29 Junho 2026 | Yuri Cavichioli
Bahia Filmes mira distribuição, comunicação e novos investimentos para fortalecer o audiovisual local
Evento de inauguração da empresa estadual aconteceu neste domingo (28/6), em Salvador
A Bahia Filmes, primeira empresa estadual voltada ao audiovisual no Brasil, iniciou suas atividades com foco na estruturação da cadeia produtiva do setor, na atração de investimentos e no fortalecimento da distribuição e da exibição de obras baianas. Vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), a instituição também pretende atuar em áreas como pesquisa, formação profissional, games e novas tecnologias.
Inaugurada no domingo (28/6), em Salvador, a empresa integra o Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 do governo da Bahia e deve atuar na captação de investimentos, no apoio à distribuição de obras e no desenvolvimento de novos negócios para o audiovisual local. O secretário de Cultura, Bruno Monteiro, afirmou que a iniciativa busca ainda fortalecer a presença das produções em festivais, cineclubes e salas de cinema.
Durante a cerimônia, o governador Jerônimo Rodrigues anunciou o decreto que regulamenta a Bahia Film Commission, responsável por atrair produções para o Estado, além do lançamento dos editais de contrapartida do Programa Arranjos Regionais, do edital para comercialização em salas de cinema e da concessão do Cine Glauber Rocha.
O diretor-presidente da Bahia Filmes, Pola Ribeiro, afirmou durante o evento de inauguração que a empresa surge para o audiovisual baiano deixar de perder oportunidades. . "A percepção do setor é que está tudo muito fragmentado e que algumas questões vão sendo deixadas de lado”, disse ao PORTAL EXIBIDOR. “Muito poucos filmes tinham captado recursos fora do Fundo Setorial do Audiovisual, que é um fundo mais previsível. A própria renúncia fiscal e outras possibilidades não estavam sendo acessadas, talvez por falta de previsibilidade para investimentos e infraestrutura. Muitas produtoras têm só o equipamento de filmar, mas não têm uma área qualificada de contabilidade ou jurídica", explica.
T Quatro editais já foram publicados:
- Licenciamento de Obra Audiovisual para o Circuito de Cinema Walter da Silveira
- Lab Edital – Seleção de Laboratórios de Qualificação do Setor Audiovisual
- Edital de Mapeamento da Capacidade Instalada dos Setores Audiovisual e de Animação e Games do Estado da Bahia
- Comercialização de Obras Audiovisuais para o mercado nacional
Para Ribeiro, a escolha das primeiras ações está ligada à necessidade de tornar a produção baiana mais conhecida pelo público e reunir informações que orientem futuras políticas públicas. "Nossa principal preocupação é essa invisibilidade do cinema brasileiro. Se você pede a uma pessoa mais ou menos informada em Salvador para citar 10 filmes baianos, ela vai identificar um ou nenhum. Se não sabe que existe, não tem nem a possibilidade de ter o desejo de ver. A gente tem que ocupar todos os espaços possíveis divulgando nossos filmes. Toda a produção de filmes, de livros, de pesquisa e de informações sobre o audiovisual terá que ser potencializada."
Próximos passos
O executivo acrescentou que os próximos passos incluem ampliar pesquisas sobre o setor, fortalecer observatórios e utilizar eventos como espaços permanentes de escuta para formulação de políticas públicas. Segundo ele, a estratégia também envolve maior integração com a Diretoria de Imagem e Som da Secult-BA, responsável por ações voltadas à formação, ao cineclubismo e à difusão audiovisual.
Entre as prioridades da empresa também está o fortalecimento da distribuição e da exibição, especialmente das salas de cinema. Ribeiro afirmou que a instituição pretende estimular uma atuação conjunta entre produtores, distribuidores e exibidores para ampliar o alcance dos lançamentos e melhorar a comunicação com o público.
"Nós temos essa certeza de que a sala de cinema é a nossa ‘pista de Fórmula 1’, é o nosso tapete vermelho, é a vitrine, é o momento onde a gente precisa fazer a grande divulgação dos filmes. A partir daí as coisas vão se encaminhando para as outras plataformas, para televisão, para outros meios de comunicação, mas a sala de cinema é o nosso momento e é a nossa oportunidade. . Não podemos abrir mão."
Como parte desse trabalho, a Bahia Filmes realizou, durante o Panorama Coisa de Cinema, uma série de 26 entrevistas com cineastas, distribuidores e produtores. O material será transformado em podcasts e servirá de base para a elaboração das próximas ações da empresa.
Para Ribeiro, a baixa visibilidade do audiovisual local exige uma atuação conjunta entre produtores, distribuidores, exibidores e demais agentes da cadeia. Na avaliação do diretor-presidente da Bahia Filmes, o problema não está concentrado em um único elo nem apenas na falta de recursos, mas também na ausência de estratégia, planejamento e compromisso com a comunicação das obras. Segundo ele, cada filme precisa identificar seu público e mobilizar sua própria rede de divulgação, compartilhando essa responsabilidade entre todos os envolvidos no lançamento.
- 0 medalha