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16 Abril 2026 | Redação

LatAm Content Meeting confirma nova edição em São Paulo em 2027

Com mais de 800 profissionais de 20 países, evento encerrou sua 1ª edição na capital paulista com prêmio para documentário sobre defesa ambiental

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(Foto: Divulgação)

Após três dias intensos de trabalho, com auditórios lotados e centenas de reuniões one-to-one realizadas, o LatAm Content Meeting encerrou a segunda edição nesta quarta-feira (15), confirmando a edição 2027. O evento, que aconteceu pela primeira vez em São Paulo, reuniu mais 800 participantes entre produtores independentes, distribuidores e executivos de canais brasileiros e estrangeiros, com uma programação intensa de painéis, debates e palestras onde o foco principal foi o mercado de audiovisual de não-ficção na América Latina. Entre os presentes estiveram 80 tomadores de decisão dos principais canais de televisão e streaming do mundo.

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“Como imaginamos na primeira edição em SP, foram três dias intensos de muito trabalho. Espero que todos os participantes tenham conseguido aproveitar, fazer contatos, fechar projetos. O LatAm Content Meeting foi criado para ser um espaço de negócios, mas também de amizade, feito para as pessoas do mercado se encontrarem, conversarem, se conectarem e quem sabe trabalharem juntos. Um evento da Indústria, feito para a indústria. E tenham certeza: Ano que vem tem mais”, disse Fernando Dias, presidente da LatAm Content Meeting.

As sessões de pitch foram uma das principais atividades do LatAm Content Meeting, e foram geridas por uma parceria com o Sunny Side of the Doc, maior evento internacional dedicado a documentários lineares e não lineares que acontece anualmente em La Rochelle, França. Os 18 projetos selecionados pelos maiores especialistas do setor foram divididos em três categorias dinâmicas – Natureza e Meio Ambiente, Investigações & True Crime e História. O projeto vencedor foi o documentário Herança, com direção da documentarista e jornalista Ana Aranha que assina a produção com Mariana Genescá, filme que acompanha a jornada da filha de um defensor ambiental morto por denunciar os impactos dos agrotóxicos na sua região

Último dia

A programação do último dia, teve o painel Apenas Uma Coprodução Poderia Contar Esta História, que reuniu produtores de diferentes partes do mundo. O público pode entender como parcerias estratégicas podem transformar projetos, ampliando a força criativa. Moderado por Amanda Groom (The Bridge), os produtores Paula Taborda dos Guaranys (Ginga Stories), Rafa Calil (Duo2) e Takahiro Hamano (GV Tokyo) compartilharam cases de sucesso, que foram realizados por meio de coproduções internacionais. Calil reforçou a importância da realização de coproduções no cenário atual e como ser aberto e saber escutar são cruciais. “Saber ouvir e somar com seus parceiros é fundamental quando se trabalha com coprodução. Como um produtor brasileiro no mercado internacional, é importante também continuar apresentando os projetos porque uma hora vão surgir as pessoas certas que querem apoiar e que confiam no seu projeto”.

Outro destaque foi a mesa Como Continuar Criando Uma Programação Relevante Em Um Mundo Dividido?, que contou com representantes de aquisições de canais públicos e privados para falarem sobre os desafios de criar projetos que engajam a audiência. Nomes como André Saddy, diretor de programação do Canal Brasil, Emma Hindley, editora de commissioning da BBC, e Mariana Seivalos, gerente de canais do Canal Futura, foram alguns dos participantes. A pluralidade de experiência de produtores e diretores e entender como os públicos mais jovens consomem esse tipo de conteúdo são pontos importantes para continuar criando peças documentais.

Saddy comentou sobre o lançamento do projeto DOC Canal Brasil, seguindo o crescimento dos documentários no país. “Os streamings trouxeram uma nova forma de consumir documentários no mundo e eles estão ganhando seu espaço. O documentário passou a ocupar um lugar de acesso e a partir daí surge mais interesse, porém a partir disso vem muitos desafios. Como se produz esse olhar documental em um mundo tão dividido? No Brasil já passamos dessa fase. É algo muito mais teórico, pois também envolve uma questão política.”

Para encerrar a programação de painéis, aconteceu o debate Grandes Coleções e a Preservação Da Memória, mediado por Zico Goes, produtor criativo da Kromaki, e presença de Gabriela Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira, Marco Antonio Coelho, diretor executivo da IMAGin, e Samuel Huh, head de distribuição de conteúdo do Grupo Abril.

A conversa destacou a colaboração entre arquivos, pesquisadores e produtores como essenciais para garantir que imagens históricas continuem a alimentar narrativas contemporâneas, preservar a memória coletiva e inspirar futuras gerações. “Além dos desafios de como manter e não perder esses acervos, temos um desafio cultural. O entendimento do que fazer a mais com aquela memória precisa começar com o roteiro. Hoje é muito visto como um facilitador para salvar a obra, por exemplo, dar mais qualidade visual, mas se isso acontecer a produção audiovisual vai fazer ganhar muito.”, comentou Coelho.

