19 Fevereiro 2026 | Yuri Cavichioli
Projeto Paradiso escolhe Recife para encontro nacional e celebra presença brasileira na Berlinale
Iniciativa fortalece articulação do setor audiovisual e soma nove longas apoiados em Berlim
O Projeto Paradiso realizará, em abril, o terceiro encontro nacional da Paradiso Talent Network em Recife, reunindo cerca de 200 profissionais do audiovisual. A escolha da capital pernambucana ocorre em meio à presença de nove longas-metragens apoiados pela iniciativa na Berlinale, consolidando um ciclo internacional que passou recentemente por Roterdã, na Holanda. As informações foram publicadas pela Variety.
A programação deve reunir integrantes da rede de talentos, conselheiros, representantes do Nordeste e convidados internacionais. O encontro é voltado a profissionais já apoiados pela organização e busca estimular conexões estratégicas, coproduções e intercâmbio entre diferentes regiões do país.
Nos últimos anos, Recife ganhou protagonismo no mapa do cinema brasileiro. A cidade é cenário de O Agente Secreto (Vitrine Filmes), de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro prêmios, e tem se firmado como polo de formação e atuação de realizadores como Gabriel Mascaro e Marcelo Gomes.
“Fazer parte de um programa que reúne formação, desenvolvimento de projeto, financiamento e encontros humanos foi transformador. Como artistas, buscamos espaços onde seja possível pensar e trabalhar sem abrir mão de experimentações que desafiam o sistema”, afirmou Grace Passô sobre a Incubadora do Projeto Paradiso, responsável pelo desenvolvimento de Nosso Segredo (Vitrine Filmes), que estreia mundialmente na Berlinale.
Além do filme de Passô, Feito Pipa (Paramount), de Allan Deberton, também desenvolvido pela Incubadora, integra a programação do festival. Trata-se da primeira vez que obras incubadas pela iniciativa chegam a um festival de classe A com estreia mundial, resultado de um processo de acompanhamento desde as etapas iniciais de desenvolvimento.
Por meio da iniciativa Brasil no Mundo, o Projeto Paradiso ainda apoia outros sete títulos brasileiros exibidos em Berlim, entre eles Isabel, de Gabe Klinger; Se Eu Fosse Vivo, Vivia (Malute), de André Novais Oliveira; e Narciso (Elo Studios), de Marcelo Martinessi. A organização também participa do Berlinale Co-Production Market com Apneia, de Lô Politi, selecionado para o Talent Project Market.
“Escrever é um processo solitário, e a Incubadora criou um espaço real de troca com outros roteiristas e mentores. O investimento no roteiro deu tempo e estrutura para o filme amadurecer. Estrear na Berlinale significa inserir o projeto em diálogo com outras culturas e mercados”, declarou o roteirista André Araújo.
O momento coincide com uma fase de maior visibilidade internacional para o cinema brasileiro. A articulação entre iniciativas filantrópicas, fundos internacionais e órgãos públicos têm ampliado a presença do país em festivais e mercados estratégicos.
Ao mesmo tempo, programas como o HBF+Brazil, realizado pelo Hubert Bals Fund em parceria com Projeto Paradiso, RioFilme, Spcine e Embratur, apoiam o desenvolvimento de projetos de segundo e terceiro longa, contribuindo para a continuidade das carreiras e da produção nacional.
Em um cenário competitivo, a combinação entre formação, financiamento e inserção internacional sinaliza um esforço estruturado para sustentar o crescimento do setor. A escolha de Recife como sede do encontro nacional reforça esse movimento e demonstra a importância de iniciativas de longo prazo para a evolução do cinema brasileiro.
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