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18 Fevereiro 2026 | Yuri Cavichioli

Disputa pela Warner entra no campo regulatório e Conselho dá sete dias para nova proposta da Paramount

Negociação envolve estrutura do negócio, acionistas e análise de concentração de mercado

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(Foto: Divulgação)

A Warner Bros. Discovery abriu um prazo de sete dias para negociar com a Paramount Skydance uma possível proposta revisada de aquisição, ao mesmo tempo em que mantém o acordo de US$ 82,7 bilhões firmado com a Netflix para a venda dos estúdios Warner e dos ativos de streaming, incluindo a HBO. A decisão foi tomada após nova ofensiva da Paramount e ocorre às vésperas da assembleia de acionistas marcada para 20 de março. As informações foram publicadas por Deadline e Variety.



A janela foi viabilizada após a Netflix conceder uma renúncia temporária a determinadas cláusulas do acordo de fusão, permitindo que a Warner esclareça o que classifica como a “melhor e última oferta” da rival. O conselho reiterou, contudo, que continua recomendando de forma unânime a aprovação da transação já assinada com a Netflix, cujo valor é de US$ 27,75 por ação, integralmente em dinheiro, após a empresa revisar uma proposta anterior que combinava caixa e ações.

As duas propostas têm estruturas distintas. A Netflix pretende adquirir os estúdios e os ativos de streaming, incluindo HBO e HBO Max, com a separação dos canais lineares da Discovery em uma nova companhia listada em bolsa. Já a Paramount busca a compra integral do conglomerado, incluindo televisão e demais ativos.

A Warner reafirmou que rejeitou por unanimidade a oferta inicial da Paramount, de US$ 108,4 bilhões pelo grupo inteiro, e também orientou os acionistas a rejeitarem a proposta hostil mais recente, de US$ 30 por ação.

“Em 11 de fevereiro, um representante sênior de seu assessor financeiro comunicou verbalmente a um membro de nosso Conselho que a Paramount concordaria em pagar US$ 31 por ação da Warner caso iniciássemos negociações, e que US$ 31 não seria sua melhor e última proposta”, informou o Conselho da Warner em carta divulgada ao mercado.

Segundo a companhia, a Paramount indicou disposição para elevar o valor caso as negociações fossem formalmente abertas. A empresa também acrescentou um pagamento adicional de US$ 0,25 por ação por trimestre a partir de dezembro de 2026, caso a transação não seja concluída até lá, como forma de compensar eventual demora no fechamento.

A Paramount afirmou que seguirá com sua oferta pública e manterá a mobilização junto aos acionistas da Warner, além de sustentar oposição ao acordo com a Netflix. Parte dos investidores vinha pressionando a gestão para avaliar com maior profundidade a proposta concorrente, movimento que antecedeu a abertura da janela de negociação.

“Embora as ações do Conselho da Warner sejam incomuns, a Paramount está preparada para se engajar em discussões construtivas e de boa-fé”, afirmou a Paramount em comunicado oficial.

Paralelamente à disputa societária, o embate ganhou contornos regulatórios. O CEO da Paramount, David Ellison, enviou carta ao senador Cory Booker afirmando que a combinação entre Netflix e Warner representaria uma ameaça estrutural à concorrência no setor. “Essa combinação representa uma ameaça fundamental à concorrência justa na indústria do entretenimento”, escreveu Ellison, ao defender que a definição de mercado proposta pela Netflix enfraqueceria a aplicação das leis antitruste no setor de mídia e tecnologia.

Ellison contestou ainda o argumento do co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, de que o YouTube seria o principal concorrente da empresa, afirmando que os modelos de negócio são distintos e que há baixa sobreposição de conteúdo. Ele também alertou para possível impacto nas salas de cinema caso mais lançamentos migrem diretamente para o streaming.

A Netflix reagiu publicamente às declarações da rival e também criticou a leitura regulatória da concorrente: “A Paramount vem promovendo uma campanha de inundação de informações falsas, criando uma série de hipóteses e cenários muito improváveis”, declarou Ted Sarandos em entrevista à CNBC.

Em comunicado anterior, a empresa já havia afirmado que a Paramount distorce o processo de revisão regulatória ao sugerir que sua própria proposta teria aprovação mais simples, argumento que, segundo a Netflix, induziria acionistas a erro sobre os riscos concorrenciais envolvidos.

Sarandos afirmou confiar na aprovação regulatória e disse não ver razões para que o governo federal bloqueie a operação. Segundo ele, o acordo oferece clareza e previsibilidade de valor aos acionistas, posição reiterada pelo conselho da Warner ao manter sua recomendação formal.

No mercado, a disputa agora envolve três frentes: a definição da proposta final da Paramount dentro do prazo de sete dias, o eventual exercício dos direitos contratuais da Netflix para igualar ofertas concorrentes e a análise regulatória que deverá seguir caso o acordo avance. A assembleia de 20 de março será o próximo marco decisivo para os acionistas da Warner.

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