09 Janeiro 2026 | Yuri Codogno
Disney comemora resultados do ano passado e projeta 2026 ainda mais potente: "É a tempestade perfeita"
Portal Exibidor conversou com Renato Sica, head de marketing da distribuidora no Brasil
A Disney encerrou o ano de 2025 com cerca de 32% de market share na exibição nacional. Dos 112 milhões de ingressos vendidos no Brasil, segundo o Observatório do Cinema e do Audiovisual, mais de 36 milhões foram destinados aos lançamentos da gigante global, colocando a Disney como a distribuidora com mais participação na venda de ingressos. O Portal Exibidor conversou com Renato Sica, head de marketing da distribuidora no Brasil, sobre os feitos da empresa no ano passado, mas também sobre o que vem por aí em 2026.
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A Disney emplacou 13 filmes no ranking dos 50 com mais ingressos vendidos no Brasil em 2025: Lilo & Stitch (10,2 milhões); Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (4,4 milhões); Zootopia 2 (4,3 milhões); Mufasa: O Rei Leão (4 milhões); Capitão América: Admirável Mundo Novo (2,9 milhões); Avatar: Fogo e Cinzas (2,7 milhões); Thunderbolts* (2,1 milhões); Branca de Neve (1,8 milhão); Moana 2 (1,1 milhão); Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda (700 mil); Tron: Ares (600 mil); Predador: Terras Selvagens (600 mil); e Elio (500 mil).
“Olhamos para 2025 com celebração. Não podemos esquecer que viemos de um ano que pegamos o finalzinho de ‘Mufasa’ e de ‘Moana 2’, então começamos o ano muito felizes. Tivemos ainda ‘Lilo & Stitch’, que foi um grande arrasa-quarteirão no primeiro semestre. Tivemos outras franquias que também exportaram super forte”, comemora Sica.
E assim como Mufasa e Moana 2 foram importantes para o início de 2025, a Disney também possui seus trunfos para o começo do ano vigente, com a previsão de Zootopia 2 e Avatar 3 levarem milhões aos cinemas nas próximas semanas do ano. Ambos os filmes, que entraram em cartaz nas últimas cinco semanas de 2025, possuem estratégias de cauda longa, com expectativa de perdurar no ranking dos mais vistos por um longo período.
“Quando decidimos a data de estreia de ‘Zootopia 2’, já esperávamos um comportamento parecido. Lançou numa data que é muito melhor para os Estados Unidos, que é o Thanksgiving, mas sabíamos que seria um filme que ia correr para as férias, e agora ele está passando de 5 milhões de espectadores, então de fato é um fenômeno para celebrar muito. Já era esperado um passo mais devagar, mas que fosse um passo longo”, conta Sica.
O executivo ressaltou que parte do trabalho para medir as expectativas do filme veio através da plataforma de streamings da empresa, o Disney+, que acaba operando muito forte nas franquias que já existem, com a mecânica de ajudar a reavivá-las. No caso de Zootopia, o primeiro longa da série acabou ajudando a gerar expectativa para o segundo.
Avatar, aliás, é outra saga que é beneficiada por tal mecânica, e que já era esperado uma longa vida nas telonas. O antecessor da franquia, lançado na virada de 2022 para 2023, ficou três meses entre os dez filmes com mais ingressos vendidos no país. “‘Avatar’ tem não só um tempo de tela muito grande, como expectativa de jornada, como também é esse grande filme premium, de grandes formatos, que vai durar bastante ainda. Não só nas férias, como deve extrapolar as férias, carnaval, e deve continuar por muito tempo”, ressalta o executivo.
Em relação aos lançamentos de 2026, a Disney felizmente terá bastante trabalho pela frente, pois é um ano em que todos seus estúdios e suas principais franquias terão representação nas telonas, além de importantes estreias nacionais. Desta forma, a frequência de grandes lançamentos da distribuidora é de pelo menos uma grande estreia a cada dois meses, com a periodicidade podendo ser ainda melhor em alguns períodos do ano.
“Esse vai ser um ano bem atípico para nós, porque é um ano em que todas as franquias mais fortes têm um lançamento, e todos os estúdios têm um lançamento. Então, colocando ‘Avatar’ dentro desse ano, é um ano que tem ‘Avatar’, é um ano que vai ter ‘Vingadores’, é um ano que tem dois filmes da Pixar. Vamos ter Disney Animation no final do ano. Muito da 20th Century. É um ano para celebrar demais”, explica Renato Sica.
Da Pixar, há sua nova propriedade intelectual, Cara de Um, Focinho de Outro (5 de março), apostando no grande impacto do estúdio em trazer novas histórias e emocionar novas audiências. Além, é claro, de Toy Story 5 (18 de junho), que chega com uma história atual, buscando dialogar com a relação entre infância, brinquedos e o excesso do uso das telas na juventude.
