27 Março 2026 | Yuri Codogno
Na presidência da Spcine, Anna Paula Montini quer previsibilidade para o setor
A executiva, que vem da iniciativa privada, disse em entrevista exclusiva ao Portal Exibidor que buscará fazer uma boa gestão para o mercado
Em novembro do ano passado, a Spcine anunciou a troca de sua presidência, com a saída de Lyara Oliveira e a chegada da Anna Paula Montini para assumir o cargo. Agora à frente da empresa pública de audiovisual da cidade de São Paulo, a executiva tem a missão de dar sequência ao legado da companhia, assim como encontrar novas frentes de atuação e receita, em uma gestão que, segundo ela, irá priorizar a previsibilidade.
O Portal Exibidor conversou com Anna Paula no dia 6 de fevereiro, na própria sede da Spcine. Advogada de formação, ela sempre teve a certeza de desejar atuar dentro do campo cultural e, durante sua trajetória, transitou entre diferentes linguagens artísticas, como teatro, artes visuais, literatura e o próprio audiovisual. E foi através desse background que compreendeu as dinâmicas da produção, conseguindo embarcar no mercado com um repertório jurídico.
“Quis somar o know-how jurídico de entender a dificuldade de liberação de direitos, como é que negocia, a questão de direitos de imagem, questões legais, por exemplo, para fazer uma filmagem num local público e também compreender todos os obstáculos, toda complexidade na cadeia de produção do audiovisual. Venho muito com esse repertório de quem sabe como se produz e também conhece quais são as exigências legais para que isso aconteça no final”, explica.
Antes de chegar na Spcine, a executiva construiu sua vida profissional na iniciativa privada. Seu currículo conta com cargos importantes em empresas de peso, especialmente no Grupo Itaú, em que atuou como gestora de direitos institucionais e gerente jurídica no Instituto Itaú Cultural; gestora jurídica no Itaú Cultural; e o mesmo cargo na Fundação Itaú.
Empossada presidente da Spcine em novembro de 2025, a especialista ainda se encontra num momento de transição - assim como a própria instituição. Nesse primeiro instante, o foco tem sido a construção de relacionamento, buscando a resposta para uma pergunta que fez a si mesma: como executiva, como fazer uma boa gestão desta empresa?. “Sou uma pessoa que gosta muito de relacionamento, essa é uma natureza minha. Acho que a partir do diálogo e da escuta é que se constrói futuros e o presente. Fui executiva a minha vida inteira, sempre trabalhei com a gestão. Então, venho muito dessa experiência. A Spcine é uma empresa de audiovisual criada a partir da demanda do próprio setor”, analisa a gestora.
Nessa chegada, também entram questões de entender como organizar os processos de funcionamento da Spcine, seus fluxos, a geração de orçamento, seus indicadores e o acompanhamento e monitoramento para, por fim, conseguir realizar uma gestão mais efetiva e mais eficaz dos programas e das ações da empresa.
“São muitos desafios. O primeiro é esse movimento que tenho feito… quero uma Spcine muito próxima do setor, que tenha uma escuta muito presente. Então, o primeiro movimento, até num esforço de agenda, é estar com as pessoas, com as associações representativas, com os produtores, com os festivais e, a partir dessas escutas, tenho reunido um conjunto de insumos, de sugestões, de opiniões e de inputs que vão me ajudar a acelerar as decisões de gestão. É um desejo de que a Spcine cumpra muito bem esse papel, de ser uma indutora, uma fomentadora da indústria audiovisual paulistana”, ressalta a presidente.
Um dos objetivos da atual gestão é que a cidade de São Paulo seja um grande hub de produção audiovisual dentro de um cenário mundial, aproveitando-se de ser um município que potencialmente ainda não foi explorado no seu todo, seja em termos de geração de recursos, de atração de filmagens ou de condições para coproduções. Para isso, porém, o diagnóstico é que é necessário inicialmente organizar a Spcine em termos de gestão, para então entender como a cidade e a empresa podem ser indutores do mercado audiovisual.
O caminho indicado, para Anna Paula é através da previsibilidade: “Melhorar a gestão na parte de editais, para que se assegure previsibilidade. Então estou organizando a casa para que possamos apresentar um calendário da execução dos nossos editais, tanto as contrapartidas quanto os recursos que estão vindo do fundo setorial audiovisual. Preciso ter uma casa bem organizada, processos e estruturas bem organizados para que possa apresentar um calendário, porque uma das coisas que escuto muito - e sentia muito quando eu trabalhava nisso - é a necessidade da previsibilidade. Sem previsibilidade você não consegue programar, filmar, ou contratar pessoas e set”.
