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17 Abril 2026 | Redação

Imagem Filmes vê clima de otimismo na CinemaCon e pede união entre distribuição e exibição

Marcos Scherer e Gustavo Romboli concederam entrevista exclusiva ao Portal Exibidor em Las Vegas

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(Foto: Marcelo Lima/Portal Exibidor)

A CinemaCon 2026 chegou ao final nesta quinta-feira (16) e a Imagem Filmes esteve representada no evento pelo CEO Marcos Scherer e por Gustavo Romboli, MD Latam & Commercial Director Brasil. Em entrevista exclusiva ao Portal Exibidor, a dupla destacou um clima de otimismo entre os exibidores em uma retomada do mercado, e também a necessidade de união entre distribuidoras e exibidores para que a indústria possa encontrar um crescimento sustentável, sem a dependência quase exclusiva do bom desempenho de blockbusters.
 
Scherer afirmou que o sentimento durante a CinemaCon foi de que o momento mais crítico para os cinemas no momento pós-pandemia ficou para trás e que, apesar de algumas dificuldades, chegou a hora da retomada. "Estamos sentindo o exibidor mais animado e isso é importante. Desde a pandemia temos apenas alguns 'soluços', mas sem uma sequência e um momento que o exibidor acreditasse que pudesse voltar a criar o hábito no consumidor, porque ele não tinha sequência de produtos, mas esse ano vai ter.”
 
Segundo ele, agora é necessário olhar para o negócio, tanto a distribuição quanto a exibição, e melhorar os serviços para convencer as pessoas a saírem de casa e não ficarem “tão acomodadas dentro de uma janelinha de televisão do streaming".
 
Nesse sentido, o CEO lembrou que o sucesso do negócio não depende apenas de um bom conteúdo, e parte desse trabalho é melhorar também o marketing e divulgação dos filmes. Para o executivo, os últimos anos foram apenas de sobrevivência para o mercado e agora chegou o momento de se reestruturar e vislumbrar um crescimento. 
 
"O desafio dos próximos 24 meses é a melhoria do serviço do distribuidor e do exibidor dentro da sua sala. Depois da pandemia foram necessários muitos cortes e a qualidade caiu, com as estruturas de distribuição ficando menores. Estamos confiantes que o mercado voltou a achar um caminho e um crescimento mais sustentável, não apenas alguns respiros de um final de semana muito bom. Quando não há sequência é muito difícil sustentar, e acho que agora vamos ter esse ponto de equilíbrio para sustentar e melhorar o serviço", completou.
 
Em relação à participação no evento, Romboli disse enxergar como uma grande oportunidade de se aprofundar nas tendências do mercado internacional. “Principalmente para encontrar oportunidades não só de janela para os lançamentos internacionais e aquisições da empresa, mas também para as produções locais, para poder contribuir e somar na indústria com títulos brasileiros", afirmou. 
 
E destacou algumas aquisições da Imagem Filmes que chegarão aos cinemas brasileiros. Backrooms: Um Não Lugar e A Morte de Robin Hood, filmes da A24, estreiam no Brasil no segundo semestre, e a distribuidora também irá trabalhar com Wildwood, que será uma de suas apostas para o ano. "'Wildwood' é o novo projeto da Laika, que está há 10 anos em produção. É um projeto que acreditamos que tem um potencial incrível no mercado, uma aquisição recente e uma grande aposta que nos deixou muito contentes.”
 
União com exibidores
 
Durante a entrevista, Scherer também pediu uma maior união entre exibição e distribuição. O executivo afirmou que o fato de muitas vezes deixar o filme médio "de lado" faz com que o mercado perca grandes oportunidades de arrecadação. Segundo ele, é  fácil montar o budget olhando para filmes como 'Toy Story', para os quais se tem uma ideia de números mesmo antes do ano começar. “Acho que tem uns 20% do mercado que jogamos fora em títulos médios que o exibidor destrói nessa briga insana de não ter o market share menor que A, B ou C. Essa visão de não ter o amanhã tem que acabar e temos que conversar para ver onde podemos crescer. Um título grande todo mundo já sabe o tamanho, mas o médio que a gente possa somar durante o ano todo e trabalhar 10 ou 12 filmes faz uma grande diferença positiva. Temos que sentar e trabalhar juntos."
 
Para o CEO, as fusões e aquisições entre os grandes estúdios de Hollywood, como a iminente compra da Warner pela Paramount, diminui o números de títulos disponíveis no mercado, justamente aqueles considerados médios, que vão ajudar o exibidor a ter uma sobrevida e preencher a lacuna deixada pelo volume menor de blockbuster disponíveis. O executivo relembrou que após a aquisição da Fox pela Sony, o mercado passou a receber de oito a 12 títulos a menos por ano, e que a tendência é de pelo menos seis lançamentos anuais a menos após a consolidação da fusão entre Warner e Paramount.
 
"O filme médio não é trabalhado a quatro mãos entre exibidor e distribuidor. Ele não tem espaços e às vezes, quando entra, não tem uma segunda ou terceira semana. Se não dá oportunidade do filme médio acontecer, ele não vai ocupar essa faixa de 20% de espaço que o mercado deixa. Esses filmes podem agregar muito na indústria e precisamos deles para reaproximar o público", completou Romboli.
 
Reestruturação da Imagem Filmes
 
Scherer afirmou que após a pandemia e consequente diminuição das estruturas de distribuição, a falta de mão-de-obra foi responsável por uma entrega pouco abaixo do desejado em termos de serviço. Agora, em um momento de retomada, a Imagem Filmes prepara uma reestruturação para o segundo semestre de 2026. "Vamos arrumar bastante a estrutura a partir do segundo semestre e o exibidor deve fazer a mesma coisa. Teremos uma mudança grande na Imagem. Tivemos um planejamento desde 2013 na aquisição, programação e estrutura, aí veio a pandemia e tivemos que cortar. Agora estamos remontando e chegamos no estágio final dessa reestruturação em agosto, quando também teremos uma sequência de 18 meses com muita coisa boa para lançar."
 
Além das produções internacionais citadas no início do texto, haverá os nacionais Deus Ainda é Brasileiro, continuação de uma franquia de grande sucesso, Por Um Fio, baseado no livro de Drauzio Varella, o relançamento de Bruna Surfistinha em versão remasterizada no mês de setembro, e Bruna Surfistinha 2 no dia 13 de janeiro de 2027.
 
"Começamos todo o processo de campanha de 'Bruna Surfistinha 2' no segundo semestre. Já vimos um pedaço longo do filme e está muito bonito. É um filme com classificação de 16 anos e essa é uma faixa etária que quer ver o filme, então vai poder e não vamos ter o empecilho da classificação de 18 anos. Produzimos o filme com o manual da Ancine na mão e ele fala de prostituição. Não é leve, mas os itens que classificam um filme para 18 anos não estarão presentes", finalizou.

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