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05 Junho 2026 | Mônica Herculano

Clube Filmes lança divisão de licenciamento visando ampliar presença de IPs

Em entrevista, executivos da empresa falam sobre o potencial brasileiro no mercado de licenciados

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(Foto: Divulgação)

No final de abril, a produtora e distribuidora Clube Filmes anunciou a inauguração de sua divisão de licenciamento, com o lançamento de uma linha de brinquedos da marca Super Wings. A animação está disponível no Prime Video e na Netflix, além de ter exibição na TV aberta (SBT), e os produtos serão feitos em parceria com a Sunny Brinquedos.

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A nova divisão nasce com foco na gestão estratégica de propriedades intelectuais e no desenvolvimento de parcerias com diferentes empresas para a criação de produtos licenciados. "É um movimento importante para a Clube Filmes, que vem consolidando sua atuação como produtora e distribuidora. Agora, damos um passo além ao estruturar uma área dedicada a transformar nossas propriedades em experiências que vão além das telas", afirma Fabrício Bittar, CEO da Clube Filmes.

Marcelo Kiçula é o líder do novo braço e será responsável por estruturar o portfólio de produtos, desenvolver estratégias de mercado e ampliar as parcerias comerciais da empresa. Além da linha de brinquedos, Super Wings deve ter com outros parceiros - já em negociação - produtos de vestuário, alimentos e editorial, tendo em vista ampliar a presença da marca no dia a dia do público.

A empresa também avança em experiências como shows ao vivo e projetos de parques temáticos em shoppings, reforçando a estratégia de desenvolver a franquia no Brasil através de multiplataformas e com diferentes pontos de contato com o consumidor.

Em entrevista ao Portal Exibidor, Bittar e Kiçula falaram sobre as estratégias para a nova divisão da empresa, a importância das salas de cinema para os produtos licenciados e o potencial de títulos brasileiros nesse mercado.

A criação da divisão de licenciamento da Clube Filmes responde a uma demanda de mercado ou a uma estratégia interna de verticalização da empresa?

Marcelo Kiçula: Ambos. A criação dessa divisão responde, ao mesmo tempo, à uma estratégia interna da Clube Filmes de ampliar sua atuação e capturar mais valor em torno das propriedades com as quais trabalha, e à uma demanda concreta do mercado por abordagens mais completas e criativas em programas de licenciamento. Falamos em programas porque a Clube Filmes tem a capacidade de desenvolver conteúdos e desdobramentos que ampliam o apelo de cada marca e criam novas oportunidades de conexão com o público.

Como essa nova área se integra às frentes de produção e distribuição da Clube Filmes? A empresa passa a atuar como gestora de IP ou ainda depende de parceiros para a exploração das marcas? E qual deve ser o peso dessa nova área no negócio, em termos de receita e crescimento?

MK: Neste primeiro momento, estamos estruturando a área com base em IPs já existentes, tenham elas awareness consolidado ou ainda em fase de construção. A integração com as frentes de produção e distribuição acontece de forma natural, tanto no desenvolvimento de conteúdos originais — simples ou mais complexos — quanto na adaptação, distribuição e veiculação de materiais já existentes para a comunicação em português. Nossa expectativa é que essa unidade apresente um crescimento exponencial nos próximos três anos, à medida que ampliarmos o portfólio por meio da aquisição ou da criação de novas marcas, consolidando-se como uma frente cada vez mais relevante e estabelecida no mercado de licenciamento.

O que define o melhor formato de licenciamento em cada projeto: royalties, participação em vendas, acordos híbridos?

MK: Entendemos que o modelo de rentabilidade, por si só, não é o fator decisivo. O mais importante é que ele esteja alinhado ao objetivo estratégico de desenvolvimento de cada marca. A partir disso, a remuneração pode ser estruturada de diferentes formas — específica, híbrida ou combinada com outros mecanismos — sem necessariamente se limitar a royalties ou à participação direta nas vendas.

Vocês enxergam o cinema como uma “vitrine premium” no processo de licenciamento? Em que momento da estratégia de lançamento de um filme ele (licenciamento) deve ser considerado?

MK: Sem dúvida, o cinema funciona como uma vitrine premium no processo de licenciamento, porque confere visibilidade, legitimidade e força de posicionamento à propriedade. Esse valor, no entanto, precisa ser analisado à luz da performance do filme em salas e do seu potencial de engajamento com o público. Para estratégias de licenciamento de médio e longo prazo, não basta o impacto do lançamento: é fundamental haver continuidade de exposição e consumo, para que o filme ou a IP se aproxime de uma lógica de franquia e permaneça presente na mente das pessoas por mais tempo. Quando isso não acontece, as oportunidades continuam existindo, mas tendem a se concentrar no “momentum” do lançamento, com ações mais rápidas e de maior impacto imediato. Nesse contexto, o streaming se torna um componente essencial da estratégia, justamente por ampliar a recorrência, a longevidade e o alcance da marca.

Há planos de desenvolver ativações com produtos licenciados dentro das salas ou em parceria com exibidores? Como vocês enxergam o papel do cinema também como ponto de contato com o consumidor?

Fabrício Bittar: Sim. Enxergamos esse momento de contato com os produtos durante a exibição do filme como uma experiência única, que reforça um atributo que só o cinema é capaz de oferecer: a conexão imersiva entre conteúdo, marca e consumidor. Estamos estudando formas de viabilizar a oferta dos mais diferentes itens ao público, sempre buscando uma operação que faça sentido do ponto de vista comercial e da experiência. O principal desafio, neste caso, está na logística envolvida e nos custos inerentes a esse tipo de iniciativa.

O que torna uma propriedade viável para licenciamento hoje? Existe diferença entre o que funciona como conteúdo e o que se converte em produto? Há espaço para atingir outras audiências além do público infantil e dos fãs das grandes franquias?

FB: Acreditamos que a viabilidade de uma marca para licenciamento está diretamente ligada ao seu potencial aspiracional, independentemente da faixa etária do público. Hoje, há um movimento global muito consistente em torno de produtos voltados ao universo dos “kidults”, o que mostra que marcas direcionadas ao público adulto também podem gerar alto engajamento, desejo e valor comercial. Nesse contexto, desenvolver produtos voltados a esse nicho pode ser tão rentável e relevante quanto atuar em segmentos tradicionalmente associados ao público infantil ou às grandes franquias.

E falando em Brasil, é correto dizer que ainda estamos atrás nesse mercado de licenciamento relacionado ao cinema? 

FB: Conceitualmente, não acreditamos que o Brasil esteja atrás do mercado internacional em licenciamento ligado ao cinema. O principal desafio está menos na capacidade de desenvolvimento e mais nas condições de mercado, especialmente na relação entre preços e poder de consumo. Em muitos casos, isso faz com que oportunidades de licenciamento associadas a um filme nem cheguem a ser exploradas, diante do nível de investimento exigido e da percepção de risco envolvida.

Vocês veem potencial de exportar propriedades intelectuais do cinema brasileiro para licenciamento internacional?

FB: Sim, vemos um potencial real de exportação de propriedades intelectuais do cinema brasileiro para o licenciamento internacional. Esse movimento está diretamente ligado à qualidade criativa das produções nacionais e, sobretudo, à visibilidade que elas conquistam em festivais, premiações, veículos especializados e outras vitrines globais. Quanto maior essa exposição, maior tende a ser o interesse de parceiros, investidores e mercados externos, ampliando as possibilidades de desenvolvimento e monetização dessas marcas em escala internacional.

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