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27 Maio 2026 | Gabryella Garcia

Depois de Cannes, Screen Brasil lança 2ª edição oficialmente: "É inegável a dificuldade do lançamento internacional"

Programa projeta ampliação e articulação com agências regionais do país

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(Foto: Gabryella Garcia)

Na última semana, a Screen Brasil, iniciativa da Embratur e do Projeto Paradiso para apoiar a distribuição de longas-metragens de ficção produzidos no país, confirmou sua segunda edição durante o Marché du Film, no Festival de Cannes. Nesta quarta-feira (27) o anúncio foi feito de forma oficial no Brasil, no palco Bits do Rio2C 2026, onde também foram detalhadas algumas mudanças no projeto, além da intenção de crescimento e ampliação. O painel "Screen Brasil: O Cinema Brasileiro pelo Mundo" contou com a participação de Christiano Braga, Head de Economia Criativa da Embratur, e Rachel do Valle, Diretora de Programas do Projeto Paradiso.
 
"Estamos muito felizes em anunciar a segunda edição e termos algumas mudanças após alguns feedbacks, e as mudanças foram bem faladas em Cannes", destacou Valle. Uma das mudanças diz respeito à destinação dos recursos. Os agentes de vendas internacionais para as obras contempladas continuam a receber US$ 15 mil para ações de distribuição, mas agora obrigatoriamente US$ 5 mil devem ser repassados aos distribuidores e deve ser discriminado o que cada um vai fazer com o recurso para se adequar ao público local, ao número de salas de exibição e ao público-alvo. "Esse montante não é suficiente e esperamos também investimentos de selos. Nossa intenção sempre foi alinhar os projetos com agentes de vendas porque entendemos que esse investimento para um território específico pelo Screen Brasil vai fazer o agente querer trabalhar em outros territórios para fazer mais vendas", completou.
 
O Projeto Paradiso se notabilizou por sempre ter tido um olhar para a internacionalização, e o Screen Brasil nasceu inspirado em ações de muitos outros países que possuem programas para auxiliar em lançamentos internacionais. A executiva da instituição também reforçou o caráter inovador do projeto, uma vez que o Paradiso nunca havia trabalhado com incentivos a obras finalizadas, e voltou a destacar a importância de trabalhar com agentes de vendas, e não diretamente com distribuidoras estrangeiras. "É inegável a dificuldade no lançamento internacional de filmes brasileiros e esse projeto nasce como apoio para auxiliar nesse gargalo. Fizemos a primeira edição voltada ao agente de vendas, que é uma função que vemos pouco no Brasil, mas é crucial no mercado internacional para reter essas obras e fazer a negociação com distribuidores."
 
Os filmes contemplados na primeira edição, que foram anunciados em primeira-mão em Cannes, serão distribuídos nos seguintes territórios:

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  • A Natureza das Coisas Invisíveis (Vitrine Filmes) - lançamento na Alemanha pela The Open Reel
  • O Último Azul (Vitrine Filmes) - lançamento na Austrália e Taiwan pela Lucky Number
  • Papaya (Cajuína Audiovisual) - lançamento em Portugal, México e países de língua alemã pela Best Friend Forever

Soft power brasileiro
 
Braga também destacou o audiovisual como uma potência do soft power brasileiro e explicou que, ao entrar no projeto, apesar de trabalhar para fortalecer o turismo, a Embratur não se preocupou que os filmes selecionados tivessem um viés de turismo explícito ou trouxessem essa perspectiva. "Quando partimos para dialogar com o audiovisual nos interessam as histórias brasileiras e a partir dessa perspectiva se cria o interesse em conhecer uma cultura e sair da bolha do cinema. Histórias podem demonstrar o talento brasileiro e a qualidade de nossas produções, e isso corrobora com a imagem do Brasil na ideia do soft power. Essas narrativas e esse talento que acreditamos é que podem promover o Brasil. Não fomentamos a produção, mas contribuímos na circulação e distribuição de produções nacionais."
 
Outras mudanças para a segunda edição do programa, além da destinação obrigatória de US$ 5 mil para as distribuidoras, são o período de exibição do filme e o aumento dos filmes selecionados, de três para quatro. Além disso, o Screen Brasil passará a ser dividido em dois rounds de inscrição, um no segundo semestre de 2026 e outro no primeiro semestre de 2027.
 
"Na primeira edição, ao receber o apoio, o agente tinha seis meses para o lançamento internacional, e na segunda edição serão 12 meses. Muitos agentes disseram que isso era um respiro e que faz toda a diferença”, contou Valle. Segundo ela, a decisão de fazer dois turnos, com dois filmes selecionados no primeiro round e dois no segundo, é para aproveitar as negociações feitas em festivais. “No primeiro turno, de junho até outubro, porque pega Locarno, San Sebastián e Veneza, e o segundo round, de janeiro a março, para pegar festivais como Cannes, Berlim e um pouco de Roterdã”, explicou. 
 
Desde a primeira edição, o Screen Brasil conta com a parceria de agências regionais brasileiras, como Spcine e RioFilme, que podem se interessar em apoiar projetos específicos produzidos em seus territórios. “Estamos abertos e isso não tem limite, então deixo o convite para pensarmos nas próximas iniciativas, com outros apoios, e ampliar o número de projetos contemplados. A ideia é sempre ampliar e crescer", finalizou a Diretora de Programas do Projeto Paradiso.

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