Um segundo ponto abordado foi a busca de orçamentos além dos públicos. Um exemplo é o da internacionalização, mas subvertendo para trabalhar em como trazer os investidores estrangeiros para o Brasil, usando como barganha que: o custo é menor; conseguem apreciar mais obras a serem distribuídas; e que estar no ambiente nacional também cria um clima favorável para o investimento.
“Meu desejo é buscar outras fontes de recursos que não sejam só do orçamento público. Os arranjos regionais são muito importantes, continuarei lutando por eles e meu desejo é fazer novos, até porque acho muito saudável esse olhar como política de Estado relacionado ao audiovisual, em que as esferas federal, estadual e municipal atuam juntos. Mas aproveitando uma vida inteira na iniciativa privada, meu desejo é trazer dinheiro de mercado. Seja através de fundos de investimento, fundos públicos que apoiam, bons acordos com empresas, realizar formatos de coproduções que possam trazer dinheiro aqui para o Brasil e, especialmente, o que eu adoraria é fazer hubs de negócios. Enviar as pessoas para o exterior é importante, nós vamos continuar tendo esse papel de internacionalização, mas meu desejo é também criar situações favoráveis a investimento e como é que trago investimento internacional para São Paulo”, disserta a executiva.
O objetivo, desta forma, é alcançar uma sustentabilidade não apenas da Spcine, mas da indústria audiovisual paulista. A justificativa se dá nas diversas fontes de recurso que auxiliam na criação da previsibilidade financeira e, consequentemente, difundir o que é o setor audiovisual como um todo, impactando na geração de empregos, pagamento de impostos e nos diversos setores de serviço.
“Que os outros setores não briguem comigo, mas o setor audiovisual tem essa maior transversalidade. Porque gera muito impacto no setor de serviço, no hotel, no bar, no restaurante, no transporte, fomenta turismo. Essa é uma discussão muito interessante que tem muito a ver com a questão dos distribuidores e dos exibidores, do turismo da tela, turismo cinematográfico. Também gera empregos, naturalmente. O setor audiovisual tem que ser compreendido em toda essa sua presença em várias cadeias, para além, obviamente, da própria cadeia cultural”, conta.
Em um maior diálogo da exibição e distribuição, o Circuito Spcine foi eleito recentemente como a maior rede de exibição pública do mundo. A instituição segue celebrando o feito, mas também observa que exige um trabalho de desenvolvimento de território para que as pessoas frequentem o cinema, assegurando uma programação que interesse às diferentes praças.
Indo além, Anna Paula lembra que, no fundo, o desejado por todos os elos é que as pessoas vão ao cinema. Então, sua perspectiva é que distribuição e exibição são atividades que precisam de um olhar mais cuidadoso e devem ser valorizadas de forma mais estrutural, e que é através do contato com tais elos que se desenvolverá melhores políticas para, de fato, auxiliar ambos os setores. “A Spcine é uma tríade no qual de um lado olha mercado, de outra olha para dentro através da governança, e essa tríade se completa olhando a sociedade e o público consumidor através do Circuito Spcine. Como um todo, meu papel como gestora é de tentar que todas elas estejam muito vigorando, muito pulsantes na sua atuação”, conta.
Por fim, Anna Paula Montini falou sobre as expectativas de sua gestão. Encabeçando a lista, como dito, está o asseguramento de maiores recursos para o setor, assim como a previsibilidade na execução desses recursos. Mas não menos importante, uma cadeia de internacionalização bem pensada, buscando movimentos de que estar num país ou de levar alguém para um local no exterior tragam resultados efetivos - não é importante apenas estar, mas sim o porquê de estar lá, resultando em mais efetividades ao mercado.
“Acima de tudo, se o mercado daqui a um ano falar ‘nós estamos mais tranquilos, estamos conseguindo filmar mais, estamos com uma Spcine que nos representa, uma Spcine que fortalece o nosso setor’, vou me sentir muito realizada. Vim acima de tudo com um compromisso de fazer uma boa gestão para o mercado. Que a indústria cultural do audiovisual se sinta atendida, valorizada, respeitada e, acima de tudo, se sinta potente novamente em tudo que ela pode e tudo que a cidade de São Paulo merece”, finalizou a executiva.
CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
Para quem ainda não te conhece, quem é Ana Paula Montini dentro do audiovisual?
Sou advogada de formação e, desde que me formei, tinha a certeza que queria atuar dentro do campo da cultura. E aí senti a necessidade de embarcar no repertório jurídico, mas acima de tudo, compreender as dinâmicas da produção - nesse caso, audiovisual. Transitei, na verdade, em diversas linguagens artísticas, no teatro, nas artes visuais, na literatura e também no audiovisual.
Então, quis somar o know-how jurídico de entender, por exemplo, a dificuldade de liberação de direitos, como é que você negocia, a questão de direitos de imagem, as questões legais, por exemplo, para fazer uma filmagem num local público e também compreender todas as dificuldades ou todos os obstáculos ali, toda complexidade na cadeia de produção do audiovisual. Então para mim isso era bastante importante compreender.
Venho muito com esse repertório de quem sabe como se produz e também conhece quais são as exigências legais para que isso aconteça no final.
E desde a sua chegada, como é que você avalia a Spcine nesse momento de transição?
Sou uma pessoa que gosta muito de relacionamento, essa é uma natureza minha. Acho que a partir do diálogo e da escuta é que se constrói futuros e o presente. Então, tenho falado muito que venho sob a perspectiva de uma executiva. Fui a minha vida inteira executiva, sempre trabalhei com a gestão. Então, venho muito dessa experiência. A Spcine é uma empresa de audiovisual criada a partir da demanda do próprio setor. Então, como é que faço uma boa gestão desta empresa, como executiva?
Minha chegada está muito nesse olhar de como é que organizo os processos, como é que vão os fluxos, geração de orçamento, indicadores, acompanhamento, monitoramento, tudo isso para no final conseguir uma gestão mais efetiva, mais eficaz dos programas e das ações da Spcine.
Existe algum grande desafio, algum grande gargalo ou prioridade neste primeiro momento?
São muitos desafios. O primeiro é esse movimento que tenho feito, quero uma Spcine muito próxima do setor, que tenha uma escuta muito presente. Então, o primeiro movimento que tenho feito, até num esforço de agenda, é estar com as pessoas, estar com as associações representativas, estar com os produtores, estar com os festivais e, a partir dessas escutas, tenho reunido um conjunto de insumos, de sugestões, de opiniões, de inputs que vão me ajudar a acelerar as decisões de gestão.
Tenho muito pouco tempo na gestão, então é natural que nesse momento essa escuta tenha sido valiosa. Os desafios são muitos, acho que tem uma questão de como retomar esse protagonismo e esse olhar do que o mercado precisa, de como o setor audiovisual pode ser compreendido como uma indústria em sua totalidade.
Então, a mim é um desejo de que a Spcine cumpra muito bem esse papel, de ser uma indutora, de ser uma fomentadora da indústria audiovisual paulistana.
Como você observa o audiovisual no cenário nacional expandido? Especialmente nesse momento de “vai, não vai”, qual a sua perspectiva dessa situação momentânea?
Quero muito que São Paulo seja um grande hub de produção audiovisual, de produção no cenário mundial, de atração de filmagens, porque de fato ainda acho que São Paulo tem uma potência que não foi explorada no seu todo. Ainda, temos esse parque exibidor, mais de 10 mil produtoras… enfim, temos um impacto de bilhões, mas São Paulo ainda pode muito mais. É excelente que os filmes brasileiros estejam sendo premiados.
Celebro isso, estou torcendo por isso, mas isso não pode deixar que façamos perceber que há muito a melhorar para o mercado. Seja em termos de fomento, seja em termos de geração de recursos, seja em termos de atração de filmagens, condições para coproduções. Então, os desafios são muitos. E na verdade quero me dedicar, claro, nesse primeiro momento a organizar a casa em termos de gestão, mas logo em seguida o que quero muito é me dedicar em como que sou uma indutora do mercado audiovisual para que ele fique mais forte, mais potente.
E você acredita que há um caminho mais “óbvio” a ser traçado ou algo que tem que ser descoberto ainda?
Primeiro melhorar a gestão na parte de editais, para que se assegure previsibilidade. Então estou organizando a casa para que possamos apresentar um calendário da execução dos nossos editais, tanto as contrapartidas, quanto os recursos que estão vindo do fundo setorial audiovisual, quanto os recursos que virão da PNAB 2.
