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11 Junho 2026 | Yuri Cavichioli

CEO da Neon vê risco na redução da concorrência em Hollywood

Tom Quinn defende a independência da empresa e critica a falta de diversidade do mercado audiovisual

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(Foto: Divulgação)

A falta de concorrência em Hollywood preocupa Tom Quinn. Para o fundador e CEO da Neon, o número cada vez menor de empresas disputando espaço no mercado e a influência crescente dos algoritmos podem comprometer a diversidade criativa da indústria audiovisual.

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Foi com esse argumento que o executivo participou da conferência Produced By, realizada em Hollywood e organizada pela Producers Guild of America (PGA). Ao falar sobre as transformações recentes do setor, Quinn demonstrou desconforto com o avanço das fusões entre grandes grupos de mídia e com estruturas corporativas cada vez maiores. “Isso me preocupa. A falta de competição é ruim”, disse.

Na visão do executivo, o modelo adotado por grandes conglomerados está distante da forma como gosta de trabalhar. “Eu não sobreviveria um dia em uma corporação”, afirmou, ao mencionar a política interna e as diversas camadas de gestão envolvidas nos processos de decisão.

A crítica às fusões apareceu até em tom de brincadeira: “A ideia de colocar duas dessas juntas... Como vocês se sentiriam se A24 e Neon se fundissem? Isso seria ridículo”, supôs, arrancando risos da plateia.

Outro tema levantado foi o que definiu como “uberização do entretenimento”, uma referência ao uso de algoritmos para orientar decisões criativas e comerciais. “Eu não quero entender isso, não quero fazer parte disso. É muito importante para nós, como empresa, que sejamos uma verdadeira independente e permaneçamos fiéis aos nossos cineastas.”

As declarações acontecem pouco mais de uma semana após a Neon ter conquistado sua sétima Palma de Ouro consecutiva no Festival de Cannes, com Fjord, de Cristian Mongiu, produção cujos direitos de distribuição pertencem à companhia em diversos territórios — e que no Brasil será distribuído pela Diamond Films. Mesmo com a sequência de vitórias, Quinn afirmou que nunca construiu sua estratégia em torno de premiações e que prefere concentrar esforços em trabalhar com cineastas que admira.

Embora não tenha comentado os relatos de que a Neon negocia um aporte financeiro da Department M, o fundador da empresa falou sobre o crescimento nos últimos anos. Essa expansão foi impulsionada principalmente pelas áreas de produção e vendas internacionais, responsáveis pela comercialização dos direitos de filmes para diferentes mercados ao redor do mundo, segundo ele.

Apesar disso, Quinn deixou claro que não pretende transformar a companhia em um estúdio voltado para superproduções. “Temos um teto para o tamanho dos filmes, e a razão é que existe um determinado nível de orçamento que eu pessoalmente não entendo. Se formos grandes o suficiente para fazer filmes acima de US$ 50 milhões, vamos esquecer a missão principal de produzir obras como Foi Apenas Um Acidente, de Jafar Panahi. Esse é o sangue que corre nas veias da empresa.”

O executivo acrescentou que deseja acompanhar o crescimento de seus diretores sem abrir mão dessa identidade. “Quero que sejamos grandes o suficiente para crescer junto com determinados cineastas. Eles podem sair para fazer um filme da Marvel ou um de Star Wars, e isso é ótimo. Depois eles voltam para nós.”

Como referência para esse equilíbrio, Quinn citou Expresso do Amanhã (2013), de Bong Joon-ho, cujo orçamento inferior a US$ 35 milhões serviu de base para o plano de negócios da Neon elaborado há mais de sete anos. “Parece um lugar bastante razoável para alcançarmos todas as nossas ambições”, finalizou.

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