20 Fevereiro 2026 | Yuri Cavichioli
IMAX exibirá Fórmula 1 ao vivo nos EUA e indica como o circuito exibidor brasileiro pode se beneficiar do esporte
Parceria entre IMAX e Apple TV abre nova frente para conteúdos esportivos nas salas premium e reforça potencial de replicação em mercados como o Brasil
A IMAX vai exibir ao vivo cinco etapas do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2026 em cinemas selecionados dos Estados Unidos, em parceria com a Apple TV, nova detentora dos direitos da categoria no país. A ação envolve ao menos 50 complexos e marca a entrada da gigante de tecnologia como emissora oficial da F1 no território norte-americano. As informações foram veiculadas inicialmente pela Variety e Deadline.
Ao todo, serão transmitidos os Grandes Prêmios de Miami (3 de maio), Mônaco (7 de junho), Silverstone (5 de julho), Monza (6 de setembro) e Austin (25 de outubro). O acordo integra um contrato de cinco anos firmado pela Apple para a exploração dos direitos da Fórmula 1 nos EUA, movimento que dialoga com a crescente valorização do esporte no mercado local.
Nos últimos anos, a categoria ampliou sua presença no país com etapas em Las Vegas, Miami e Austin, consolidando os Estados Unidos como território estratégico. Ao levar as corridas para o ambiente IMAX, o circuito exibidor passa a disputar um evento que tradicionalmente pertence à TV e ao streaming, adicionando uma camada coletiva e premium à experiência.
“F1 é uma força crescente no esporte e na cultura dos Estados Unidos. Ao levar a transmissão ao vivo da Apple TV para as salas IMAX em todo o país, estamos oferecendo ao público uma nova forma de acompanhar a velocidade e o espetáculo da categoria”, afirmou Oliver Schusser, vice-presidente de Música, Esportes e Beats da Apple.
A parceria retoma a colaboração iniciada com F1: O Filme, produção da Apple Studios dirigida por Joseph Kosinski e distribuída pela Warner Bros.. O longa arrecadou US$ 654 milhões mundialmente, sendo US$ 97,6 milhões nas telas IMAX, consolidando a sinergia entre esporte e cinema de grande formato.
Vale lembrar que o sucesso mundial fez com que o filme já tenha uma sequência confirmada pelo produtor Jerry Bruckheimer.
No Brasil, os números reforçam que o interesse não é pontual. Segundo dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), da Ancine, F1: O Filme levou 1,41 milhão de espectadores aos cinemas e arrecadou quase R$ 36 milhões, tornando-se o 23º título mais visto no país em 2025.
“Apple TV e o filme de Joe Kosinski demonstraram que a velocidade e a precisão da Fórmula 1 se traduzem de forma contundente na experiência Imax. Estamos entusiasmados em colaborar novamente para levar corridas ao vivo ao público e ampliar nosso portfólio de eventos”, declarou Jonathan Fischer, Chief Content Officer da Imax.
Além das bilheterias, outros sinais apontam para a força comercial da Fórmula 1 no Brasil. A linha de miniaturas lançada pelo McDonald’s esgotou rapidamente em diversas capitais, destacando o apelo do esporte junto ao público jovem e familiar. Na TV aberta, a audiência consistente da F1 na Band entre 2021 e 2025 contribuiu para que a Globo retomasse os direitos de transmissão da categoria a partir de 2026.
Desta forma, como os direitos de exibição são exclusivos da Rede Globo, seria necessário costurar um acordo com a emissora, possibilitando a transmissão das corridas diretamente nos cinemas. Mas vale lembrar que diversas redes de exibição optam por transmitir ao vivo algumas das partidas de futebol da Champions League, em uma parceria com a Warner (dona do HBO Max, que transmite os jogos em conjunto com o TNT Sports. O ano passado, aliás, registrou recorde de público, como contou a Warner.
Nesse contexto, a iniciativa da IMAX nos Estados Unidos funciona como um laboratório para o circuito exibidor brasileiro. Com um público historicamente conectado à Fórmula 1 — seja pela herança de ídolos como Ayrton Senna, Piquet, Fittipaldi, Rubinho, Massa, seja pela atual presença de marcas globais e narrativas midiáticas fortes — há espaço para pensar sessões-evento, transmissões especiais e ativações integradas a patrocinadores.
A exibição de corridas ao vivo em salas premium não substitui o calendário tradicional de estreias, mas pode ocupar janelas estratégicas e gerar receita incremental. Em um momento em que o mercado busca diversificação de conteúdo e novas formas de atrair audiência, olhar para a Fórmula 1 como produto cinematográfico pode ser menos uma aposta e mais uma leitura de demanda já comprovada.
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