Então preciso ter uma casa bem organizada, processos e estruturas bem organizadas para que possa apresentar um calendário, porque uma das coisas que escuto muito e sentia muito quando eu trabalhava nisso também é a necessidade da previsibilidade. Sem previsibilidade você não consegue programar, filmar um longa, ou contratar pessoas ou set.
A segunda questão muito importante é o desejo de não depender só do orçamento público. Meu desejo é como é que vou buscar outras fontes de recursos que não sejam só do orçamento público. Os arranjos regionais são muito importantes, continuarei lutando por eles, meu desejo é fazer novos arranjos regionais, até porque acho muito saudável esse olhar como política de estado relacionado ao audiovisual, em que as esferas federal, estadual e municipal atuam juntos. Mas aproveitando de eu ter tido uma vida inteira na iniciativa privada, meu desejo é trazer dinheiro de mercado. Seja através de fundos de investimento, seja fundos públicos que apoiam, seja realizar bons acordos com empresas, seja realizar formatos de coproduções que possam trazer dinheiro aqui para o Brasil e, especialmente, o que eu adoraria é fazer hubs de negócios.
É muito comum hoje fazer com que as pessoas vão para outros países. Elas vão para o exterior, mas como é que trago esses investidores para o Brasil? Porque quando trago para o Brasil o custo é menor, eles conseguem enxergar mais obras, conseguem apreciar mais obras a serem distribuídas e eles estarem no ambiente nacional também cria uma um clima favorável para o investimento.
Então, enviar as pessoas para o exterior é importante, nós vamos continuar tendo esse papel de internacionalização, mas meu desejo é também como é que crio no Brasil situações favoráveis a investimento e como é que trago investimento internacional para São Paulo.
Até porque, por mais que seja de suma importância o investimento público, o setor não se mantém apenas com ele. Ele não é autossustentável. É exemplo não falta: França, Coreia do Sul, China… pensando apenas em São Paulo, claro, mas é nessa linha de poder se autofinanciar a longo prazo?
Perfeito, fez uma excelente síntese. Primeiro, a palavra é essa, sustentabilidade, porque se crio, se tenho diversas fontes de recurso, consigo criar essa previsibilidade financeira. A segunda é realmente difundir o que é o setor audiovisual como um todo. O setor audiovisual é geração de empregos, pagamento de impostos, ele impacta o setor de serviços, impacta o turismo, difunde a imagem do país para fora, é fruição, e também é entretenimento.
Então, trabalhar para demonstrar toda essa força, o que o audiovisual significa e a força do audiovisual paulistano também é um recurso no qual posso me valer desse momento feliz de visibilidade do cinema brasileiro para o mundo, mas como uma alavanca estratégica para geração de mais recursos e mais negócios para a cidade de São Paulo.
Nosso público são principalmente distribuidores e exibidores, então quero fazer um gancho com a exibição. O Circuito Spcine foi eleito o maior gratuito do mundo. O que você acha que o setor privado pode aprender com Spcine em termos de exibição?
Quero até aproveitar, por já conhecer seu público, a distribuição e a exibição são nevrálgicas em quando pensamos na cadeia do audiovisual. Porque no fundo o que todos querem é que as pessoas no final vejam seu filme. Então, distribuição e exibição são atividades que têm que ser muito valorizadas e esse é um desejo. Como é que tenho um contato não só com exibidores, mas com os distribuidores para pensarmos em qual é a melhor política. Como Spcine, posso incidir em políticas públicas municipais que realmente ajudem e auxiliem esses dois setores.
E indo ao encontro da tua pergunta sobre o Circuito Spcine, para nós um trabalho importante é como é que fazemos mais pessoas irem ao cinema. Falamos muito de pandemia, que afetou o comportamento… claro que tem os hábitos, também às vezes de estar na sala vendo streaming, mas como é que desenvolvemos esse hábito de também de ir ao cinema? Como é que faz um trabalho com a plateia para que essa plateia sinta a diferença que é ver um filme na telona.
Então, realmente celebramos muito o fato de termos o maior circuito público do mundo, mas também exige um trabalho de desenvolvimento de território para que as pessoas frequentem o cinema, assegurar uma programação que interessa a elas. Como é que trabalha a partir de seminários, debates, a programação que elas viram, como é que se entende o território para pensar uma programação.
A Spcine é uma tríade no qual de um lado ela olha mercado, de outra ela olha para dentro através da governança e essa tríade se completa olhando a sociedade e o público consumidor através do circuito Spcine. Então essa tríade, como um todo, meu papel como gestor é de tentar que todas elas estejam muito vigorando, muito pulsantes na sua atuação.
