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Artigo / Audovisual

01 Dezembro 2020

A Era do Cinema chegou ao fim?

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A TV chegou aos lares norte-americanos nos anos 1950 e já estava ali decretado o fim do cinema e do convívio público-social. Veio o cinema a cores, vieram o VHS, DVD, TV Wide e até mesmo a pirataria rolando solta, mas em contrapartida o cinema rompeu recordes com Tubarão (1975), Star Wars (1977), Jurassic Park (1993), Titanic (1997) e Avatar (2009).

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Aí chegaram o streaming e os torrents. Agora, sim, o cinema ACABOU, não há qualquer chance de sobrevivência… tivemos um tal filme que eu, particularmente, gosto de falar que teve 10 anos de publicidade, o qual os próprios espectadores financiavamr estas publicidades: Vingadores Ultimato (2019).

Agora, 2020, 8 meses de pandemia e a beira de entrarmos em 2021, o cinema acabou de vez? Será?

Após 8 semanas dos cinemas do Rio de Janeiro abertos, 7 semanas em São Paulo e resultados abaixo de 10% da média das suas respectivas semanas em 2019, podemos decretar que o cinema jamais será o mesmo?

Se olharmos para países que controlaram sua pandemia com rigoroso suporte (em alguns casos, intervenção) do governo local e o território ainda possuindo bons conteúdos nacionais, o cinema continua o mesmo, lotando salas de cinema e com demanda crescente por mais ingressos e mais pipocas desde sua reabertura.

Os territórios do Japão, Coreia do Sul e China praticamente erradicaram a COVID-19, fizeram a sua lição de casa e suas respectivas economias já começam a voltar nos trilhos.

Na China, por exemplo, já não há nem mesmo a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos. E, na semana de 12 de novembro, o país se tornou o território mais lucrativo para cinemas no globo em 2020.

A política de controle da pandemia nestes três países foi exemplar. Mesmo sem vacina, podemos considerar que eles venceram a pandemia. A vacina, último contra-ataque para uma pandemia, não foi o norte deles. Foram políticas de quarentena integrada incluindo controle de fronteiras, testes em massa, entre outras ações que deram uma vantagem econômica sem precedentes a estas regiões.

Japão, Coreia do Sul e China também têm uma política invejável de apoio ao conteúdo nacional e sua difusão, principalmente com este último. Isso também lhes rendeu uma vantagem em termos de conteúdos para serem lançados nos cinemas sem a dependência de Hollywood.

Aqui no Brasil, a falta de integração entre Federação e Estados resultou em um dos piores controles da pandemia no mundo. E isso, aliado à dependência de filmes norte-americanos onde o controle da pandemia lá é tão pior quanto aqui, chegamos a tal resultado: muitos cinemas a beira da falência e grandes títulos brasileiros, como "No Gogó do Paulinho" (2020) indo para o streaming.

Está provado por constatação do resultado daqueles três países asiáticos que o cinema não irá morrer e ainda atrairá multidões. E olha que aquela região possui mais celulares, tablets e smartTV’s do que 10 Brasil’s juntos. Possuem muito mais plataformas de streamings do que nós e, mesmo assim, o cinema ainda está atraindo multidões somente alguns meses pós-reabertura.

O problema não é o streaming, o problema são governos que agem como “maricas” frente à pandemia e afundam cada vez mais a economia criativa audiovisual que emprega mais de 400 mil pessoas somente no Brasil.

Iremos sobreviver, iremos rir dos sucessos que estão por vir, mas muitas falências serão decretadas. Não há dúvidas que em meio ao nosso futuro sucesso teremos que reconstruir parte do nosso mercado.

O cinema ainda é a melhor janela para qualquer conteúdo audiovisual. Tolo é quem acha isso o contrário. E se você é da indústria e acredita no fim do cinema, tolo é você que acredita em notícias e análises de publicações que não entendem de cinema.

 

Vida longa ao cinema!

Marcelo Lima
Marcelo Lima | marcelo.lima@tonks.com.br

Marcelo J. L. Lima é CEO da Tonks, diretor da Expocine, bem como editor do Portal e Revista Exibidor.

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