O lançamento aconteceu no evento de mercado FomentaCine 2026, organizado pelo Cine Brasília, que nesta edição teve a acessibilidade em sentido amplo como eixo central.
A obrigação de oferecer recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva nas sessões de cinema está em vigor desde janeiro de 2023 e, nos três anos desde a entrada em vigor da norma, a Ancine reuniu contribuições de pessoas com deficiência, agentes de mercado e fornecedores de recursos de acessibilidade. Além disso, sugestões e críticas foram coletadas a partir de sessões acessíveis realizadas no projeto Cinema Brasileiro de Todos e Para Todos, por meio do qual foram realizados quatro eventos - dois no Rio de Janeiro, um em Brasília e um em São Paulo - com um público total de aproximadamente 400 pessoas, envolvendo sessões com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras.
O Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema orienta produtoras, distribuidoras, exibidores e plataformas de venda de ingressos a atuarem de forma articulada para eliminar barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e tecnológicas. O documento é dividido em duas partes: acessibilidade comunicacional do filme e jornada do espectador.
"A experiência de ir ao cinema vai além de assistir ao filme. Envolve descobrir o filme, escolher a sessão, comprar o ingresso, acessar o cinema, circular no espaço, chegar até o assento e permanecer na sala com conforto, segurança e autonomia. Assim, a existência de recursos de acessibilidade comunicacional no filme é indispensável, mas não assegura, de forma isolada, uma experiência cinematográfica acessível. Para que o acesso seja efetivo, a acessibilidade deve ser considerada em suas múltiplas dimensões, de forma contínua e articulada", diz trecho do documento.
O guia ainda destaca a importância da acessibilidade digital e acessibilidade física, sinalizando o papel de atuação de cada elo do setor na construção da acessibilidade plena, bem como a importância do treinamento e capacitação das equipes e os direitos das pessoas com deficiência para uma melhoria contínua da acessibilidade.
A Ancine afirmou que essa é a primeira versão do documento, que deverá ser ampliada e aperfeiçoada em edições futuras, à medida que novas contribuições, sugestões e críticas forem apresentadas, e conforme as práticas forem sendo consolidadas pelo setor.
A seção de Perguntas Frequentes sobre a Instrução Normativa nº 165/2022 está organizada em seis blocos: perguntas gerais, perguntas do público e perguntas de produtoras, distribuidoras e exibidores, além de perguntas a organizadores de mostras e festivais. O documento esclarece temas como: quais recursos de acessibilidade devem estar disponíveis, quem é responsável por cada etapa, em quais situações a obrigação pode ser dispensada e quais são as regras específicas para filmes brasileiros produzidos com financiamento público federal.
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Reportagem sobre acessibilidade nos cinemas brasileiros publicada em janeiro pelo Portal Exibidor traz um panorama geral sobre essa questão e também um parecer das principais empresas que trabalham com acessibilidade nos cinemas do nosso país.
Já em março, nossa reportagem acompanhou o lançamento de uma pesquisa inédita sobre a jornada do público PcD nos cinemas, que revelou gargalos estruturais, comunicacionais e tecnológicos na experiência de pessoas com deficiência no mercado exibidor brasileiro.