Venda de ingressos cai 4,44% na Europa em 2025, mas primeiro trimestre de 2026 é animador
Produções locais foram responsáveis por 31,4% dos ingressos vendidos no continente
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(Foto: Divulgação)
A União Internacional de Cinemas (Unic), entidade que representa exibidores e suas associações nacionais em 39 territórios europeus, divulgou seu relatório anual sobre as principais tendências do cinema na Europa nesta terça-feira (23/6) durante a CineEurope, em Barcelona. O documento apontou uma queda de 4,4% na venda de ingressos em 2025 no continente em comparação ao ano anterior, totalizando um público de 873,2 milhões de espectadores. A renda ficou em € 6,9 bilhões, uma queda de 1,2%, mas o primeiro trimestre deste ano reacendeu o otimismo.
Apesar do recuo geral, países como Áustria, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Chipre, Dinamarca, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Letônia, Noruega, Polônia, Romênia, Reino Unido e Ucrânia registraram aumento em suas bilheterias. França (156,2 milhões); Reino Unido (126,5 milhões); Alemanha (91,9 milhões); Itália (68,4 milhões); e Espanha (65 milhões) foram os territórios com a maior venda de ingressos no ano.
De acordo com a Unic, a baixa nos números se deve em parte à programação irregular de lançamentos dos estúdios de Hollywood, ainda como reflexo das greves de 2023. Apesar disso, Zootopia 2 (Disney), Avatar: Fogo e Cinzas (Disney), Lilo & Stitch (Disney), Um Filme Minecraft (Warner), Invocação do Mal 4: O Último Ritual (Warner), Jurassic World: Recomeço (Universal), Missão: Impossível – O Acerto Final (Paramount) e Extermínio: A Evolução (Sony) marcaram presença entre os filmes mais assistidos na Europa, mostrando que as produções dos Estados Unidos ainda representam uma parcela substancial do mercado.
E se por um lado a falta de mais lançamentos do outro lado do oceano contribuiu para o declínio da compra de ingressos, a força das produções locais ajudou a equilibrar a balança. O grande destaque no quesito market share nacional foi a Turquia, com 51% das bilheterias provenientes de filmes nacionais, sendo o único país a atingir mais de 50%. Em segundo lugar aparece a Dinamarca, que aumentou a participação de títulos dinamarqueses de 23,3% em 2024 para 37% no último ano, impulsionando um crescimento de 4,5% no público total de seus cinemas.
França (34,3%), Itália (32,7%) e Albânia (32%) também se destacaram no quesito, com a Itália atingindo o maior patamar desde 2016. Buen Camino, estrelado pelo comediante Checco Zalone e lançado no Natal, inclusive, arrecadou € 36 milhões em sete dias e se tornou a maior bilheteria de 2025 no país. Nos primeiros meses de 2026 o longa alcançou a marca de € 79,53 milhões e se tornou a produção com maior arrecadação na história italiana.
O relatório também destacou o desempenho da Alemanha, que produziu Das Kanu des Manitu, terceiro filme europeu com o maior número de ingressos vendidos em 2025, que impulsionou o market share nacional para 27,4%, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Considerando apenas o desempenho na Alemanha durante o último ano, o longa faturou € 50,9 milhões.
Potência das produções locais e das salas
Essa força das produções locais fez a quota de mercado dos filmes europeus na União Europeia atingir 31,4% em 2025, com 42 títulos locais a figurarem entre os mais vistos do ano. O mês de dezembro, especificamente, foi o melhor desde 2019, com um crescimento de 10% em comparação ao mesmo período do ano anterior – que até então era o dezembro mais forte desta década. As produções locais que mais venderam ingressos no ano foram Bridget Jones: Louca pelo Garoto, do Reino Unido (11,8 milhões); Paddington: Uma Aventura na Floresta, do Reino Unido, França e EUA (7,1 milhões); Das Kanu des Manitu, da Alemanha (6,1 milhões); Downton Abbey: O Grande Final, do Reino Unido e EUA (4,7 milhões); e Buen Camino, da Itália (4,5 milhões).
O impulso positivo de dezembro continuou no primeiro semestre de 2026, com mais de 15 países registrando crescimento de dois dígitos – e, em alguns casos, até mesmo de três dígitos – incluindo França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Áustria, Espanha, Suécia, Croácia, Sérvia e Grécia. Projetando o restante do ano, a Gower Street Analytics estimou um ligeiro aumento de US$ 34,50 bilhões para US$ 34,55 bilhões na bilheteria global para este ano. A estimativa para o mercado internacional (excluindo a China) subiu US$ 50 milhões, de US$ 18,40 bilhões para US$ 18,45 bilhões, impulsionada principalmente pela região EMEA (Europa, Oriente Médio e África). Em maio de 2026, a EMEA estava 24% acima até mesmo do patamar pré-pandemia, superando o aumento de 17% registrado em julho de 2023.
Por fim, o relatório também apontouo vigor e os investimentos contínuos dos cinemas, ao mesmo tempo que sublinhou as condições essenciais para garantir o seu sucesso a longo prazo. Entre as principais, destacam-se a exclusividade significativa nas salas de cinema e uma programação consistente e diversificada de filmes — abrangendo sucessos de bilheteria de Hollywood, produções locais e títulos internacionais — que possam continuar a atrair o público para as telonas e sustentar um ecossistema cinematográfico vibrante.
"À medida que a indústria cinematográfica europeia continua a navegar num cenário em rápida evolução, uma coisa permanece clara: os cinemas são tão relevantes, dinâmicos e valorizados como sempre foram", disse Laura Houlgatte, CEO da Unic, ao apresentar o relatório. Segundo ela, ao longo do último ano, o setor demonstrou mais uma vez a sua capacidade de adaptação, inovação e conexão do público com histórias que entretêm, inspiram e unem comunidades. “Embora ainda existam desafios, os alicerces da nossa indústria são sólidos. Os cinemas continuam a ser uma força cultural, social e económica vital, apoiando a criatividade, gerando crescimento e proporcionando experiências partilhadas incomparáveis ao público em toda a Europa."
Novo conselho de administração da Unic é eleito
No mesmo dia em que apresentou seu mais recente relatório sobre o mercado local, a Unic anunciou a composição de seu novo Conselho de Administração. O colegiado, composto por presidente, vice-presidente sênior, vice-presidentes e tesoureiro, foi eleito para um mandato de dois anos, com término em junho de 2028.