26 Maio 2026 | Gabryella Garcia
Após dois anos de estudos, Brasil Film Commission deve ser lançada em 2026: "Vamos entregar esse ano"
Política que visa criar previsibilidade para o setor deverá ser anunciada via decreto federal
O primeiro dia do Rio2C 2026, realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), foi palco de um anúncio bastante aguardado pelo setor audiovisual: a Brasil Film Commission deve sair do papel e ser lançada em 2026. A promessa foi feita por Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, durante o painel "Film Commissions e Coproduções na Ibero-América: Marcos, Incentivos e Oportunidades". Também participaram da mesa Christiano Braga, Head de Economia Criativa da Embratur, e Camila Gallardo, Secretária Executiva da Economia Criativa Ministérios de las Culturas, las Artes y el Patrimonio do Chile.
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"Estamos na parte final para entregar a Brasil Film Commission. Queríamos já ter anunciado, mas por burocracia não deu. Estamos em um momento crucial da nossa gestão no audiovisual e vamos entregar ainda esse ano. Ao longo de dois anos nos debruçamos e fizemos um GTI (Grupo de Trabalho Interministerial) com oito ministérios, que foi liderado pelo Ministério da Cultura. Vamos poder anunciar muito em breve via decreto federal", afirmou Gonzaga.
Atualmente, o Brasil possui 23 film commissions espalhadas por diversas cidades do país, mas a falta de uma centralização federal causa problemas de governança pelo tamanho continental do nosso território. No início do painel, o executivo da Embratur destacou um movimento conjunto dos países ibero-americanos na construção de film commissions federais, com autoridades de 12 países do bloco presentes no Rio2C. "A film commission é uma política pública voltada para criar previsibilidade para a produção audiovisual nos territórios e também mecanismos de competitividade. As film commissions são políticas de fomento e desenvolvimento, gerando desenvolvimento local e posicionando territórios."
A Secretária do Audiovisual ainda destacou que a Brasil Film Commission terá três pilares centrais: um Comitê Nacional de apoio a filmagens e internacionalização do audiovisual brasileiro; uma Rede Nacional de Film Commission, com um órgão de caráter consultivo; e o Brasil Film Commission, com um escritório de apoio e promoção do audiovisual brasileiro. Além disso, com um olhar mais macro para o audiovisual, também está sendo arquitetado um programa de cash rebate federal. "Essa é a parte mais desafiadora, porque envolve outros ministérios e está mais embrionário, mas estamos construindo para entregar ainda em 2026."
Trazendo a realidade de outros países ibero-americanos, Gallardo contou que o Chile criou uma film commission federal em 2011 sob o guarda-chuva do Ministério de las Culturas, las Artes y el Patrimonio, com o objetivo de levar produções de fora para o país, mas também exportar o audiovisual chileno para além de suas fronteiras. Apesar de apresentar bons resultados, o programa foi encerrado em 2014 e retomado apenas em 2024, com a criação de uma nova film commission federal em 2025, desta vez sob o guarda-chuva do Ministério das relações exteriores. "O novo projeto foi instalado nas oficinas de exportação, e não cultura. Queremos articular entre diferentes territórios uma comissão audiovisual e um dos objetivos é descentralizar de Santiago, pois temos um país muito diverso de norte a sul. Estamos na fase de retomada, mas com a convicção da importância de articular todos os territórios para que se conectem e abram caminho para a internacionalização."
Além de criar previsibilidade para o setor, uma film commission federal também cria um terreno propício para políticas de incentivos e, consequentemente, coproduções. Um estudo da Embratur apontou que, no último ano, 90 milhões de turistas viajaram pelo mundo motivados por séries e conteúdos audiovisuais. "Coproduções dialogam com film commissions e, para o cinema ter relevância cultural, é importante contar nossas histórias e apresentar nossas identidades”, disse Braga.
A coprodução, lembrou ele, ainda tem como vantagens tornar um filme binacional ou trinacional, acessar mais fundos e diluir os riscos envolvidos na produção. Também amplia a possibilidade de estar em festivais e o acesso a fundos regionais, apoiando o fomento e a circulação das produções. “O audiovisual impacta em outros segmentos e temos que pensar nele enquanto ecossistema. A film commission é um elo faltante desse ecossistema do audiovisual", completou o executivo da Embratur.
Por fim, Joelma Gonzaga comentou sobre a atuação do Brasil em relação a coproduções, afirmando que o país já possui acordos com mais de 15 países, além de outros que ainda estão em andamento para ampliar esse escopo e fortalecer esse ecossistema.
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