Inspirado em suas animações originais, há também o live-action de Moana (9 de julho), trazendo o The Rock para os cinemas ao interpretar novamente o deus Maui. A franquia, aliás, possui uma relação próxima com os brasileiros, lembrando que a animação Moana 2, lançada no final de 2024, vendeu quase 10 milhões de ingressos no país.
Saindo do campo das animações e de suas versões em live-action, temos outras poderosas franquias retornando às salas escuras, como O Diabo Veste Prada 2 (30 de abril): “A expectativa que existe em torno de ‘O Diabo Veste Prada 2’… vimos comportamentos semelhantes só em filmes como ‘Lilo & Stitch’. Os números que geram nossas expectativas também já estão lá em cima. Então estamos muito, muito empolgados. Tenho certeza que esse vai ser um dos grandes momentos do ano”.
Quem também retorna aos cinemas é Star Wars, após sete anos de hiatos de lançamentos cinematográficos. O Mandaloriano e Grogu (21 de maio) traz a franquia de volta, mas com um elemento extra, que é o personagem Grogu, que, como definiu Sica, “é multi-meio, ele toma o cinema, os pontos de venda, vai ter campanhas no consumo, no varejo. Então é um filme que acaba tendo proporções maiores”. Além disso, é uma propriedade intelectual que nasceu Disney+ com a série O Mandaloriano, mas que agora sua continuação migra para o cinema.
Por fim, também após sete anos longe dos cinemas, temos um novo Vingadores. Após o estrondoso sucesso de 2019, Ultimato, que vendeu mais de 19 milhões de ingressos no Brasil e arrecadou US$ 2,79 bilhões globais, Vingadores: Doutor Destino (17 de dezembro) será o encontro dos acontecimentos do Universo Cinematográfico Marvel entre 2019 e 2026.
No cinema nacional, dois longas se destacam, como conta Sica: “Estamos muito na expectativa da semana que vem (15 de janeiro), que é a chegada de ‘O Diário de Pilar na Amazônia’. O filme tem vindo com números bons, porque vem de uma franquia de literatura infantil gigante, super presente nas escolas, mais de 800 mil livros vendidos. E está num período de férias em que toda essa criançada pode consumir esse conteúdo em outro meio. Estamos apostando muito nessa primeira abertura num nacional, e ainda tem mais um nacional chegando também muito forte, além de outros vamos lançar, que é ‘Se Eu Fosse Você 3’ voltando pro cinema em 4 de junho. Então, só de nacional, já estamos muito felizes”.
Sobre O Diário de Pilar na Amazônia, que estreia na próxima quinta-feira (15), o longa foi ovacionado pelas crianças em sua exibição durante a 2ª Mostrinha, ano passado. Desta forma, é possível traçar um paralelo entre filmes voltados para um público infantil e a formação de público, movimento que se faz cada vez mais necessário no Brasil e no mundo.
“A Disney tem um grande portfólio que acaba falando com famílias, e ‘Pilar’ está nesse lugar de famílias, não só de crianças. Temos a produtora Conspiração fazendo esse filme, uma qualidade de produção super alta, então a criança tem oportunidade de ver o que é um evento no cinema. Entendendo o que é um evento no cinema, uma experiência compartilhada, uma experiência imersiva, começa a ter um gostinho que cabe não só a Disney, mas a todo mercado, sempre replicar e garantir que essa criança ou esse novo consumidor do nosso meio consiga entender o valor de estar numa experiência tão imersiva quanto cinema”, explica Sica.
Antes de encerrar, o executivo ainda projetou sua perspectiva de 2026 para o parque exibidor, ressaltando a parceria com os exibidores e que, através do diálogo, é possível unir forças para levar o público para as salas de cinema. A frequência de lançamentos, variedade de títulos, qualidade dos filmes e um ótimo trabalho feito para cada estreia foram apontados como peças-chave para uma crescente na exibição nacional.
“Se pegar o calendário com as datas, quase todos os meses tem um lançamento para poder garantir que essa cadência aconteça. E conhecendo os exibidores que são nossos parceiros, sabemos que eles vão agarrar isso com unhas e dentes e fazer isso acontecer. E à medida que o exibidor tem produto, cadência, calendário, materiais sendo entregue, conseguimos manter e incentivar o hábito de ir ao cinema. E do lado da Disney estamos fazendo isso. Temos tido boas iniciativas e uma parceria com o exibidor que tem sido ímpar. Um diálogo muito bom, proximidade, programação muito boa, o time de programação também tem conseguido os espaços muito bons. Temos um produto bom, uma promoção boa e uma ativação no ponto de venda ótima. É a tempestade perfeita”, finaliza Renato Sica.
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