Zico Goes também aproveitou o momento para oficializar que, em uma parceria entre a Kromaki, a produtora Mira Filmes e o acervo Abril, será produzido um documentário sobre a MTV Brasil. A direção do projeto deve ser de Marina Person, que além de produtora e diretora de cinema, foi VJ da extinta emissora.

Primeiro dia

O primeiro dia do LatAm Content Meeting, em São Paulo, consolidou a capital como um centro global de negócios audiovisuais, reunindo profissionais de mais de 20 países para conectar produtoras independentes a gigantes do streaming e da TV. Com forte apoio institucional de órgãos como BNDES e SPCine, o evento destacou que o setor deve ser tratado como uma indústria estratégica, onde os conteúdos funcionam como ativos econômicos vivos, capazes de gerar valor contínuo e projeção internacional para a propriedade intelectual latino-americana.

Durante os painéis, discutiu-se a evolução da publicidade para o entretenimento de impacto, onde as marcas buscam narrativas reais e inesperadas em vez dos formatos tradicionais de 30 segundos. A regulação do streaming também foi pauta central, com especialistas defendendo que o debate inclua plataformas como YouTube e TikTok. Paralelamente, estratégias para atrair o público jovem foram apresentadas, sugerindo o uso de estéticas urbanas, como o hip hop em documentários de natureza, e o uso das redes sociais como termômetro para novas produções.

No cenário internacional, emissoras europeias como BBC, Arte TV e Channel 4 manifestaram interesse em temas históricos e geopolíticos, embora tenham ressaltado a necessidade de fortalecer as visões regionais para conquistar audiências globais. Ao mesmo tempo, o "molho brasileiro" foi celebrado por representantes de canais nacionais, que reafirmaram a importância de valorizar o conhecimento dos produtores locais. O dia encerrou com perspectivas de expansão, detalhando acordos de cooperação já avançados com a França e a Nova Zelândia, além de negociações em curso com potências como China, Índia e Coreia do Sul.

Segundo dia

No segundo dia do LatAm Content Meeting, a programação destacou a ascensão dos formatos verticais, com Alberto Marquez, da consultoria GECA, enfatizando que o conteúdo atual é produzido "para as mãos" e não apenas para as telas. Na Espanha, essa tendência já é realidade para a maioria dos jovens e adultos até 54 anos, abrangendo gêneros que vão do drama ao documentário. Embora setores tradicionais como o esporte ainda enfrentem barreiras burocráticas e contratuais para a adoção plena desse formato, a verticalização é vista como uma evolução natural e necessária para o consumo contemporâneo de mídia.

No campo das narrativas baseadas em fatos reais, o debate focou no equilíbrio entre o rigor documental e a sensibilidade ética. Em produções de True Crime e ficções baseadas em eventos verídicos, como a série "Tremembé" e o filme sobre Amyr Klink, a utilização de arquivos e relatos técnicos deve ir além da ilustração, servindo para revelar camadas humanas e emocionais. Os especialistas reforçaram que o acesso a materiais sensíveis exige uma responsabilidade rigorosa para preservar a imagem das vítimas e evitar a exploração do sofrimento, garantindo que a transição da realidade para a tela mantenha a segurança jurídica e o respeito à memória dos envolvidos.

O evento também abordou o impacto da Inteligência Artificial e o potencial dos reality shows brasileiros no mercado global. Sobre a IA, o consenso entre especialistas é que a tecnologia desafia a linearidade da indústria, mas não substitui o talento e a "alma" artística necessária para a criação. Já no setor de formatos, produtoras e plataformas como Netflix e Globo discutiram a ambição de transformar o Brasil em um exportador de propriedade intelectual. O objetivo é criar programas adaptáveis a diferentes culturas, como o caso de sucesso "Drag Me as a Queen", que priorizam a conexão com o público local através de premissas universais para, então, conquistar audiências internacionais.

Latam Content Meeting

O LatAm Content Meeting reúne profissionais e empresas do setor de várias partes do mundo com o objetivo de conectar produtoras independentes de conteúdo da América Latina, focadas no segmento de não ficção, com gigantes globais do streaming e da TV (OTTs). Mais do que um encontro, o evento é uma plataforma desenhada para acelerar o mercado, gerando alianças de coprodução e abrindo portas para o conteúdo latino-americano no cenário internacional.

O Latam Content Meeting 2026 contou com patrocínio da ApexBrasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Sebrae Nacional, BNDES, Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, da Spcine, Governo do Brasil, e apoio institucional da São Paulo Negócios.

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