18 Maio 2026 | Yuri Cavichioli
Brasil abre edital de coprodução com Portugal; setor pressiona por acordos com França e China
Linha de financiamento do FSA destina cerca de R$ 2 milhões a longas em coprodução internacional, enquanto entidades cobram avanço regulatório no Senado
O Ministério da Cultura e a Ancine publicaram na última sexta-feira (15) a chamada pública BRDE/FSA Coprodução Brasil-Portugal 2026, voltada à seleção de propostas de produção independente de longas-metragens de ficção, documentário e animação em regime de coprodução internacional com Portugal. A iniciativa prevê investimento de aproximadamente R$ 2 milhões por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), mecanismo público de financiamento destinado ao desenvolvimento da cadeia audiovisual brasileira.
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Nesse edital, poderão participar produtoras brasileiras independentes que integrem os projetos como coprodutoras minoritárias, modelo em que a empresa nacional detém participação menor na estrutura societária e financeira da obra em relação ao parceiro estrangeiro. As inscrições estarão abertas entre 15 de junho e 25 de setembro, e os projetos passarão por processo seletivo público.
De forma paralela, o Instituto do Cinema e do Audiovisual de Portugal (ICA) lançará em território português uma chamada voltada a projetos em que a parte minoritária seja portuguesa, com valor equivalente a 350 mil euros. A análise das propostas ficará sob responsabilidade de uma comissão mista formada por profissionais do audiovisual e representantes da Ancine e do ICA.
A nova edição reforça a continuidade da cooperação bilateral entre os dois mercados em um momento em que mecanismos de internacionalização seguem no radar das produtoras independentes. A chamada pública e seus anexos estão disponíveis na página do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), operador financeiro de linhas do FSA.
Setor cobra novos acordos internacionais
Enquanto a nova seleção com Portugal entra em calendário, entidades representativas do audiovisual brasileiro pedem a conclusão de outra frente estratégica para o mercado externo. Também na última semana 31 associações enviaram ofício ao Senado Federal solicitando a aprovação dos acordos de coprodução com França e China.
Os Projetos de Decreto Legislativo (PDL) 1.023/2025 e 1.203/2025, que ratificam os tratados, já passaram pela Câmara dos Deputados em 19 de março e aguardam deliberação dos senadores. O acordo com a França foi assinado em Brasília, em maio de 2017, enquanto o tratado com a China foi celebrado em Pequim, em setembro do mesmo ano. A aprovação pelo Senado representa a etapa final antes da ratificação e promulgação pelo Poder Executivo.
No documento, encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de líderes de comissões e do governo, as entidades defendem que os instrumentos são fundamentais para a inserção internacional da produção brasileira. “Eles possibilitam a atração de investimentos estrangeiros, promovem a troca de conhecimentos técnicos e artísticos e ampliam significativamente o acesso das obras brasileiras ao mercado internacional”, afirmam.
Segundo o setor, a formalização desses acordos garante às coproduções o chamado tratamento nacional, mecanismo que permite que obras realizadas em parceria internacional tenham acesso aos mesmos instrumentos de financiamento público e políticas de fomento disponíveis para produções domésticas. As entidades também argumentam que o avanço desses tratados é relevante para sustentar a capacidade da indústria audiovisual de gerar emprego e renda no país.
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