop (O2 Play | Netflix) venceu Zootopia 2 (Disney), marcando a presença de uma produção sul-coreana entre os títulos premiados na categoria de animação do Critics Choice Awards 2026. 

Além dos longas-metragens, as categorias de séries que mais tiveram destaque entre os ganhadores foi: Adolescência (Netflix), O Estúdio (Apple TV+) e The Pitt (Warner).

Em suma, a edição de 2026 do Critics Choice Awards reafirma um cenário favorável para obras autorais. Para os envolvidos na cadeia cinematográfica, o resultado sinaliza oportunidades concretas de posicionamento global, especialmente para filmes que transitam entre festivais, crítica especializada e campanhas estruturadas rumo às principais premiações do calendário.

Os maiores vencedores da noite foram Frankenstein e Pecadores, com 4 prêmios cada. Seguido por Uma Batalha Após a Outra com 3. Guerreiras do K-Pop levou 2 estatuetas para casa. E com um prêmio, tivemos: Marty Supreme; Hamnet; A Hora do Mal; Sonhos de Trem; F1: O Filme; Avatar: Fogo e Cinzas; e Corra que a Polícia Vem Ai.

No quesito de distribuidoras com mais prêmios, ficou:

Warner com 9 vitórias

Netflix com 7 vitórias e com a O2 Play com a codistribuição de 6 títulos

Disney com 1 vitória

Universal com 1 vitória

Diamond Films com 1 vitória

Vitrine Filmes com 1 vitória

Confira abaixo os vencedores por categoria:

Melhor Filme

- Uma Batalha Após a Outra (Warner)

Melhor Ator

- Timothée Chalamet, por Marty Supreme (Diamond)

Melhor Atriz

- Jessie Buckley, por Hamnet (Universal)

Melhor Ator Coadjuvante

- Jacob Elordi, por Frankenstein (O2 Play | Netflix)

Melhor Atriz Coadjuvante

- Amy Madigan, por A Hora do Mal (Warner)

Melhor Melhor Jovem Ator ou Atriz

- Miles Caton, por Pecadores (Warner)

Melhor Elenco

- Pecadores (Warner)

Melhor Filme Em Língua Estrangeira 

- O Agente Secreto (Vitrine)

Melhor Diretor

- Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra (Warner)

Melhor Roteiro Original

- Pecadores (Warner)

Melhor Roteiro Adaptado

- Uma Batalha Após a Outra (Warner)

Melhor Fotografia

- Sonhos de Trem (Netflix)

Melhor Design de Produção

- Frankenstein (O2 Play | Netflix)

Melhor Montagem

- F1: O Filme (Warner)

Melhor Figurino

- Frankenstein (O2 Play | Netflix)

Melhor Cabelo e Maquiagem

- Frankenstein (O2 Play | Netflix)

Melhores Efeitos Visuais

- Avatar: Fogo e Cinzas (Disney)

Melhor Longa em Animação

- Guerreiras do K-Pop (O2 Play | Netflix)

Melhor Comédia

- Corra que a Polícia Vem Ai (Paramount)

Melhor Canção

- Golden, de Guerreiras do K-Pop (O2 Play | Netflix)

Melhor Trilha Original

- Pecadores (Warner)

Melhor Filme Feito para a TV

- Bridget Jones: Louca pelo Garoto (Universal)

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