13 Maio 2026 | Yuri Cavichioli
Netflix atribui US$ 325 bilhões ao impacto de sua operação e lança plataforma global
Levantamento relaciona geração de empregos, turismo, produções regionais e circulação de conteúdo à atuação internacional do serviço
Em 1997, quando ainda operava como um serviço de aluguel e entrega de DVDs pelo correio nos Estados Unidos, a Netflix estava longe de se apresentar como uma companhia capaz de relacionar sua atividade a efeitos que extrapolam o entretenimento. Décadas depois, enquanto muitas empresas ainda encontram dificuldade para traduzir seu valor para além de indicadores financeiros, a plataforma escolheu um caminho diferente: estruturar uma narrativa institucional que conecta sua presença a reflexos econômicos, sociais e culturais em diferentes mercados.
Esse movimento diz tanto sobre a Netflix quanto sobre a época vivida pelo mercado do entretenimento, pressionado por custos crescentes, disputa por atenção, reconfiguração de modelos de negócio e discussões constantes sobre sustentabilidade financeira. Ao lançar a plataforma The Netflix Effect (O Efeito Netflix), o serviço passa a conectar sua atividade a uma cadeia produtiva mais ampla, conectada não só ao audiovisual, mas também ao turismo, mercado editorial, geração de renda, formação profissional e circulação cultural.
De acordo com o relatório, a operação da Netflix contribuiu com US$ 325 bilhões para o PIB global desde a expansão internacional acelerada iniciada há dez anos, quando o serviço passou de cerca de 60 para mais de 190 países em um único movimento. No mesmo período, a empresa afirma ter investido mais de US$ 135 bilhões em filmes e séries e criado mais de 425 mil empregos em suas produções próprias.
O material organiza a atuação da empresa em dez frentes distintas, apresentando a Netflix não apenas como distribuidor de conteúdo, mas como agente econômico com desdobramentos para além da tela.
Os eixos são:
- - Growing The Global Economy (Crescimento da economia global);
- - Supporting Local Industries (Fortalecimento de indústrias locais);
- - Going Off The Beaten Path (Exploração de destinos fora dos circuitos tradicionais);
- - Licensing Titles & Growing Audiences (Licenciamento de títulos e crescimento de audiência);
- - Stories From Around The World (Histórias ao redor do mundo);
- - Investing in Talent (Investimento em talentos);
- - Growing Careers (Desenvolvimento de carreiras);
- - Inspiring Travel (Turismo inspirado por produções);
- - Streaming Culture (Cultura do streaming);
- - Fueling Fandom & Driving Conversation (Mobilização de fandoms e estímulo à conversa).
Apenas no Brasil, o impacto já vai além do entretenimento, de acordo com a vice-presidente de Conteúdo, Elisabetta Zenatti.“Com Senna, por exemplo, criamos muitos empregos e ajudamos a indústria a chegar a um novo patamar em termos de efeitos visuais. Com Ilhados com a Sogra, estimulamos o turismo. Com O Filho de Mil Homens e Pssica, provocamos um aumento de vendas de livros. Com Emergência Radioativa, reacendemos o debate público sobre as pensões das vítimas. Nossa co-produção de O Agente Secreto ajudou a levar a cultura brasileira mais longe. Enfim, os exemplos são inúmeros ao longo desses 15 anos.”
O lançamento da plataforma também ocorre em meio a um momento financeiramente positivo para a Netflix. Em seu balanço do primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou crescimento de 16% na receita e lucro líquido recorde, impulsionado, entre outros fatores, pela taxa de rescisão paga pela Warner.
Ao associar seu catálogo a desenvolvimento econômico e circulação cultural, a Netflix busca fortalecer sua interlocução com governos, investidores, parceiros de produção e demais agentes da cadeia audiovisual. Para a cadeia exibidora, o movimento pode chamar atenção porque aponta para uma disputa que vai além da audiência ou da assinatura mensal, envolvendo também a construção de relevância institucional.
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