É criando o costume que se mantém o costume…
Essa questão de retomar o hábito de estar nas salas de cinema é fundamental. Da parte nossa, claro, também temos uma plataforma de streaming, então é óbvio também trafegamos dentro dessa perspectiva, mas é indissociável a importância das pessoas irem ao cinema e verem os filmes nas salas.
É levar o cinema para os mais diversos locais de São Paulo, inclusive porque sabemos que o acesso também gera o hábito cultural. Existem pesquisas indicando que muitas vezes, se você não tem um cinema perto, vai ser mais difícil frequentá-lo, porque tem a questão do transporte, e tem que conciliar com a sua rotina de trabalho.
Então também o Circuito cumpre esse papel de estar pronto próximo de vários locais em São Paulo e com isso permitia um acesso maior ali à democratização da cultura.
Quase como uma formação de público?
Perfeito, sim. A formação de público passa também muito por isso. E quanto mais filmarmos também. O Brasil, São Paulo, isso também acho que retroalimenta positivamente.
As pessoas gostam muito de ver coisas com as quais elas se identificam. Então, um desejo meu também é ampliar o número de filmagens em São Paulo. Como difusão de soft power, sabe? Porque São Paulo pode ser qualquer tipo de cenário. Pode ser Nova York, pode ser a Europa, pode ser a África, tem praia, tem montanha, tem frio, tem calor, tem grafite, tem área verde. Tem locais icônicos, tem museus. Você pode desenhar qualquer tipo de filme que São Paulo cabe nele. Então como é que também transformamos São Paulo num enorme set de filmagens? Porque aí as pessoas se veem representadas e isso retroalimenta positivamente novas filmagens.
Então, estamos com um olhar muito importante, tanto na melhoria do nosso programa film commission, e um olhar para como é que melhoramos o nosso cash rebate. O cash rebate é uma ideia genial, queremos não só fortalecê-lo, como aumentar os recursos do cash rebate para que isso no final gere, além das linhas de fomento, mais filmes sendo realizados em São Paulo, porque no fundo todo mundo ganha. Ganha o turismo, ganha os serviços, ganha a arrecadação de impostos, ganha empregos, e mais: ganha as pessoas felizes se vendo retratada nas telas.
Economicamente, o audiovisual chegou a gerar quase 1% do PIB nacional em 2019…
Que os outros setores não briguem comigo, mas o setor audiovisual tem essa maior transversalidade. Porque gera muito impacto no setor de serviço, no hotel, no bar, no restaurante, no transporte, fomenta turismo. Essa é uma discussão muito interessante, que tem muito a ver com a questão dos distribuidores e dos exibidores, do turismo da tela, turismo cinematográfico. Ela também gera empregos, naturalmente.
Então, é linguagem, o jovem é o letramento digital, o letramento audiovisual é a linguagem da juventude atual. Então, realmente o setor audiovisual tem que ser compreendido em toda essa sua presença em várias cadeias, né? Para além, obviamente, da própria cadeia cultural, por assim dizer.
Por fim, o que o setor e o mercado de São Paulo podem esperar da Spcine com você à frente?
Primeiro quero realmente uma gestão que assegure maiores recursos, gestão de mais recursos pro setor. previsibilidade na execução desses recursos. Uma cadeia de internacionalização bem pensada, na qual os movimentos de estar num país ou de levar alguém para um local no exterior tragam resultados efetivos. Não é só estarmos nos lugares, mas é o porquê de estarmos nesses lugares. Então, quero uma internacionalização que resulte em coisas efetivas para o mercado.
E um permanente trabalho no circuito para que cada vez mais tenhamos essas salas cheias, seja no circuito Spcine, seja em todos os demais circuitos.
E quero que o cinema continue recebendo mais e mais prêmios, mas, acima de tudo, se o mercado daqui a um ano falar "Nós estamos mais tranquilos, nós estamos conseguindo filmar mais, nós estamos com uma Spcine que nos representa, uma Spcine que fortalece o nosso setor, nós estamos felizes com a sua gestão”, vou me sentir muito realizada. Vim acima de tudo com um compromisso de fazer uma boa gestão para o mercado.
Que a indústria cultural do audiovisual, ela se sinta atendida, ela se sinta valorizada, ela se sinta respeitada e acima de tudo ela se sinta potente novamente em tudo que ela pode e tudo que a cidade de São Paulo merece.
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