Recursos do BNDES destinados ao audiovisual aumentarão após integração com o MDIC
Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual Brasileiro foi apresentado no Rio2C e setor passa a integrar "Nova Indústria Brasil"
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(Foto: Reprodução)
O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) é responsável por gerir os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), e a destinação dos recursos ao setor será maior entre os anos de 2026 e 2035. Durante o painel "SAV Apresenta: Construindo a Próxima Década de Crescimento do Audiovisual Brasileiro", apresentado nesta quarta-feira (26) no Rio2C 2026, João Paulo Pieroni, Superintendente do banco, afirmou que, graças a uma integração com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o audiovisual foi incluído como um motor estratégico de desenvolvimento econômico na cadeia produtiva Nova Indústria Brasil (NIB), possibilitando novos recursos.
O painel trouxe algumas diretrizes do Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual Brasileiro (PDM) 2026–2035, e contou também com Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual Ministério da Cultura, e Adriana Teixeira, Diretora de Comércio e Serviços do MDIC e líder da integração do audiovisual na NIB, com a mediação de Daniela Fernandes, Diretora de Preservação e Difusão Audiovisual do MinC.
Gonzaga falou sobre a reconstrução das políticas públicas destinadas ao audiovisual os últimos anos, lembrando que, durante a atual gestão da Secretaria do Audiovisual, foram reativados o Conselho Superior de Cinema e o Comitê Gestor do FSA, e restabelecidas políticas que haviam sido descontinuadas, como a Cota de Tela e a renovação da Lei do Audiovisual. "Lidamos desde o primeiro dia até agora para reconstruir políticas públicas do audiovisual dentro da reconstrução do MinC, depois de um apagão de seis anos. Ao mesmo tempo, temos que planejar o futuro e pensar estrategicamente para reconstruir, entregar e pensar no futuro."
A secretária também destacou que o Brasil também voltou ao cenário internacional do audiovisual e firmou acordos de cooperação com diversos países -visando a internacionalização das obras -, participou da criação do Festival de Cinema do BRICS e trabalha em diversos editais de circulação de profissionais no exterior, além de um programa de internacionalização do audiovisual que será lançado junto com a Brasil Film Commission.
"Este é o último ano da nossa gestão e nossas políticas continuarão porque teremos um governo Lula 4 e vamos terminar tendo um mapa de navegação para os próximos 10 anos. Temos o audiovisual dentro da Nova Indústria Brasil de forma integrada com outros ministérios, linhas de fomento sólidas e robustas, entrega de difusão feita a médio prazo, que é o Tela Brasil, temos uma film commission nacional sendo gestada e construída junto com o programa de internacionalização. Esse é o presente do audiovisual no Brasil e queremos mais nos próximos 10 anos”, completou.
O palco Story Village, na Cidades das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), também viu a confirmação pela secretária do audiovisual de que o Tela Brasil, plataforma de streaming 100% pública e gratuita dedicada exclusivamente ao audiovisual nacional e desenvolvida desde 2023, vai ser lançada oficialmente no próximo sábado (30) pelo presidente Lula.
Destravando investimentos para o setor
Apenas no ano de 2024, o audiovisual gerou R$ 70 bilhões e 610 mil empregos no Brasil, e pensando no crescimento do setor nos próximos 10 anos, o PDM terá ainda mais recursos oriundos da NIB, um programa criado dentro do MDIC para modernizar e impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional até 2033 por meio de investimentos e inovação. O programa conta com oito missões e o audiovisual foi contemplado na missão 4: transformação digital da indústria para ampliar a produtividade. Dentro da NIB, o Plano Mais Produção integra um conjunto de soluções para viabilizar de forma contínua o impulsionamento do desenvolvimento nacional, contando com a participação do BNDES, Finep, Embrapii, BNB, BB, BASA e Caixa.
"Temos a missão de fazer a integração do setor de serviços com a inclusão do audiovisual na política do NIB, com apoio do setor privado. Destravar investimentos é nosso grande motivador e nosso plano é direcionar recursos em torno de setores que trazem maiores benefícios para a sociedade”, disse Adriana Teixeira. Segundo ela, a transformação digital se conecta com o audiovisual e o desenvolvimento dos trabalhos mostrou a necessidade de incluir o setor. “Sabemos do impacto do audiovisual na economia e, ao investir nele, temos o transbordamento para outras áreas de toda a indústria criativa como turismo e moda. O audiovisual se conecta com os demais setores e pode ser priorizado na perspectiva de digitalização. Ao incluir o audiovisual dentro da NIB sinalizamos que esse é um setor prioritário dentro das políticas públicas e isso permite que quem executa o financiamento tenha essa visão e perspectiva junto com a integração industrial", explicou.
O BNDES apoia historicamente o audiovisual, seja com patrocínios, editais de cinema, linhas de crédito ou operações de repasse do FSA. O retorno do Patrocínio BNDES Cultural no edital de 2025, por meio de seleção pública de obras audiovisuais de longa-metragem, por exemplo, contemplou 25 projetos com um investimento total de R$ 15 milhões. De 2024 até abril de 2026, o financiamento do banco ao FSA teve a aprovação de seis projetos, com investimento de R$ 170 milhões, e ainda há quatro projetos em análise com orçamento previsto de R$ 90 milhões, contemplando projetos em todos os elos da cadeia.
Agora, com a inserção do audiovisual na NIB, o BNDES ampliará o acesso a linhas e programas estratégicos de financiamento; integrará o audiovisual às políticas de inovação, digitalização e neoindustrialização; fortalecerá a visão da cadeia produtiva; e expandirá a agenda de internacionalização e competitividade. Também está prevista a diversificação de instrumentos através das Funcines e um novo edital de seleção pública por patrocínio em 2026 com recursos próprios do banco.
"A inclusão do audiovisual na NIB representa uma priorização dos instrumentos. No BNDES vamos além do Fundo Setorial para avançar em novas agendas e novos instrumentos para o futuro. A inserção do setor na NIB é um divisor de águas na atuação do banco e além da linha do FSA, agora temos a possibilidade de utilizar instrumentos de inovação e digitalização que são novas formas de apoio. Posso assegurar que podem contar com o banco para seguir na trajetória de apoio ao setor, mas também ir além com novos instrumentos", destacou Pieroni.
Ao final da apresentação, Gonzaga também revelou que o novo PDM tem como uma das metas aumentar o parque exibidor brasileiro e criar um circuito público de salas de cinemas em Institutos Federais e Universidades. "Precisamos investir massivamente em pesquisa e inovação e vem aí uma film commission nacional com um programa de cash rebate. O presente e o futuro do audiovisual estão solidificados e conseguimos reconstruir em pouco tempo, mas também deixar uma estrutura sólida para a implementação de novas políticas em um futuro próximo. O PDM está sendo construído com indicadores, matrizes e responsabilidade em conjunto com diversos ministérios", encerrou.