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08 Junho 2026 | Redação

Carta-manifesto pede produção audiovisual com mais responsabilidade socioambiental

Documento foi elaborado a partir de diálogos realizados durante o Think Tank Petrobras, no 15º BrLab

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(Foto: Divulgação)

Foi publicada na última semana a Carta-Manifesto pela Sustentabilidade no Audiovisual, documento produzido a partir dos diálogos realizados durante o Think Tank Petrobras, atividade que fez parte da programação do 15º BrLab, entre os dias 11 e 14 de abril.

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O documento convoca profissionais, associações de classe e instituições públicas e privadas a repensarem como o setor cria, produz e circula diante da crise socioambiental. O texto parte do entendimento do audiovisual como um ecossistema diverso e interdependente, e propõe uma transformação estrutural que integre responsabilidade ambiental, justiça social, acessibilidade, inclusão e inovação criativa em todas as etapas da cadeia produtiva.

 
De acordo com a carta, a transformação começa nos bastidores, já que nos departamentos de direção de arte e figurino, a materialidade — objetos, tecidos, cenários e adereços — tem implicações no uso e no descarte. O reaproveitamento de materiais, o uso de estoques locais e o pensamento regenerativo seriam caminhos concretos para reduzir impactos nessas áreas.
 
A discussão se estende ao roteiro: segundo os autores, a narrativa audiovisual define o que ganha visibilidade e o que é silenciado, portanto é uma peça política na construção de novos imaginários sobre a crise climática. O documento defende o investimento em letramento climático para criadores e o incentivo a formatos e perspectivas diversas, sem recorrer apenas ao didatismo ou ao catastrofismo.
 
O avanço tecnológico também é analisado com olhar crítico. A carta reconhece que ferramentas como produção virtual, captação remota e plataformas digitais podem reduzir deslocamentos e ampliar possibilidades de participação para profissionais com deficiência, mas alerta que essas mesmas tecnologias aumentam o consumo energético e geram impactos muitas vezes invisíveis. "Inovar precisa ir além da eficiência e assumir responsabilidade sobre as consequências sociais, ambientais e culturais dessas escolhas", aponta o manifesto.
 
Um dos eixos centrais do documento é o papel estruturante das políticas públicas. A carta defende a inclusão de critérios socioambientais nos editais de fomento, a destinação de recursos específicos para sustentabilidade, a ampliação de políticas afirmativas e o investimento em infraestrutura de energia limpa para filmagens. O manifesto também cobra relatórios periódicos de impacto, criação de bancos públicos de imagens e apoio ao desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis.
 
Além das questões ambientais, a carta reforça que a sustentabilidade no audiovisual passa também pelas relações de trabalho e pela inclusão. O documento defende condições dignas para os profissionais do setor, maior diversidade nas equipes e a ampliação da participação de grupos historicamente excluídos dos espaços de decisão, reconhecendo ainda o papel das mulheres na liderança de iniciativas voltadas à sustentabilidade e à transformação da indústria.
 
O texto propõe que o audiovisual brasileiro seja entendido como um ecossistema que vai além de produtoras e realizadores — abrangendo espaços de formação, pesquisa, preservação, laboratórios de desenvolvimento, festivais e eventos de mercado. Nesse sistema, a sustentabilidade se constrói nas relações entre os agentes, e a diversidade é tratada como oportunidade de fortalecer territórios e construir novas economias.
 
O manifesto conclui afirmando que o Brasil tem a oportunidade de liderar esse movimento na América Latina, integrando cultura, economia e meio ambiente para assumir compromissos concretos com o presente e com o futuro.
 
Assinam o documento conjuntamente: ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas), Apaci (Associação Paulista de Cineastas), API (Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro), BRADA (Coletivo das Diretoras de Arte do Brasil), Projeto Paradiso e Upex (União Nacional de Produtores Executivos).
 
Sobre o 15º BrLab e o Think Thank Petrobras
 
A programação da 15ª edição do BrLab aconteceu entre 7 de abril a 8 de maio em São Paulo (SP), Brasília (DF) e Recife (PE), e promoveu diversas atividades em diferentes eixos, marcando uma edição comemorativa de 15 anos. Participaram mais de 140 profissionais de 16 países, um público recorde nos workshops, consultorias, palestras, masterclasses, grupos de trabalho, painéis, rodadas de negócios e exibições de filmes. Neste ano, o BrLab recebeu um número também recorde de 768 inscrições de projetos de longas-metragens e séries, provenientes de 20 países da América Latina, além de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal.
 
O formato de “Think Tank” foi um novo eixo na programação, com patrocínio da Petrobras, dedicado a debater e analisar as problemáticas e questões relacionadas à sustentabilidade socioambiental na produção audiovisual. A programação reuniu profissionais da Argentina, Brasil e Colômbia com perspectivas complementares representativas de diferentes departamentos e elos da cadeia produtiva audiovisual. As atividades foram organizadas em distintos grupos de trabalho temáticos e estruturados em discussões restritas e em painéis abertos ao público em geral.

O BrLab convidou Ariene Ferreira para estar à frente da curadoria e programação, que foi correalizada com a Cinema Verde, empresa referência de mercado, criada há 15 anos com o propósito de orientar e contribuir para a sustentabilidade no audiovisual, e parceira do BrLab há três anos. "Esperamos que a gente possa cada vez mais inspirar e que o nosso setor realmente se torne uma referência de sustentabilidade. Uma potência que contribui para a mudança, não só dentro das nossas atividades e ecossistemas, mas para além deles", declarou Ferreira. 

 
Concebido como um espaço de reflexão, articulação e construção coletiva, o Think Tank Petrobras teve como objetivo estimular novos modelos de criação e produção audiovisual alinhados à preservação ambiental, responsabilidade socioambiental e inovação. Entre os temas debatidos estiveram narrativas relacionadas às mudanças climáticas, políticas públicas, inovação digital, tecnologias emergentes, processos de produção sustentável e responsabilidade ambiental no audiovisual. 
 
Clique aqui para ler a carta-manifesto na íntegra.

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